Nelson Mandela

Líder africano símbolo do combate às desigualdades sociais

Nelson Mandela foi o primeiro negro eleito presidente da África do Sul. Advogado e líder de movimentos contra a segregação dos negros no país, foi preso em 1964 e só saiu da prisão em 1990.

Mandela foi o principal líder político da África, se tornando símbolo mundial na luta contra o preconceito e as desigualdades raciais.

Biografia

Nascido em Mvezo, África do Sul, em 18 de julho de 1918, recebeu o nome de Rolihiahia Dalibhunga Mandela. Seus pais eram Nkosi Mphakanyiswa Gadla Mandela e Nosekeni Fanny. Ele nasceu em uma família de nobreza tribal, da etnia Xhosa, em uma pequena aldeia do interior, e era um dos treze filhos do casal.

Nelson Mandela
Nelson Mandela foi um dos principais líderes políticos do mundo. (Foto: Wikipédia)

Em 1925 Mandela passou a frequentar a escola primária da vila de Qunu. Foi lá que ele recebeu da sua professora o nome de “Nelson”. Era costume dar nomes ingleses para as crianças que frequentavam a escola. O seu foi em homenagem ao Almirante Horatio Nelson.

Quando completou nove anos, Nelson Mandela, por conta da morte do seu pai, foi viver na vila real de Mqhekezweni, onde ficou sob os cuidados do povo Tambu. Passou a estudar então na escola preparatória exclusiva para negros, a Clarkebury Boarding Institute, e logo depois ingressou no Colégio Healdtown, onde foi interno.

Em 1939 Nelson Mandela entrou para a faculdade de Direito. A Universidade de Fort Hare, onde ele estudava, foi a primeira universidade a oferecer cursos para negros na África do Sul. Na faculdade, se envolveu em diversos protestos sobre a falta de democracia racial, participou do movimento estudantil e foi obrigado a abandonar o curso.

Mandela foi então para Joanesburgo, onde trabalhou como vigia de uma mina. Posteriormente, atuou como assistente no escritório de advogados judeus. Em 1943 ele conclui o curso de Bacharelado em Artes, feito por correspondência pela Universidade da África do Sul. Mais tarde ele também se graduou em direito na Universidade de Witwatersrand.

Fundou o primeiro escritório de advocacia só com advogados negros do país, junto com o seu colega Oliver Tambo. A partir dos trabalhos como advogado, passou a perceber como a justiça sempre pendia para o lado branco da história e se conscientizar do abismo que separava negros e brancos dentro do seu país.

Nelson Mandela e o Apartheid

Os colonizadores europeus deixaram heranças na cultura africana. Uma delas foi o racismo instaurado na África do Sul, que defendia a superioridade dos brancos e apoiava o regime segregacionista que se instalou no país, o Apartheid.

Durante anos foi proibido no país o casamento entre brancos e negros, e eles viviam em locais separados. As escolas e hospitais, por exemplo, eram diferentes de acordo com a raça, que era obrigatória no registro da certidão de nascimento. Os negros não tinham direitos políticos e foram vítimas de diversas mortes e massacres.

O fim do Apartheid foi defendido por homens e mulheres africanos durante anos. Nelson Mandela foi um dos mais notáveis defensores, líder do movimento negro na África do Sul e um dos fundadores da Liga Jovem do Congresso Nacional Africano (CNA), principal representante da política para os negros.

Em 1954 foi criado o Congresso do Povo, com o objetivo de unir todos os negros que sofriam com o racismo instaurado no país.

Entenda um pouco mais sobre o Apartheid no vídeo a seguir:

Prisão

Muitos negros foram perseguidos, torturados, presos e assassinados na África do Sul. Nelson Mandela foi um deles. Em 1964 foi condenado à prisão perpétua. O seu discurso durante o julgamento durou 3 horas e ganhou repercussão mundial. Veja um trecho do discurso:

Eu lutei contra a dominação branca e lutei contra a dominação negra. Eu apreciei o ideal de uma sociedade democrática e livre na qual todas as pessoas viverão juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal que espero viver e ver realizado. Mas se for necessário, é um ideal para o qual estou preparado para morrer.

Mandela ficou na prisão na Ilha Robben durante 18 anos, em uma cela isolada dos prisioneiros não-políticos. Os presos trabalhavam em uma pedreira, e o brilho das pedras acabou deixando a visão dele prejudicada. Ele podia receber uma visita e uma carta a cada seis meses. Na prisão, Mandela criou a “Universidade de Robben Island”, onde os prisioneiros davam palestras e ensinavam sobre os seus ofícios.

Em 1975 o número de cartas e visitas aumentaram, o que possibilitou a Mandela a comunicação com os ativistas anti-apartheid. Nesse mesmo ano, ele começou a escrever sua autobiografia. Após ser lida por alguns guardas, foi tirado dele o benefício de fazer cursos por correspondência durante os quatro anos seguintes.

Em 1988 Mandela foi transferido para a prisão de segurança máxima Pollsmoor, na Cidade do Cabo. Em 1985 ele foi submetido a uma cirurgia na próstata e teve que ficar novamente na cela solitária. Em 1988, quando completou 70 anos, Nelson Mandela foi homenageado em todo o mundo. Em Londres, na Inglaterra, um show no estádio de Wembley foi transmitido na TV e visto por mais de 200 milhões de pessoas.

Ainda em 1988, se recuperando de uma tuberculose, Mandela foi transmitido para a prisão de Victor Verster. Em 1990 foi declarada a libertação incondicional de Mandela, que pela primeira vez em vinte anos pôde ter as suas fotografias divulgadas em seu país. A soltura de Mandela foi transmitida ao vivo pelas televisões do mundo inteiro.

No seu primeiro discurso em liberdade, ele defendeu a paz e afirmou que a partir de então o seu foco principal era dar ao povo negro o direito ao voto nas eleições nacionais.

Em 1993, Nelson Mandela e o presidente sul-africano entraram em acordo e assinaram a nova Constituição, que deu fim a mais 300 anos da dominação branca, e deixou os cidadãos livres para escolher os seus governantes, através de uma democracia multirracial. Por conta disso, tanto Mandela como Frederik Willem De Klerk receberam o Prêmio Nobel da Paz.

Mandela Presidente

Em abril de 1994 a África do Sul conseguiu realizar a eleição multirracial e Nelson Mandela foi eleito presidente. O seu governo tinha maioria no Congresso e conseguiu acabar com o longo período de opressão vivido pelo povo negro, aprovando novas e importantes leis.

Mandela
Mandela foi presidente da África do Sul entre os anos de 1994 e 1999. (Foto: Flickr)

Um destaque do seu governo foi a criação da Comissão de Verdade e Reconciliação, que apurava os acontecimentos durante o apartheid. Também foi criado um novo hino nacional e uma nova bandeira para o país.

Mandela governou o país até 1999, elegendo um sucessor para ocupar o seu cargo.

Família e morte

Nelson Mandela foi casado três vezes. Em 1944 casou-se com a enfermeira Evelyn Mase e teve com ela quatro filhos. O casamento durou até 1958,  mesmo ano em que casou-se novamente. A nova esposa foi Winnie Madikizela, com quem teve duas filhas. O casal se separou em 1995. Em 1998 casou-se pela terceira e última vez, com Graça Machel, com quem criou uma fundação em defesa dos direitos humanos.

Em 2001 ele descobriu um câncer de próstata e deu início ao tratamento. Mesmo “aposentado”, Mandela continuou participando ativamente das decisões do governo sul-africano até 2011, quando teve uma infecção respiratória e precisou se internar.

Em fevereiro de 2012 ele foi internado novamente, dessa vez com muitas dores no abdome. No dia 8 de junho de 2013 voltou ao hospital por conta de uma infecção pulmonar. Após inúmeras internações, no dia 5 de dezembro de 2013, em Joanesburgo, Mandela faleceu.

O seu sepultamento foi em Qunu, no dia 15 de dezembro. Líderes de todo o mundo foram à África para prestar as últimas homenagens, como o presidente americano da época – Barack Obama, a presidente do Brasil da época – Dilma Rousseff, além dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, Fernando Collor e José Sarney. Celebridades como Bono Vox, Oprah Winfrey e Bill Gates também compareceram.

Curiosidades

Nelson Mandela tinha seis nomes diferentes. Veja o que significa cada um deles, e o momento em que foram atribuídos ao líder:

  • Rolihlahla

Esse nome foi dado pelo seu pai logo após o nascimento. Segundo a etnia Xhosa, quer dizer “que traz problemas”.

  • Nelson

Recebeu esse nome na escola primária, que tinha o costume de dar nomes ingleses para as crianças que a frequentavam.

  • Madiba

É o nome de um chefe da etnia Thembu, do século XIX. Ele era conhecido assim como sinal de carinho e respeito da população.

  • Tata

Em Xhosa significa “pai”.

  • Khulu

Também da etnia Xhosa, significa “avô”, e “grande supremo”.

  • Dalibhunga

É o nome que ele recebeu aos 16 anos, quando foi iniciado na vida adulta em uma cerimônia tradicional do povo Xhosa.

Citações

A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.

Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar.

Sonho com o dia em que todos levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Pina, Cíntia. Nelson Mandela; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/nelson-mandela >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 16:13.

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