Michel Foucault

Grande expoente do pensamento filosófico do século XX

Michel Foucault foi um filósofo, crítico literário, teórico social, filólogo e professor francês. Ficou conhecido pelas teorias sobre a relação entre poder e conhecimento. O seu pensamento é muito estudado por acadêmicos até os dias atuais.

Biografia

Michel Foucault
Michel Foucault é conhecido pelas críticas às instituições sociais. (Foto: Flickr)

Michel Foucault nasceu em Poitiers, na França, no dia 15 de outubro de 1926. Ele nasceu em uma família de classe média alta, e os seus pais eram médicos. Estudou no Lyccé Henri IV, e na École Normale Supérieure, em Paris.

Nesse mesmo período despertou o interesse pela filosofia, desapontando o seu pai, que gostaria que ele também fosse para o caminho da medicina. A relação de Foucalt com o seu pai não era muito boa, tanto que ele o internou como louco, aos 22 anos, após uma tentativa de suicídio.

Por conta dessa postura, Foucault começou um tratamento psicológico, e a partir desse contato com a psicanálise e a psiquiatria, leu muito as obras de autores como Platão, Karl Marx, Husserl e Nietzsche.

Aprofundou-se na obra de Kant, criticando a sua noção de sujeito enquanto mediador de tudo, já que, para ele, o homem é um produto das práticas discursivas.

Michel Foucault se formou em filosofia e psicologia pela Universidade de Sorbonne, onde publicou, em 1954, “Doença mental e psicologia”. Ele também se filiou ao Partido Comunista Francês, mas se afastou logo por conta das divergências com as doutrinas do partido.

Na França, foi professor da Universidade de Clemont-Ferrand, mas também em outras instituições da Suécia, da Tunísia, dos Estados Unidos e da Alemanha. Ele também escreveu para diversos jornais, e trabalhou como psicólogo em presídios e hospitais psiquiátricos.

Com 35 anos publicou a sua tese de doutorado, intitulada “História da Loucura”, que foi a sua grande obra, o firmando como filósofo. Em 1970 tornou-se professor do Collège de France, onde lecionou até a sua morte.

Michel Foucault morreu em Paris, França, no dia 25 de junho de 1984 com problemas neurológicos agravados pela AIDS, sendo a primeira figura pública francesa a morrer por conta do vírus. O jornal Le Monde anunciou na primeira página do jornal a morte do filósofo.

O pensamento de Michel Foucault

A sua tese de doutorado “História da Loucura”, junto com a outra obra “Nascimento da Clínica”, configuram, juntas, uma crítica às práticas psicológicas que vigoravam, e ao conceito de loucura. Para ele, não existe uma relação de poder sem uma ligação com o saber, e também não existe saber, sem ligação que constitua uma relação de poder.

Em sua fase estruturalista, principalmente baseado nos ensinamentos de Levi-Strauss, desenvolveu métodos arqueológicos para mostrar o poder na sociedade. Os seus livros “As palavras e as coisas” e “Arqueologia do saber” trazem o seu esforço em mostrar as descontinuidades e rupturas dos discursos para expor como se deu a constituição de um campo de saber instituído como poder.

A partir da década de 70, Michel Foucault se distancia do estruturalismo, abandonando algumas ideias do seu projeto arqueológico e iniciando um novo, o genealógico. Os seus livros “Vigiar e Punir” e “História da Sexualidade” mostram a historiografia da vontade de poder, baseados na obra de Nietzsche.

Michel Foucault estudou os processos disciplinares que eram empregados nas prisões, afirmando que eram formulados através da imposição e dos padrões de conduta já pré-estabelecidos pelas ciências sociais. Ele critica ainda os métodos utilizados pela psiquiatria e psicanálise tradicionais.

Em 1984, antes de morrer, publicou ainda “O uso dos prazeres”, que fazia uma análise da sexualidade na Grécia Antiga, e “O cuidado de si”, que fala da Roma Antiga. Foucault veio ao Brasil cinco vezes. As conferências pronunciadas em 1973 aqui no país, inclusive, foram compiladas no livro “A Verdade e as Formas Jurídicas”.

Veja um pouco mais sobre a obra de Michel Foucault:

Suas obras

Veja algumas das principais obras de Michel Foucault:

  • Doença Mental e Psicologia (1954)
  • História da loucura na idade clássica (1961)
  • Gênese e Estrutura da Antropologia de Kant (1961) 
  • O Nascimento da clínica (1963)
  • As palavras e as coisas (1966)
  • Arqueologia do saber (1969)
  • A ordem do discurso (1970)
  • Natureza Humana. Justiça vs. Poder: o debate entre Chomsky e Foucault (1971)
  • Isso não é um cachimbo (1973)
  • Eu, Pierre Rivière, que degolei minha mãe, minha irmã e meu irmão (org.) (1973)
  • Vigiar e punir (1975)
  • Microfísica do Poder (1979)
  • História da sexualidade (1976)

Michel Foucault e a militância

Foucault foi um ativista de várias causas. Ele lutava em movimentos políticos contra o racismo, os abusos dos direitos humanos, e em campanhas pela reforma penal, por exemplo. Esteve engajado nas disputas políticas das Guerras do Irã e da Turquia.

Uma das suas frases mais famosas foi:

Não me pergunte quem sou e não me peça para permanecer o mesmo.

Nos Estados Unidos conseguiu apoio intelectual e liberdade para viver a sua sexualidade, que ainda chocava a tanta gente. Nessa fase  passa a contribuir com as lutas por resistência, buscando um novo caminho para a subjetividade, a partir de um processo inventivo de resistência à dominação do “normal”.

Curiosidades

– Quando Michel Foucault morreu, o seu parceiro, Daniel Defert, criou uma instituição de caridade para ajudar portadores da AIDS.

– O filósofo acreditava que a prisão era uma forma de controle e dominação da burguesia sobre a classe dos proletariados, mesmo quando exercida de modo legal.

– O autor deixou, para ser publicado postumamente, o quarto volume da série de livros “História da Sexualidade”, com o subtítulo “As Confissões da Carne”.

– Quando era criança, Foucault gostava de jogar tênis e andar de bicicleta.

– Desde a adolescência ele já sabia sobre a sua sexualidade, mas guardou segredo por medo de ter a carreira arruinada por escândalos sexuais.

– O seu apelido era “fuchs”, que significa “raposa”, por conta da sua inteligência.

– Uma característica do filósofo é que ele cozinhava muito bem, e gostava de bebidas alcoólicas. Também experimentou diversos tipos de drogas.

– Quando morreu, o filósofo Gilles Deleuze leu um pequeno trecho da introdução do seu texto “Uso dos Prazeres” no seu funeral.

Citações

A psicologia nunca poderá dizer a verdade sobre a loucura, pois é a loucura que detém a verdade da psicologia.

O discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo porque, pelo que se luta, o poder do qual nos queremos apoderar.

Precisamos resolver nossos monstros secretos, nossas feridas clandestinas, nossa insanidade oculta.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Pina, Cíntia. Michel Foucault; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/michel-foucault >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 18:07.

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