O Menino do Pijama Listrado

O nazismo pelos olhos de uma criança alemã

A obra “O Menino do Pijama Listrado” apresenta uma amizade improvável entre dois garotos em tempos de guerra. Conectados por um fato em comum, pois ambos nasceram no mesmo dia, suas vidas são completamente distintas e separadas por um elemento, a cerca.

A curiosidade, inocência e confiança são os principais elementos dessa história, que transcorre durante um dos períodos mais tristes que a humanidade já viveu.

Resumo

A narrativa se dá através da visão de Bruno, um garoto alemão de nove anos. Sem saber o que realmente acontecia na Alemanha de Adolf Hitler, o garoto dá início a história no momento em que recebe a notícia de que toda sua família se mudaria imediatamente.

Ao questionar o motivo da mudança, sua mãe justificou que era por causa do trabalho do seu pai. Mas, apesar da casa estar sempre cheia de visitantes – homens em uniformes e mulheres com máquinas de escrever, Bruno não sabia de qual tipo de trabalho se tratava.

Na escola todos conversaram um dia sobre seus pais, e Karl dissera que seu pai era quitandeiro, o que Bruno sabia ser verdade, porque o homem cuidava da quitanda no centro da cidade. E Daniel dissera que seu pai era professor, o que Bruno sabia ser verdade, porque o homem ensinava aos meninos maiores, dos quais era sempre melhor manter distância. E Martin dissera que seu pai era chef de cozinha, o que Bruno sabia ser verdade, porque, nas vezes em que o homem vinha buscar Martin na escola, sempre vestia bata branca e avental xadrez, como se tivesse acabado de deixar a cozinha. Mas, quando perguntaram a Bruno o que seu pai fazia, ele abriu a boca para dizer-lhes e então percebeu que ele próprio não sabia. Só era capaz de dizer que seu pai era um homem para ser observado e que o Fúria tinha grandes planos para ele. Ah, e que ele também tinha um uniforme fantástico.

Bruno sentia-se triste por ser obrigado a se mudar mesmo contra vontade, abandonando seus amigos e a espaçosa casa em que vivia em Berlim, com um enorme corrimão em que conseguia escorregar pela casa toda, fazendo barulho de vento ao longo do caminho.

A casa nova

A casa nova era totalmente oposta à casa de Berlim, principalmente por ficar no meio de lugar nenhum – ao seu redor não havia outras ruas, nem vizinhos, nem lojas, nem bancas de frutas e legumes.

Diante daquela nova realidade, totalmente desagradável, o garoto alemão considerou que tudo aquilo era injusto e um grande engano pelo qual alguém haveria de pagar algum dia.

O novo amigo

Sua mãe era uma mulher comprometida com o bem-estar da família e fazia de tudo para mantê-los juntos. A insatisfação do garoto a angustiava, mas a mulher sempre explicava que estavam ali pois o trabalho do progenitor da família era algo muito importante.

Seu pai era um oficial nazista, mas não contou a ninguém que a mudança seria em virtude da nomeação para o cargo de comandante de um campo de concentração localizado a alguns metros da atual residência. 

Bruno não possuía amigos naquele lugar e sentia falta de brincar com outras crianças. Desde que chegou a nova casa, observou um campo distante, repleto de adultos e crianças vestidos com pijamas listrados.

 O menino achou as crianças estranhas, mas ainda desejava conhecê-las e fazer novas amizades. O único problema é que ele não podia explorar os fundos da casa que era rodeado por uma grande floresta.

Certo dia, Bruno consegue escapar da vista dos soldados nazistas e da sua mãe e sai correndo mata afora até chegar a uma cerca. Ao se aproximar vê um menino com o pijama listrado e, como sempre curioso, começa a fazer perguntas sobre a vida na “fazenda”.

Ali, separados por uma cerca elétrica, tem início a sincera amizade entre Bruno, o alemão, e Shmuel, o judeu. Todos os dias que ia ao encontro de seu amigo, o garoto alemão não entendia porquê ele precisava ficar preso naquele lugar, sem sair para brincarem juntos.  

Quando Bruno se aproximou do menino pela primeira vez, ele estava sentado no chão de pernas cruzadas, olhando para a poeira debaixo de si. Entretanto, após um momento, ele olhou para cima e Bruno pôde ver o seu rosto. Era um rosto bastante estranho. A pele era quase cinza, mas diferente de outras tonalidades de cinza que Bruno já havia visto. Os olhos eram bem grandes, da cor de balas de caramelo; os brancos eram muito brancos, e, quando o menino olhou para Bruno, tudo o que este viu foi um par de enormes olhos tristes a encará-lo.  Bruno teve certeza de jamais ter visto um menino tão triste e tão magro em toda a sua vida, mas decidiu que seria melhor conversar com ele.

Tinha curiosidade sobre como funcionava a brincadeira dos números colado nos pijamas. Bruno acreditava que seu pai estava trabalhando para tornar o país melhor e logo ele e Shmuel poderiam viver muitas aventuras juntos.

A vida no campo

Livro O Menino do Pijama Listrado
Livro “O Menino do Pijama Listrado” (2006) de John Boyne. (Foto: Saraiva)

Bruno não entendia o que acontecia naquela “fazenda” e começa a questionar seus pais a respeito daquelas pessoas que usavam sempre as mesmas roupas. Certo dia, ouviu do seu orientador que se um dia ele encontrasse um judeu bom, ele seria o melhor explorador do mundo, logo o garoto pensou em Shmuel, o amigo que ele tanto gostava.

Bruno então se esconde e assiste a um filme manipulado pelo governo alemão que demonstra a suposta qualidade de vida dos judeus dentro dos campos de concentração, como um lugar familiar, repleto de atividades, lazer, comodidade e fartura.  O menino então acredita que essa era vida dos judeus e, naquele momento, sentiu orgulho do trabalho feito por seu pai.

O fim

Certo dia, Shmuel foi enviado para limpar as taças da família de Bruno. Ao ver o amigo judeu na sua cozinha, o garoto ficou muito feliz e lhe ofereceu lanche. Nesse exato momento, foram pegos por um soldado de seu pai.

Ao ser questionado sobre aquela amizade, Bruno negou conhecer Shmuel e ter lhe dado comida. O menino judeu foi punido, o que causou muito arrependimento no alemão. Após muitos dias indo até a cerca, Bruno reencontrou Shmuel que o perdoou e contou sobre o desaparecimento do pai dentro do campo.

Sentindo-se em dívida com o que havia feito ao judeu, Bruno se ofereceu para ajudar o amigo nas buscas pelo pai. O dia seguinte estava marcado como a data em que ele, a mãe e a irmã deixariam aquela casa e iriam para outra cidade até a guerra chegar ao fim e seu pai ser liberado para retornar a Berlim.

Naquela manhã Bruno foi cumprir sua promessa antes de se separar do novo amigo. Levou uma pá, cavou um buraco e passou por debaixo da cerca elétrica. Vestiu um pijama listrado como todos os habitantes do campo e correu a procura do pai do judeu.

Nesse momento descobre que o lugar não era nem um pouco parecido com as imagens que tinha visto. Capturado, foi levado junto com Shmuel para o extermínio. 

Fiéis e inocentes, os garotos não faziam ideia do que estavam fazendo dentro de uma câmara de gás com dezenas de outros homens. Bruno sentiu medo e Shmuel segurou sua mão, marcando o fim da vida e história dos dois garotos.

Bruno ergueu uma sobrancelha, incapaz de compreender o sentido daquilo tudo, mas presumiu que tivesse algo a ver com a necessidade de manter a chuva longe e impedir que as pessoas ficassem resfriadas. E então o cômodo ficou escuro e de alguma maneira, apesar do caos que se seguiu, Bruno percebeu que ainda estava segurando a mão de Shmuel entre as suas e nada no mundo o teria convencido a soltá-la.

Análise do livro “O Menino do Pijama Listrado”

“O Menino do Pijama Listrado” é um livro do escritor irlandês John Boyne. Publicado em janeiro de 2006, a obra apresenta uma narrativa simples e curta dentro de um dos períodos mais tristes e lembrados da história mundial. 

A narrativa, ambientada na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, mistura ficção e realidade acerca do Holocausto promovido por Adolf Hitler. Ao utilizar um personagem infantil, Boyne explora a inocência de uma criança diante de um período de crueldade e injustiça.

Naquele momento, quando a Alemanha enfrentava um sangrento confronto, Bruno não tinha noção do que acontecia e para ele toda aquela mudança não era justa pelo fato de ter que deixar Berlim, sua casa, a escola e os amigos.

Ao promover uma amizade pura entre dois “inimigos’, o autor levanta o questionamento de qual era o real motivo daquela guerra. Não existiam diferenças entre um garoto judeu e um alemão e o sentimento genuíno dessa cumplicidade colocou fim a vida dos dois (na realidade, resultou na morte de milhares de inocentes).

Uma curiosidade entorno da obra “O Menino do Pijama Listrado” é que a primeira versão da história foi escrita em apenas dois dias e meio. Em 2008, o romance foi adaptado para o cinema.

Principais personagens

  • Bruno: protagonista e narrador da história. Garoto alemão, filho de um soldado nazista e amigo de Shmuel;
  • Shmuel: garoto judeu que vive no campo de concentração e torna-se amigo de Bruno;
  • Pavel: médico judeu que trabalha na nova casa da família de Bruno;
  • Gretel: irmã mais velha de Bruno;
  • Tenente Kotler: jovem de boa aparência que faz parte do exército nazista;
  • Maria: a governanta da família.

Faça o download do PDF do livro “O Menino do Pijama Listrado”.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

, . O Menino do Pijama Listrado; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/o-menino-do-pijama-listrado >. Acesso em 28 de setembro de 2020 às 10:33.

Copiar referência