O Alienista

Os estudos do alienista Bacamarte sobre a patologia cerebral e suas descobertas

A obra “O Alienista” do escritor brasileiro Machado de Assis é um conto, também considerado uma novela, humorístico publicado em 1882 que pertence ao movimento do Realismo no Brasil.

Resumo por capítulo

Dividido em 13 capítulos, o livro “O Alienista” narra a história de um famoso médico que vive na vila de Itaguaí e abre uma casa de psiquiatria para estudar e tratar as pessoas com problemas mentais, analisando e diagnosticando cada um dos pacientes que ele decidiu internar em seu manicômio.

Capítulo I: como Itaguaí ganhou uma Casa de Orates

O primeiro capítulo da obra fala sobre o protagonista Dr. Simão Bacamarte, ou o alienista, o maior dos médicos do Brasil, de Portugal e da Espanha. Formado em Coimbra, retornou para o Brasil para dedicar-se ainda mais aos estudos da ciência.

Aos quarenta anos se casou com D. Evarista da Costa e Mascarenhas, uma viúva de vinte e cinco anos escolhida por Dr. Simão por ser uma boa provedora. Ela então lhe daria filhos robustos, sãos e inteligentes.

D. Evarista mentiu às esperanças do Dr. Bacamarte, não lhe deu filhos robustos nem mofinos. A índole natural da ciência é a longanimidade; o nosso médico esperou três anos, depois quatro, depois cinco. Ao cabo desse tempo fez um estudo profundo da matéria, releu todos os escritores árabes e outros, que trouxera para Itaguaí, enviou consultas às universidades italianas e alemãs, e acabou por aconselhar à mulher um regímen alimentício especial. A ilustre dama, nutrida exclusivamente com a bela carne de porco de Itaguaí, não atendeu às admoestações do esposo; e à sua resistência, —explicável, mas inqualificável, — devemos a total extinção da dinastia dos Bacamartes.

E devido ao desprazer da paternidade, Dr. Simão Bacamarte resolveu se dedicar inteiramente aos estudos dos casos específicos de loucura. Assim, foi até a Câmara e defendeu com eloquência sua proposta de criar uma “Casa de Orates” na região.    

“Casa de Orates” é um terno utilizado para caracterizar uma habitação composta de gente com desequilíbrio mental. Simão conquistou o construção da casa e ainda um subsídio para o tratamento, alojamento e mantimento dos doidos pobres.

Nomeou o asilo de “Casa verde”, por alusão à cor das janelas. Gente de todo canto foi até a vila prestigiar a cerimônia da abertura, que durou sete dias.

Capítulo II: torrentes de loucos

Após a abertura da Casa verde, o alienista revela ao boticário Crispim Soares que seu objetivo é expandir os estudos sobre as loucuras e seus diversos graus, classificar os casos, e por fim descobrir a causa do fenômeno e a cura.

Surge, fluidamente, os primeiros pacientes da Casa Verde proveniente das vilas e arraiais vizinhos. A partir desse momento são apresentados alguns paciente através dos casos e sintomas.

Os loucos por amor eram três ou quatro, mas só dois espantavam pelo curioso do delírio. O primeiro, um Falcão, rapaz de vinte e cinco anos, supunha-se estrela-d’alva, abria os braços e alargava as pernas, para dar-lhes certa feição de raios, e ficava assim horas esquecidas a perguntar se o sol já tinha saído para ele recolher-se.

Capítulo III: Deus sabe o que faz

Simão passava horas no trabalho.  Mal dormia e comia. Quando jantava em casa, trocava poucas palavras com a esposa. D. Evarista passou a se sentir triste e sozinha devido à ausência do marido.

Simão Bacamarte então mostra-lhe os livros de financias do manicômio e banca uma viagem para a esposa e mais um grupo de vizinhos para o Rio de Janeiro como forma de consolo.

Capítulo IV: uma teoria nova

Aproveitando a distância da esposa, o alienista dedicava todo seu tempo a Casa Verde e a andar na rua conversando com o povo sobre trinta mil assuntos, sob um olhar que despertava medo.

Certo dia chamou o boticário para informá-lo que através da sua experiência científica definiu o limite entre a loucura e a sanidade, e sobre como chegou a essa conclusão.

Através da história, o alienista acreditava que a origem dos casos de loucura vinham da mistura de entidades odiosas e entidades ridículas.

Capítulo V: o terror

Dr. Simão Bacamarte colocou muita gente no manicômio, mas a internação de Costa causou consternação na população. Costa era um estimado cidadão de Itaguaí e herdara muitos cruzados de El-rei Dom João V. Costa . Foi considerado louco por realizar altos empréstimos em dinheiro a qualquer pessoa sem cobrar juros.

Muita gente correu à Casa Verde, e achou o pobre Costa, tranquilo, um pouco espantado, falando com muita clareza, e perguntando por que motivo o tinham levado para ali. Alguns foram ter com o alienista. Bacamarte aprovava esses sentimentos de estima e compaixão, mas acrescentava que a ciência era a ciência, e que ele não podia deixar na rua um mentecapto.

Muitas pessoas foram recolhidas para a Casa verde. O alienista dizia que apenas eram admitidos os casos patológicos, mas pouca gente lhe dava crédito. A grande quantidade de pessoas internadas no manicômio de Bacamarte gerou certo incomodo na população.

Capítulo VI: a rebelião

O barbeiro Porfírio reuniu um grupo de trinta pessoas que levaram até a Câmara uma representação que pedia a prisão de Simão Bacamarte e o fechamento da Casa Verde.

Contudo,  a Câmara não aceitou o pedido sob a declaração de que a Casa Verde era uma instituição pública, e que a ciência não podia ser emendada por votação administrativa, menos ainda por movimentos de rua.

Isso gerou uma indignação na população culminando em uma rebelião. O grupo denominado “Os Canjicas” foram confrontar o alienista em sua residência com gritos de ameaçadores. Depois seguiram para Casa Verde para derrubá-la, contudo se depararam com um grupo de policiais, chamados de “Os dragões”.

Capítulo VII: o inesperado

Diante do confronto, a polícia abre fogo contra o grupo de revoltosos. A derrota dos “Canjicas” estava iminente quando um terço dos dragões passou subitamente para o lado da rebelião.

Depois de vencer a batalha graças aos “Dragões”, os revoltosos seguem para a Câmara para tomar o poder. Neste momento, os amigos determinam que Porfírio assumisse o governo da vila.

Capítulo VIII: as angústias do boticário

Quando Porfírio ruma com destino a casa de Simão Bacamarte, o boticário Crispim acredita que se o médico for preso, ele pode ser acusado de cúmplice. Então decide ir até a Câmara e se declara a favor da revolta, evitando sua prisão.

Capítulo IX: dois lindos casos

O barbeiro chega à casa do alienista e informa que não foi até lá para prendê-lo, nem para cometer nenhum ato de vandalismo, mas estava ali para se tornarem aliados e ganharem a confiança da população.

Surpreso, o médico considera que o barbeiro tinha dois casos de doença mental: os sintomas de duplicidade e descaramento.

Capítulo X: restauração

A parceria entre o novo governo e o médico rendeu uma nova leva de novos pacientes. Em cinco dias, o alienista colocou cerca de cinquenta aclamadores do novo governo na Casa Verde.

O povo ficou revoltado, contudo não sabiam se iam reagir. João Pina, um outro barbeiro, gritava nas ruas que Porfírio estava “vendido ao ouro de Simão Bacamarte”. 

João Pina então derruba  o governo e assume a administração da vila. Com isso, o vice-rei mandou uma força para restabelecer a ordem. E durante esta crise em Itaguaí também é possível notar a influência do alienista, que teve vários dos seus desejos atendidos pelo governo. Dr. Simão Bacamarte conseguiu internar em seu consultório o secretário da Câmara, além da própria esposa.

Capítulo XI: o assombro de Itaguaí

Bacamarte envia para a Câmara um ofício comunicando a soltura de todos os internos da casa verde. O motivo era sua nova teoria de loucura que invertia os critérios de sanidade.

Capítulo XII: o final do § 4º

No artigo 4° ofício enviado a Câmara, o alienista informava que colocaria as pessoas em perfeito juízo no manicômio para estudar os novos casos. Ou seja, as pessoas consideras normais eram as que realmente precisavam de tratamentos psicológicos.

O barbeiro foi recolhido a Casa Verde e, no fim do prazo, a Câmara autorizou que Simão realizasse ensaio dos meios terapêuticos por seis meses.

Capítulo XIII: plus ultra!

A reviravolta da história acontece após Simão curar todas as pessoas e ao perceber que não havia mais pacientes  vai em busca de uma nova verdade. Essa nova verdade conclui que não havia louco em Itaguaí e, por não haver loucos, ninguém estava doente.

Chegado a esta conclusão, o ilustre alienista teve duas sensações contrárias, uma de gozo, outra de abatimento. A de gozo foi por ver que, ao cabo de longas e pacientes investigações, constantes trabalhos, luta ingente com o povo, podia afirmar esta verdade: — não havia loucos em Itaguaí. Itaguaí não possuía um só mentecapto

Por fim, ao achar em si as características do perfeito equilíbrio mental e moral, Simão estuda-se e não encontra nada que justifique os excessos da sua bondade. Assim, acredita que ele era louco por ter a perfeita sanidade e não ter defeitos.

Simão Bacamarte então entrega-se ao estudo e à cura de si mesmo. Se tranca na Casa Verde em busca da própria cura, que não acontece, e ele morre ali mesmo.   

Análise do livro “O Alienista”

Livro O Alienista
Livro “O Alienista” de Machado de Assis. (Foto: Site Saraiva)

Publicado em 1882, a obra literária “O Alienista” do escritor Machado de Assis é considerado ora um conto, ora uma novela, devido a sua estrutura narrativa.

Narrada em terceira pessoa e repleta de humor, o livro traz a história de um renomado médico obcecado pelo estudo da mente. Naquela época o profissional da área não era chamado de psiquiatra, e sim de alienista. 

A análise psicológica dos personagens e a crítica social presente na obra revelam a fase realista de Machado de Assis. Em “O Alienista” o autor explora sua visão sobre a loucura e a sanidade, os comportamentos, interesses e relações sociais.

Principais personagens

  • Dr. Simão Bacamarte: o alienista, médico psiquiatra renomado;
  • D. Evarista da Costa e Mascarenhas: esposa de Simão, moça nem bonita e nem simpática;
  • Crispim Soares, o boticário: amigo e admirador das pesquisas do alienista
  • Porfírio: barbeiro da cidade, tinha ambição pelo poder.

Adaptações

A obra de Machado de Assis foi adaptada para diversos meios.

  • Em 1970, serviu de inspiração para o filme “Azyllo Muito Louco” de Nelson Pereira dos Santos, que fez parte da seleção brasileira do Festival de Cannes.
  • Foi adaptada em minissérie da Rede Globo nomeada “O Alienista e as Aventuras de um Barnabé” (1993).
  • O teatro O Bando adaptou o conto no espetáculo “Casa verde” (2014).

Além disso, a obra foi transformada em histórias em quadrinhos (HQ) e também foi a inspiração para a música de mesmo título interpretada pela banda brasileira Detonautas.

Faça o download do PDF do livro “O Alienista”.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

BRITO, Samara. O Alienista; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/o-alienista >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 16:30.

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