Morfologia

Estrutura das palavras

Morfologia do grego “morphe” (morfo = forma) e “logia” (logos = estudo) é a parte da gramática que dedica ao estudo da estrutura, forma e classificação das palavras observadas isoladamente no contexto frasal.

A Morfologia é dividida em dez classes gramaticais, sendo os substantivos, artigos, adjetivos, numerais, pronomes e verbos palavras variáveis; e os advérbios, preposições, conjunções e interjeições palavras invariáveis.

Classes gramaticais da morfologia:   

Palavras variáveis na morfologia                                                            

  • Substantivo – responsável por nomear todas as coisas. (A piscina é quadrada) 
  • Verbo – responsável por indicar ação, estado ou fenômeno. Pode ser definido em verbo regular ou irregular.  (Eu corri hoje).    
  • Adjetivo – responsável por atribuir qualidades e estados aos seres.  (Maria é linda).                                              
  • Pronome – acompanhamento dos substantivos com a função de substituí-los.  (Meu cachorro está doente).     
  • Artigo – função de determinar o gênero e o número das palavras. (O anel ficou pequeno).
  • Numeral – indica uma quantidade de tudo o que existe. (A primeira pessoa da fila pode entrar).

 Palavras invariáveis na morfologia

  • Conjunção – é usada como elemento de ligação entre duas orações ou termos semelhantes em uma mesma oração. (O menino guardou os bonecos e mostrou quando viu os amigos).
  • Advérbio – modifica um verbo, adjetivo ou outro advérbio de acordo com a situação. (O carro chegou ontem).
  • Preposição – conecta dois termos de uma oração. (Eu preciso de você).
  • Interjeição – usadas para apontar sentimentos, emoções e estados de espírito. As interjeições geralmente são acompanhadas pelo ponto de exclamação. (Ah, como eu queria ser famosa!).

 

Morfologia
Morfologia: estudo da forma das palavras. (Foto: Flickr).

Na morfologia as palavras que sofrem variações em sua forma são chamadas de desinências nominais de gênero e de número, bem como desinências verbais que indicam modo, tempo, número e pessoa.

Desinência nominal

Os elementos mórficos unidos ao radical determinam as flexões da palavra. Por exemplo: menininhas.

Nessa palavra do gênero feminino o “s” identifica está identificando a palavra no plural, também é uma desinência de número.

Desinência verbal

O modo e o tempo vão determinar os elementos mórficos.

Exemplo: ‘cantávamos’

Nessa palavra, o ‘va’ remete ao passado do verbo “cantar”, além do ‘mos’ que mostra implicitamente que é a primeira pessoa do singular.  

A desinência ‘o’, presente em “am-o”, é uma desinência número-pessoal, uma vez que indica que o verbo está na primeira pessoa do singular; “va”, de “ama-va”, é desinência modo-temporal: caracteriza uma forma verbal do pretérito imperfeito do indicativo, na 1ª conjugação.

Observe atentamente outro exemplo:

O jovem bonito permaneceu bastante calmo.

Nessa frase: “o” – artigo masculino definido/ “jovem” - substantivo sem marca de gênero/ “bonito” - adjetivo/ “permaneceu” – verbo/ “bastante” – advérbio.

As palavras da frase se harmonizam entre gênero e número, detectadas no masculino e na forma singular. O único que pertence à classe gramatical invariável e que por isso não sofre alteração de sentido é o advérbio.

Elementos da Morfologia

Os elementos da morfologia que constroem a palavra recebem o nome de elementos mórficos ou morfemas. Eles são:

  • Radical – morfema comum a palavras da mesma família. A ideia principal da palavra (pão, padeiro, padaria/ terra, enterrar.)
  • Afixos – divididos em sufixos e prefixos, eles auxiliam na construção das palavras. Se o afixo vem antes do radical ele é chamado de prefixo. Quando ocorre depois do radical é chamado de sufixo. São elementos acrescentados ao radical com o objetivo de formas novas palavras. Enterrar (en- prefixo) e (ar- sufixo).
  • Vogal temática –  é a vogal que se junta ao radical para formar uma palavra. Nos verbos, a vogal temática indicará conjugações. Dentro delas existem 3 vogais temáticas: ‘a, e, i’. Elas se unem, também, logo após o radical.  Verbos terminados em ‘ar’ são de primeira conjugação, verbos terminados em ‘er’ são de segunda conjugação e verbos terminados em ‘ir’, terceira conjugação.

Exemplos: 

  • Sonhar
  • Ver
  • Sair
  • Comprar

Morfologia: composição das palavras

É a formação de uma nova palavra com outra que já existe. Para construir uma palavra será necessário utilizar mais de um radical. Essa categoria de palavra é dividida em composição por justaposição, aglutinação, hibridismo, onomatopeia e sigla.

  • Justaposição: união de palavras (precisa ter mais de um radical) diferentes para formar palavras novas sem perder fonemas ou letras.

Exemplo: passa + tempo = passatempo / guarda + chuva = guarda-chuva/ beija+ flor = beija-flor

  • Aglutinação:  junção de palavras com perda de fonemas e letras.

Exemplo: plano + alto = planalto/ água + ardente = aguardente/ perna + alta = pernalta.

Observação importante: na junção da palavra “acre”, perde-se o fonema ‘c’ e transforma-se em ‘g’. Exemplo: agridoce = (acre + doce).

  • Hibridismo: formação de palavras através de dois radicais de origens diferentes.

Exemplo: romanista = romano (latim) + ista (grego) / automóvel = auto (grego) + móvel (latim)

  • Onomatopeia: formação de palavras através da repetição de seu som.

Exemplo: toque- toque (barulho ao bater na porta) / reco- reco (som de um instrumento)

  • Siglas: redução de expressões com o objetivo de formar palavras através de suas iniciais.

Exemplo: UFBA (Universidade Federal da Bahia) / BOVESPA (Bolsa de Valores do Estado de São Paulo) / ONU (Organização das Nações Unidas).

Morfologia: Derivação das palavras

Usa-se apenas um radical para formar palavras da mesma família.

Tipos de derivação

Elas podem ser prefixal, sufixal, prefixal e sufixal (juntas), parassintética.

  • Prefixal: Exemplo: “feliz” (ao acrescentar o prefixo ‘in’ dá-se origem a uma nova palavra “infeliz”.
  • Sufixal: Exemplo: “feliz” (ao acrescentar o sufixo “mente” dá-se origem a uma nova palavra “felizmente”.
  • Prefixal e sufixal: é a junção de dois elementos em uma mesma palavra. Ao tirar, por exemplo, o sufixo ou prefixo não se perde o sentido da palavra.

Exemplo: “infelizmente” (com o prefixo ‘in’ mais o radical “feliz” e o sufixo ‘mente’) Ao ser retirado um dos lados ou mesmo dos dois lados não altera o significado da palavra.

  • Parassintética: também possui presença de prefixo e sufixo, porém, ao retirar um deles a palavra perde o sentido.

Exemplo: “entardecer”, (se retirarmos o prefixo ‘en’ ficaria ‘tardecer’; e se tirarmos o sufixo ‘ecer’ ficaria ‘entard’, ou seja, a palavra perde o significado).

  • Regressiva: ao mudar uma parte da palavra muda-se também a classe gramatical dela. A palavra “criticar” é um verbo pela sua classe gramatical, mas se no lugar do sufixo ‘ar’ colocarmos a vogal ‘o’ teremos a palavra ‘“crítico” que é um substantivo.
  • Imprópria: semelhante a regressiva, não se mexe na palavra, somente nos elementos externos. Muda-se a classe da palavra dentro do contexto sem alterar a estrutura. A palavra” piranha” analisada sozinha é um substantivo, mas ao ser analisada na frase: ‘Ele é um moleque piranha’ altera-se a classe gramatical e passa a ser adjetivo.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

MENDES, Maria. Morfologia; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/morfologia >. Acesso em 29 de janeiro de 2020 às 21:46.

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