O Príncipe

O manual de Maquiavel para um governo eficiente e duradouro

O Príncipe” é um clássico de Nicolau Maquiavel, publicado em 1932. Como uma espécie de guia baseado em suas experiências do passado, o autor apresenta ao príncipe Lorenzo de Médici todas as orientações pessoais e profissionais que ele precisa seguir para governar a cidade de Florença e manter seu principado por um tempo significativo.

Resumo

“O Príncipe” é direcionado e dedicado “ao magnífico Lorenzo de Médici”, o novo regente  de Florença,  a quem Maquiavel tinha o objetivo de ganhar a confiança para ocupar um cargo e auxiliar na condução da atual administração.

O Príncipe
Livro “O Príncipe” de Nicolau Maquiavel. (Foto: Site Saraiva)

Em vista da situação política italiana no período em que vivia, e com base nas reflexões sobre o passado político, o autor reúne  conselhos e sugestões para o príncipe sobre como deve conduzir os negócios públicos e, principalmente, conquistar e manter um principado.

Dividido em 26 capítulos, a obra pode ser entendida apenas como uma defesa em relação a falta de ética na política. Contudo, Maquiavel declarava que o mais importante para um bom governante era garantir sua permanência no poder, mesmo que isso acarretasse em reputação odiosa.  

“O Príncipe” trata-se de um dos mais elaborados tratados políticos feitos pelo pensamento humano.  Descreve o sistema de governo de modo real, além de servir como modelo para a estrutura dos tempos modernos.

Contexto histórico

Em 1500, Florença era o epicentro do Humanismo e do Renascimento, servindo de base para a criação de novos conceitos de artes, filosofia e ciência, que foram fundamentais para a Europa sair da Idade Média e se fincar na Idade Moderna.

Para os padrões da época, Florença era considerada uma cidade livre por não ser submetida a monarquia. Contudo, a Família Médici, que possuía muita influência, dinheiro, autoridade na região e não tinha nenhuma representação republicana, queria concentrar o poder em si.

Anteriormente expulsos de Florença por serem antirrepublicanos, conseguiram eleger o Papa Giovanni de’ Medici, conhecido como Papa Leão X, como o líder da cidade.

O Papa era considerado muito importante, pois financiava artistas renascentistas. Porém, era muito polêmico devido ao seu histórico de corrupção. Ele foi o responsável por reintroduzir a família Médici em Florença.

Como a cidade era uma espécie de república, Nicolau era o defensor da “liberdade” e naquele momento, por causa da instabilidade política, Florença estava vivendo os “últimos dias” de república.

Mas quando as cidades ou as províncias estão acostumadas a viver sob um príncipe, extinta a dinastia, sendo de um lado afeitas a obedecer e de outro não tendo o príncipe antigo, dificilmente chegam a acordo para escolha de um outro príncipe, não sabem, enfim, viver em liberdade: dessa forma, são mais lerdas para tomar das armas e, com maior facilidade, pode um príncipe vencê-las e delas apoderar-se. Contudo, nas repúblicas há mais vida, mais ódio, mais desejo de vingança; não deixam nem podem deixar esmaecer a lembrança da antiga liberdade: assim, o caminho mais seguro é destruí-las ou habitá-las pessoalmente.

A invasão da cidade e deposição do governo, que ocorreu por volta de 1512, resultou em um derramamento de sangue. Maquiavel não escapou das consequências desse conflito sociopolítico.

Por ser um funcionário e grande defensor republicano, o autor foi preso, torturado e acabou exilado em um campo, afastando-se da vida pública.

Em 1513, o autor se "conformou" que Florença passaria a ser governada por um príncipe e então resolveu buscar um meio de se aliar ao novo líder para conseguir sua posição e liberdade política. É a partir desse interesse que surge a obra “O Príncipe”.

Análise da obra “O Príncipe”

Produzido em 1513, “O Príncipe” é um clássico literário mundial do escritor italiano Nicolau Maquiavel. Publicado em 1532, desde a primeira edição já era uma obra póstuma.

Redigido sob a circunstância da ruína de uma república, o autor refere-se a todos os reis, príncipes, duques e imperadores que fazem parte de um governo hereditário concentrado em único indivíduo.  

Na obra, Maquiavel visava apenas um leitor, Lorenzo di Piero de’ Médici, o governante da cidade de Florença na época em que “O Príncipe” foi feito. Em uma escrita interessante e sedutora, o principal objetivo era impressionar o novo príncipe.

Maquiavel queria mostrar que tinha muito a acrescentar em seu governo Médici e deveria ser contratado como um conselheiro, pois era conhecedor de lições eficientes. 

Para tal, explica detalhadamente tudo que um novo príncipe precisava ter e fazer para conquistar e se manter no poder. Do ponto de vista de Maquiavel, um príncipe precisava ter sorte e virtú, que significava habilidade e inteligência para governar.

Defendia que a desonestidade, a mentira e a crueldade também poderiam ser úteis, pois uma majestade que se mantem piedoso e fiel a palavra dada talvez cause desgraças ainda maiores. Na política tudo muda muito rápido.

Acreditava ser necessário efetuar atos enérgicos e exemplares para evitar que acontecimentos não planejados e que prejudicariam o governo acontecessem.

Acima de tudo, um príncipe deve viver com seus súditos de modo que nenhum acidente, bom ou mau, o faça variar: porque, surgindo pelos tempos adversos a necessidade, não estarás em tempo de fazer o mal, e o bem que tu fizeres não te será útil eis que, julgado forçado, não trará gratidão.

Para Maquiavel, um bom governante deve ter cinco grandes qualidades:

  • Piedade;
  • Fidelidade;
  • Humanidade;
  • Integridade;
  • Religiosidade.

“O Príncipe” é considerado um dos mais importante ensaios sobre política de todos os tempos. Pela primeira vez um filósofo esclarecia o cenário político como realmente era e não como deveria ser.

A obra permanece atual nos contextos sociais e políticos. É amplamente estudada em todos os campos acadêmicos das ciências humanas.

Capítulos do livro

  1. De quantas espécies são os principados e como são adquiridos
  2. Os principados hereditários
  3. Os principados mistos
  4. A razão pela qual o reino de Dario III, ocupado por Alexandre, não se rebelou contra seus sucessores após a morte deste
  5. De que modo devem-se governar as cidades ou os principados que, antes da conquista, possuíam leis próprias
  6. Os principados conquistados com as próprias armas e qualidades pessoais
  7. Os principados novos conquistados com as armas e virtudes de outrem
  8. Dos que conquistaram o principado através do crime
  9. O principado civil
  10. Como medir as forças de todos os principados
  11. Os principados eclesiásticos
  12. Os tipos de milícias e os soldados mercenários
  13. Os exércitos auxiliares, mistos e próprios
  14. Os deveres do príncipe com suas tropas
  15. As qualidades pelas quais os homens, sobretudo os príncipes, são louvados ou vituperados
  16. A generosidade e a parcimônia
  17. A crueldade e a clemência: se é melhor ser amado do que temido, ou o contrário
  18. Os príncipes e a palavra dada
  19. Como evitar o desprezo e o ódio
  20. Se as fortalezas e muitas outras coisas cotidianas usadas pelos príncipes sejam úteis ou inúteis
  21. Como um príncipe deve agir para ser estimado
  22. Dos secretários que acompanham o príncipe
  23. Como evitar os aduladores
  24. Porque os príncipes da Itália perderam seus Estados.
  25. Quanto pode a fortuna influenciar as coisas humanas e como se pode resistir a ela.
  26. Exortação para retomar a Itália e libertá-la dos bárbaros

Faça o download do PDF do livro “O Príncipe”

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

BRITO, Samara. O Príncipe; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/o-principe >. Acesso em 18 de novembro de 2019 às 17:21.

Copiar referência