Odisseia

As aventuras de Ulisses após a Guerra de Troia

O termo Odisseia é um substantivo feminino que dá nome à uma viagem cheia de aventuras e também a uma série de acontecimentos considerados anormais. Assim é o poema épico escrito pelo poeta grego da antiguidade, Homero.

A obra narra as aventuras de Ulisses, que após passar 10 anos na Guerra de Troia, inicia uma longa viagem, cheia de peripécias, de volta para o seu reino. O nome “Odisseia” vem de “Odysseus”, um inteligente herói grego e rei de Ítaca.

Livro Odisseia
Capa do livro “Odisseia” de Homero. (Foto: Saraiva)

Um fato curioso é que o personagem principal dessa história originalmente se chama Odisseu, mas devido a tradução latina ficou conhecido como Ulisses.

Considerada a continuação da obra “Ilíada”, também de autoria de Homero, o livro lançado no século VIII a.C. é dividido em 24 cantos, que constitui-se da divisão principal de um poema longo, em especial da poesia épica.

Embora não exista uma divisão clara por partes ou capítulos, a obra pode ser resumida em três momentos aos longo da narrativa, que são eles:

  • A situação da família de Ulisses em Ítaca e a viagem de Telêmaco para encontrar o pai;
  • A chegada de Ulisses ao país dos feaces, no qual narra as suas aventuras durante os anos de guerra;
  • E o regresso de Ulisses a Ítaca e a morte dos pretendentes de sua esposa Penélope.

Resumo por partes

A narrativa de “Odisseia” se inicia in medias res, ou seja, já começa no meio da trama e no decorrer os eventos anteriores vão sendo descritos através de flashbacks ou de narrativas dentro da própria história.

Primeira parte

O céu, porém, traçou, volvendo-se anos,
De Ítaca reduzi-lo ao seio amigo,
Onde novos trabalhos o aguardavam:
De Ulisses condoíam-se as deidades;
Mas, sempre infenso, obstava-lhe Netuno,
Este era entre os Etíopes longínquos,
Do oriente e ocidente últimos homens,
Num de touros e ovelhas sacrifício
A deleitar-se; e estavam já no alcáçar
Do Olimpo os habitantes em concílio.
O soberano, a recordar Egisto
Do Agamenônio Orestes imolado,
Principia: “Os mortais ah! nos imputam,
Os males seus, que ao fado e à própria incúria
Devem somente. Contra o fado mesmo,
Do porvir não cuidoso, há pouco Egisto,
Em seu regresso o Atrida assassinando,
Esposou-lhe a mulher, bem que enviado
O Argicida sutil o dissuadisse:
— De o matar foge e poluir seu leito;
Senão, tem de vingá-lo, adolescente
Sendo investido no seu reino Orestes. —
Mercúrio o amoestou, mas surdo Egisto,
Os delitos por junto expia agora”.

Trecho do Canto I (ou Livro I) da obra.

No ponto em que a obra se inicia, já havia passado 10 anos após o fim da Guerra de Troia, conflito que também durou 10 anos. E o filho de Ulisses, um jovem de 20 anos chamado Telêmaco, decide sair do reino em que vive com sua mãe em busca do pai.

Quando Ulisses saiu para lutar a guerra, Telêmanco tinha apenas um mês de idade, assim, passou toda sua vida na companha da mãe Penélope na ilha de Ítaca. Mas, devido aos longos anos em que Ulisses encontrava-se “desaparecido”, o povo insistia que estava morto e que a mulher deveria se casar-se novamente.

Desta forma, diversos “pretendentes” foram morar com Penélope e Telêmaco, com o objetivo de persuadi-la e ser o escolhido para ocupar o cargo de novo rei de Ítaca. A mulher não estava satisfeita com a pressão que estava sofrendo e adiava, de todas as formas possíveis, o dia da escolha de seu novo marido.

O herói de guerra já havia iniciado sua viagem de retorno para casa, porém, devido aos diversos imprevistos, acaba durando longos anos. Assim, a deusa Atena, a protetora de Ulisses, discute o seu destino com Zeus, rei dos deuses, no momento em que o inimigo do herói, o deus do mar, Poseidon, se ausenta do monte Olimpo.

Posteriormente, a deusa grega Atena se disfarça e convence o filho de Ulisses e Penélope a sair em busca de notícias sobre o pai. Telêmaco então monta uma tripulação e dá início a sua expedição, percorrendo diversas cidades gregas, porém sem êxito.

Segunda parte

Em determinado momento da narrativa ocorre o episódio em que Ulisses é aprisionado pela ninfa Calipso, deusa apaixonada que o força a se tornar seu amante por sete anos.

Em mais uma reunião dos deuses, Zeus atende a solicitação de Atena e dá o encargo a Hermes para mandar Calipso permitir a partida de Ulisses. Liberto, o herói constrói uma jangada e continua sua tentativa de volta para casa.

No entanto, é atingido por uma tempestade e atirado na Ilha dos Feaces. Quem o encontra e lhe oferece cuidados é Náusica, a filha do Rei Alcino. Após revelar sua identidade, relembra todas as peripécias que viveu durante a tentativa de regresso ao reino.

No decorrer da conversa, acabaram visitando os letárgicos Comedores de Lótus, e foram capturados pelo ciclope Polifemo, do qual o herói escapou depois de cegá-lo com um pedaço afiado de madeira.

Depois de ouvir com grande atenção as histórias, os feácios, marinheiros experientes, concordam em ajudar Ulisses a voltar para casa.

Terceira parte

Após ser deixado em um porto escondido em Ítaca, Ulisses se disfarça como um mendigo vagante, para descobrir como estão as coisas em sua residência.  Mistura-se em meio ao povo e aos poucos vai tomando conhecimento das traições geradas enquanto estava fora.

Em dado momento após o retorno,  deixa-se reconhecer pelo filho Telêmaco. Instigado por Atena, Penélope decide criar uma competição de arco-e-flecha, na qual o vencedor ganharia sua mão.

O arco utilizado pelos pretendentes era de Ulisses, que participava da competição ainda disfarçado e era o único com força suficiente para dobrar o arco. Dessa forma, o herói de Troia passa a disparar flechas contra todos os pretendentes de sua esposa.

Com a ajuda de Atena, Telêmaco, Eumeu e Filoteu, todos são mortos. Além desses, Ulisses também põe fim na vida de algumas criadas que haviam traído Penélope com os pretendentes, e também a do pastor de cabras Melâncio, que o havia caçoado e maltratado.

O herói revela sua identidade a Penélope e a alma de todos os seus inimigos são conduzidas por Deus Hermes para as profundezas dos infernos.

Grita Agamemnon: “Venturoso Ulisses,
Possuis mulher de uma virtude rara!
Do varão que pudica amou primeiro
Nunca olvidou-se; obtém perene glória,
Que hão de inspirados celebrar cantores.
Quão diversa a Tindárida ao marido,
Que houve-a donzela! odiosa nas balatas
Será do povo, e nódoa às mais sisudas.”
Enquanto as almas de Plutão conversam
No vácuo reino, Ulisses e companha
De Laertes entravam pelo enxido,
Que a muito preço e lidas o comprara:
Tinha ali casa, e da varanda em roda
Os servos, com prazer cultivadores,
Comiam, repousavam; diligente
Do amo tratava, em rústico retiro,
Sícula velha.

Principais personagens de “Odisseia”

  • Ulisses (ou Odisseu): rei de Ítaca e herói da Guerra de Troia;
  • Penélope: esposa de Odisseu;
  • Telémaco: filho de Ulisses e Penélope;
  • Laerte: rei de Ítaca e pai de Odisseu;
  • Alcínoo: rei dos feácios;
  • Nausícaa: princesa dos Feácios;
  • Zeus: rei dos deuses;
  • Atena: deusa da sabedoria e estratégia;
  • Poseidon: deus dos mares;
  • Calipso: ninfa, filha de Atlante, apaixonada por Odisseu.

Faça o download do PDF do livro “Odisseia”.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

BRITO, Samara. Odisseia; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/odisseia >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 15:27.

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