Nilo Peçanha

Sétimo presidente da República. O primeiro e único afrodescendente a assumir a presidência do Brasil

Nilo Procópio Peçanha nasceu no dia 2 de outubro de 1867, na cidade de Campos de Goytacazes.

Filho de Joaquina Anália de Sá Freire, moça descendente de uma família que detinha relativa influência na política norte fluminense, e do padeiro Sebastião de Sousa Peçanha, viviam humildemente em um sítio no atual distrito de Morro do Coco.

Presidente Nilo Peçanha
Presidente Nilo Peçanha (1867-1924) (Foto: Wikipédia)

Iniciou os estudos no Rio de Janeiro. Posteriormente, ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo, depois transferiu-se para a Faculdade do Recife, onde se formou bacharel em direito no ano de 1887.

Em 1888, Nilo Peçanha retornou a sua cidade natal. Fundou e presidiu o Clube Republicano de Campos e o Partido Republicano Fluminense (PRF).

Nesse período também atuou na advocacia e no jornalismo, participando e defendendo campanhas abolicionistas e republicanas.

Iniciou sua carreira na política com a mudança na forma de governo, da Monarquia para o Brasil República. Nilo Peçanha foi deputado da Assembleia Nacional Constituinte (1890-1891), pelo Partido Republicano.

Em 1895, Nilo Peçanha casou-se com Ana de Castro Belisário Soares de Sousa, descendente de famílias aristocráticas e ricas de Campos dos Goytacazes. O casamento causou agitação já que a noive fugiu de casa para se casar com um pobre mulato.

Sucessivamente, Nilo Peçanha foi eleito deputado federal e senador. Renunciou o mandato do último cargo para assumir a presidência do estado do Rio de Janeiro, no qual permaneceu de 1903 a 1906.

Em fevereiro de 1906, assinou o Convênio de Taubaté, um plano estabelecido entre os governos do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo para proteger a produção brasileira do café que passa por um momento de crise.

No mesmo ano foi eleito foi eleito vice-presidente da república no governo de Affonso Penna.

Governo de Nilo Peçanha

No dia 14 de junho de 1909, com a morte de Affonso Penna, Nilo Peçanha assumiu a presidência do Brasil.

Permaneceu na presidência durante dezessete meses, nesse período enfrentou um período de agitação política causado pelos conflitos entre as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais decorrentes da campanha civilista.

Nilo Peçanha realizou intervenções em alguns estados com o intuito de garantir a posse dos presidentes aliados ao governo federal.

Durante seu governo, algumas realizações se destacaram. Ele inaugurou o ensino técnico-profissional no Brasil, criou o Ministério da Agricultura, Comércio e Indústria.

Também foi responsável pela criação do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), antecessor da Funai, que possibilitou mais contato com os índios.

Outra medida importante foi o saneamento da baixada fluminense e a assinatura da primeira Legislação Nacional de Trânsito do país.

Ao fim do seu mandato presidencial, Nilo Peçanha retornou ao Senado. Entre 1914 a 1917, elegeu-se novamente para presidente do Rio de Janeiro.

Renunciou o cargo em para assumir como ministro das Relações Exteriores no governo de Delfim Moreira. Em 1918 foi eleito novamente para o Senado Federal.

Em 1921 candidatou-se à presidência da República pelo Reação Republicana, que objetivava contrapor o liberalismo político à política das oligarquias estaduais, entretanto Nilo Peçanha foi derrotado pelo mineiro Arthur Bernardes.

Ele faleceu no Rio de Janeiro, em 31 de março de 1924, aos 56 anos. Foi sepultado no Cemitério de São João Batista.

Racismo contra Nilo Peçanha

Nilo Peçanha foi o primeiro e único afrodescendente a assumir a presidência do país. Durante a juventude, a elite de Campos de Goytacazes o chamava de “mestiço de Morro do Coco".

Era frequentemente ridicularizado pela impressa ao se referirem à cor da sua pele. Pesquisadores afirmam que as fotografias presidenciais eram retocadas para branquear sua pele escura.

Alguns pesquisadores ainda possuem dúvidas se Nilo Peçanha era ou não mulato, já que na biografia oficial, escrita por um parente, nada diz a respeito das suas origens raciais.

Curiosidade

  • O município fluminense Nilópolis, fundado em 1947, na região metropolitana do Rio de Janeiro, foi nomeado em homenagem ao presidente Nilo Peçanha.
  • O Palácio Nilo Peçanha leva o nome do presidente, que adquiriu a casa do Visconde de Sande, em 1904, na ocasião em que a capital do Estado foi transferida de Petrópolis para Niterói. Nele existe a coleção Nilo Peçanha que é composta por pertences dos governadores que lá viveram e governaram nos 70 anos em que o Palácio foi sede do Estado.

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BRITO, Samara. Nilo Peçanha; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/nilo-pecanha >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:41.

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