Na Natureza Selvagem

A busca de Chris McCandless pela verdadeira felicidade

Na Natureza Selvagem” trata de uma história real baseada na vida de Christopher McCandless, um jovem que decidiu abandonar sua vida cotidiana para viajar até o Alasca em busca da felicidade real, vivendo sozinho na natureza selvagem, sem cobranças e influências sociais.

Resumo

A obra “Na Natureza Selvagem” conta a história real de Christopher McCandless, um jovem americano de família rica que, após se forma na universidade como um dos melhores estudantes e atletas, sente-se incomodado com a vida ao seu redor.

Capa do livro Na Natureza Selvagem
Livro “Na Natureza Selvagem” de Jon Krakauer. (Foto: Wikipédia)

Chris sentia-se incomodado com a relação superficial de seus pais, os considerava falsos e com vidas vazias. Além disso, sentia-se extremante avesso ao materialismo social, fruto do capitalismo, e ao sistema, em relação aos políticos, à economia vigente e ao modo de vida dominante, no qual todos estavam imersos.

Assim, contrariando as expectativas de emplacar uma carreira prestigiosa e lucrativa, seguindo paradigmas, o jovem McCandless decide ir em busca da felicidade genuína embarcando na maior aventura de sua vida e uma das mais conhecidas do mundo.

Após doar os 24 mil dólares que tinha de poupança a uma instituição de caridade, abandonar seu carro e queimar todo dinheiro que tinha na carteira, Christopher McCandless decide abandonar também os laços familiares. Não tendo mais nada que o prendesse em sua casa, parte sozinho sem deixar notícias.

Chris parte rumo à natureza selvagem, onde pretende chegar se aventurando, sem ajuda, sem dinheiro e sem sua antiga identidade. Adota o nome de Alex Supertramp e inicia sua viagem até o Alasca, onde pretendia enfrentar seus limites e viver do que a natureza oferecia.

As felicidades até chegar ao seu destino

Enquanto seus pais se desesperam por seu sumiço repentino e tentam refletir sobre os motivos do jovem ter tomado tal atitude, Chris (ou Alex) seguia estrada afora, pegando carona com desconhecido para chegar ao seu destino.

Christopher McCandless percorreu muitos quilômetros conhecendo novas pessoas, contando e ouvindo novas histórias. Naquele momento, Alex experimentava a felicidade através da liberdade, do gozo de ir e vir sem vínculos ou cobranças.

“Começamos a conversar. Era um garoto legal. Disse que seu nome era Alex. E estava com muita fome. Faminto, faminto, faminto. Mas bem feliz. Disse que estava sobrevivendo à base de plantas comestíveis que identificava usando o livro. Parecia muito orgulhoso disso. Disse que andava vagabundeando pelo país, vivendo uma grande aventura das antigas. Contou-nos sobre o abandono do carro, a queima do dinheiro. Eu perguntei: ‘Por que você fez isso?’. Disse que não precisava de dinheiro. Tenho um filho mais ou menos da mesma idade de Alex e não nos vemos há alguns anos. Então eu disse para Bob: ‘Cara, temos que levar este garoto conosco. Você precisa ensinar a ele algumas coisas’. Alex pegou carona conosco até Orick Beach, onde estávamos ficando, e acampou conosco durante uma semana. Era um garoto realmente bom. Sentimos grande afeição por ele. Quando partiu, nunca esperamos ter notícias dele de novo, mas ele fez questão de manter contato. Nos dois anos seguintes, Alex nos mandou um cartão-postal a cada um ou dois meses.”

Muitas pessoas passaram pela vida do jovem caroneiro americano durante essa trajetória e de acordo aos relatos posteriores, todos tiveram suas vidas transformadas pela rápida passagem do misterioso Alex.

Dois anos após a longa viagem rumo à natureza selvagem, Chris chega ao Alasca na total solidão para entender o que de fato é a verdadeira felicidade. Apesar da pouca idade, o aventureiro era uma pessoa muito corajosa e inteligente, era leitor voraz de autores como Jack London, Thoreau, Tolstoi e outros que o inspiravam com suas narrativas.

Ele era um jovem veemente demais e possuía traços de idealismo obstinado que não combinavam facilmente com a existência moderna. Cativado havia muito tempo pela leitura de Tolstoi, admirava em particular como o grande romancista tinha abandonado uma vida de riqueza e privilégios para vagar entre os miseráveis.

Chris McCandless não buscava uma vida comum, com sucesso profissional e pessoal, seu objetivo era descobrir o real sentido da existência humana vida, da felicidade e da liberdade. E é através dessa mudança, vivendo intensamente, fazendo coisas diferentes e seguindo seus verdadeiros instintos, que ele passa a enxergar a vida de outro modo.

McCandless vagou pelo oeste nos dois meses seguintes, encantado com a escala e o poder da paisagem, excitado com pequenas escaramuças com a lei, saboreando a companhia intermitente de outros vagabundos que encontrou no caminho. Deixando-se levar pelas circunstâncias, foi de carona ao lago Tahoe, subiu a sierra Nevada e passou uma semana caminhando para o norte na trilha do Espinhaço do Pacífico, depois deixou as montanhas e voltou ao asfalto.

Por fim, após alguns meses enfrentando o rigoroso inverso e alimentando-se da caça e de plantas silvestres, o corpo de Christopher McCandless foi encontrado, em 1992, em estado de decomposição por um grupo de caçadores de alce.

Quando o encontraram, seu corpo estava junto de um diário e dois bilhetes. O diário indicava que o homem havia ficado preso no acampamento por mais de três meses. Através das anotações ele conta como tentou salvar-se caçando e comendo plantas silvestres, enquanto ficava cada vez mais fraco.

Um dos bilhetes se tratava de um pedido de ajuda, dirigido a quem quer que pudesse passar pelo acampamento enquanto ele procurava alimento na área circundante. Já o segundo bilhete era um adeus ao mundo.

S.O.S. PRECISO DE SUA AJUDA. ESTOU FERIDO, QUASE MORTO E FRACO DEMAIS PARA SAIR DAQUI. ESTOU SOZINHO, ISTO NÃO É PIADA. EM NOME DE DEUS, POR FAVOR FIQUE PARA ME SALVAR. ESTOU CATANDO FRUTAS POR PERTO E DEVO VOLTAR ESTA TARDE. OBRIGADO. CHRIS MCCANDLESS. AGOSTO

Primeiro bilhete de Chris, escrito em letra de forma numa página arrancada de um romance de Nicolai Gogol e grudado na porta do ônibus que estava vivendo.

Análise do livro “Na Natureza Selvagem”

Christopher McCandless chegou ao fim de sua vida ainda jovem e não teve tempo de contar sua história – hoje mundialmente conhecida. A obra “Na Natureza Selvagem” que conta a caminhada de Chris, foi produzida pelo jornalista Jon Krakauer.

Na época em que o corpo do americano foi encontrado, o editor da revista na qual trabalhava lhe pediu uma reportagem sobre as circunstâncias enigmáticas da morte do rapaz. Apesar de ter entregue um artigo de 9 mil palavras, publicado janeiro de 1993, o jornalista não conseguiu controlar seu fascínio por trás daquele fato.

Assim, Krakauer decidiu refazer toda a trajetória do homem identificado como Christopher Johnson McCandless, investigando a fundo, obsessivamente, toda a sua jornada desde a Virgínia até o Alasca.

O jornalista passou meses buscando e conversando com pessoas que encontraram com Chris no decorrer de sua jornada, recolhendo memórias e percepções, tanto sobre sua personalidade como em relação ao seu propósito. O resultado dessa investigação cheia de meandros é o livro “Na Natureza Selvagem”, publicado pela primeira vez no ano de 1996.

Adaptação

A obra escrita por Jon Krakauer despertou o fascínio e interesse em Sean Penn, ator, produtor, diretor de cinema e roteirista norte-americano. No entanto, só após dez anos de esforço, Penn conseguiu os direitos para realizar a adaptação de “Na Natureza Selvagem”.

O filme baseado nas viagens de Christopher McCandless foi lançado em 2007. O ator Emile Hirsch atuou como protagonista da obra que lhe rendeu a premiação de melhor ator no Mill Valley Film Festival.

O longa-metragem foi elogiado pela crítica, entrando na lista dos melhores filmes daquele ano. Além disso, foi vencedor do prêmio Gotham Awards como melhor filme.

Faça o download do PDF do livro “Na Natureza Selvagem”.

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BRITO, Samara. Na Natureza Selvagem; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/na-natureza-selvagem >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:29.

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