Maurício de Nassau

Militar, administrador e expedicionário em terras brasileiras

Johan Maurits van Nassau-Siegen (em holandês), conhecido como Maurício de Nassau, nasceu no dia 17 de junho de 1604 no Castelo de Dillenburg, na Alemanha. Era oriundo de uma tradicional família da nobreza, a Casa de Nassau, que disputava os tronos da Alemanha e da Holanda.

Maurício de Nassau recebeu educação formal na Universidade da Basileia, em seguida ingressou no Collegium Mauritianum, criado para filhos da nobreza protestante.

Sob influência do protestantismo, além dos laços de parentesco com famílias nobres neerlandesas, iniciou a carreira militar aos 16 anos a serviço dos Países Baixos.

Lutou na Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), contra a Espanha, na qual ganhou destaque. Maurício de Nassau participou de várias campanhas militares e, por volta de 1626, foi promovido a Capitão.

Príncipe Maurício de Nassau
Príncipe Maurício de Nassau (Foto: Wikipédia)

Palácio Mauritius

Maurício de Nassau era um entusiasta da arquitetura. Em certo período de sua vida, passou a conviver com artistas, escritores, poetas e humanistas.

Mais tarde, em 1632, Nassau mudou-se para Haia e deu início a construção do luxuoso Mauritshuis. A obra era um projeto do famoso arquiteto Jacob van Campen, seguidor do estilo italiano de Palladio.

Contudo, as despesas com a construção do Palácio Mauritius, que ultrapassaram meio milhão de florins (moeda da época), afetou os recursos financeiros de Nassau.

A aquisição de muitas dívidas fez com que Nassau aceitasse, em 1636, a proposta da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais para administrar a recém-conquistada colônia holandesa no Brasil.

Os holandeses em Pernambuco

Em 1621 os holandeses criaram a Companhia das Índias Ocidentais, encarregada de recuperar o controle do açúcar brasileiro e monopolizar o comércio nos mercados europeus. Para isto, era necessário ocupar e se apoderar do território do Brasil Colônia, onde o produto era produzido.

Desta forma, os holandeses iniciaram sua primeira invasão no Brasil, em 1624. Atacaram a cidade de Salvador, na época o centro administrativo da colônia, mas foram expulsos sem conquistar território.

Em 1630 ocorreu uma segunda tentativa, desta vez em Pernambuco. Houve combate, mas os holandeses conseguiram conquistar as vilas de Olinda e Recife, estabelecendo controle em uma extensa parte do litoral brasileiro que ia do estado de Sergipe ao Maranhão.

Assim, a Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais nomeou Maurício de Nassau como governador para administrar o domínio recém conquistado, que chamaram de Brasil-holandês.

Governador Maurício de Nassau

Com o título de governador e comandante-chefe, além de uma excelente remuneração, Maurício de Nassau embarcou para o Brasil chegando na cidade de Recife em 23 de janeiro de 1637.

Nassau trouxe consigo um grupo de cientistas, teólogos, arquitetos, médicos e pintores, como o paisagista Frans Post, o cientista Willem Piso, para estudar as doenças tropicais, e o humanista Caspar Barlaeus, a quem Nassau encomendou a redação da história de seu governo no Brasil.

Assim que o príncipe alemão chegou para conquistar a colônia que os holandeses esperavam construir nos trópicos, organizou os expedientes militares e expulsou os hispano-portugueses para além do rio São Francisco, construindo um forte as margens do rio.

Maurício de Nassau governou o Brasil entre 1637 e 1644, nesse período procurou construir uma administração efetiva e estabeleceu bom relacionamento com os senhores de engenho da região.

Propôs o financiamento de recursos aos proprietários de engenho para serem utilizados na recuperação de engenhos, na compra de escravos e de máquinas para a fabricação de açúcar.

Maurício de Nassau desenvolveu a economia açucareira no Nordeste com métodos aperfeiçoados de cultivo da cana-de-açúcar e do fumo.

Além disso, foi responsável por promover melhorias urbanísticas, as vilas de Recife e Olinda passaram por um intenso processo de reforma que mudaram completamente a paisagem local.

Criou as Câmaras dos Escabinos, órgãos de representação municipal, com o intuito de estimular a participação política da população nas decisões de interesse local e regularizou serviços públicos de primeira ordem, como o corpo de bombeiros e a coleta de lixo.

A Cidade Maurícia

Durante sua administração, Maurício de Nassau teve a ideia de construir a “Cidade Maurícia”, para ser a capital do Brasil-holandês. Maurícia foi construída a partir de 1638 na Ilha de Antônio Vaz.

A designação “Cidade Maurícia” persistiu até 1654, quando os holandeses foram expulsos. Posteriormente, o nome de “Cidade Maurícia” foi abandonado e a Ilha passou a ser chamada “Povoado de Santo Antônio”.

A Partida de Nassau

Com o envio das expedições a Angola e Maranhão e a ratificação do tratado luso-neerlandês, o cargo de Nassau no Brasil passou a ser visto como desnecessário.

Em 30 de setembro de 1643, recebeu a Carta de dispensa dos Estados Gerais, com a promessa de designar importantes funções na Europa. Nassau partiu levando para seu palácio de Haia, objetos e pinturas valiosos que adornavam seu palácio no Brasil.

De volta aos Países Baixos, o príncipe Maurício de Nassau foi promovido a general de cavalaria, sendo nomeado comandante da guarnição de Wesel. Também exerceu o cargo de Governador de Cleves (1647).

Em 1652, foi nomeado Comandante da Ordem de Malta para o norte da Alemanha, além de receber do Imperador o título de Príncipe do Sacro Império Romano-Germânico. Na guerra contra a França, tornou-se marechal-de-campo.

Por fim, Nassau foi nomeado governador de Utrecht (1674), posteriormente se tornou conde e depois príncipe (1674-1679) de Nassau-Siegen, região da atual Alemanha.

Maurício de Nassau faleceu no dia 20 de dezembro de 1679 em Cleves, Alemanha.

Expulsão dos Holandeses do Brasil

Com o fim do domínio espanhol sob Portugal, em 1640, o novo rei português decidiu recuperar o Nordeste do Brasil, retirando o domínio holandês. Nesse mesmo período, os senhores de engenho também demonstravam descontentamento com a administração holandesa.

Com a partida de Nassau, a Holanda adotou inúmeras medidas impopulares para explorar ao máximo a produção do açúcar brasileiro, como o aumento dos impostos, contrariando os interesses dos proprietários de engenho.

A revolta contra os holandeses ganhou força em 1645, em Pernambuco, liderada pelo paraibano André Vidal de Negreiros, por João Fernandes Vieira, português e senhor de engenho, por Henrique Dias e o índio Poti (mais tarde, Filipe Camarão).

Essa luta ficou conhecida como a Insurreição Pernambucana e foi seguida por outros confrontos, como do Monte das Tabocas (1645) e dos Guararapes (1648-1649). Os holandeses somente se renderam em 1654, após acordo de Campina da Taborda.

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BRITO, Samara. Maurício de Nassau; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/mauricio-de-nassau >. Acesso em 19 de novembro de 2019 às 04:35.

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