Os Lusíadas

A história de Portugal contada por meio de um grande poema épico

A obra “Os Lusíadas” narra os fatos heroicos da história de Portugal, em especial a descoberta do caminho marítimo para as Índias por Vasco da Gama.

Obra "Os Lusíadas", de Luís Vaz de Camões
Livro “Os Lusíadas” (Foto: Wikipedia)

A narrativa começa in medias res, isto é, no meio da ação, quando os portugueses já deixaram sua terra natal e se encontram ancorados no Oceano Índico, mas ainda não chegaram à Índia.

Nesse meio tempo, é feita uma reunião com os deuses olímpicos para decidir se o destino será alcançado ou não.

Um tumulto é formado já que Júpiter acredita que a conquista já está predestinada, porém Baco discorda, analisando o possível esquecimento das suas próprias conquistas no Oriente, se tornando o principal inimigo dos portugueses. Por fim, Mercúrio foi envido para garantir que o povo de Melinde recepcionasse bem os portugueses.

Em torno dessa construção, ocorre uma volta no tempo feita por Vasco da Gama ao narrar para o rei de Melinde a história de Portugal, contada cronologicamente até a sua própria viagem.

Entre as aventuras contadas por Gama, três episódios destacam-se:

O caso de amor proibido de Inês de Castro. Dama de companhia da rainha, executada a mando do rei D. Afonso IV que estava preocupado com a ameaça política oferecida por Inês, devido ao seu envolvimento com seu filho, o príncipe D. Pedro, e o parentesco com a nobreza de Castela.

Tirar Inês ao mundo determina,
Por lhe tirar o filho que tem preso,
Crendo com sangue só da morte indiana
Matar do firme amor o fogo aceso.
Que furor consentiu que a espada fina
Que pôde sustentar o grande peso
Do furor Mauro, fosse levantada
Contra uma fraca dama delicada?

O relato do Velho de Restelo, que emite um discurso sobre a exploração de novas terras em busca de busca de fama e glória, que vai contra os preceitos católico.

O episódio do Gigante Adamastor surge quando Vasco da Gama e sua tripulação estão em Cabo da Boa Esperança. É uma representação mítica, na qual, a figura de Adamastor, um gigante grego, se apaixonara pela ninfa Tétis e seu marido transforma o gigante em pedra.

Converte-se-me a carne em terra dura;
Em penedos os ossos se fizeram;
Estes membros que vês, e esta figura,
Por estas longas águas se estenderam.
Enfim, minha grandíssima estatura
Neste remoto Cabo converteram
Os Deuses; e, por mais dobradas mágoas,
Me anda Tétis cercando destas águas.

A travessia do Oceano Índico continua, o marinheiro Veloso narra para os seus companheiros o caso dos Doze de Inglaterra (quando doze cavaleiros portugueses vão à Inglaterra para defender a honra das damas ofendidas por doze cavaleiros ingleses). A batalha resulta em uma luta sangrenta e vitoriosa para os lusitanos.

Por fim, a última aventura dos portugueses é a visita à Ilha dos Amores. As ninfas da ilha foram flechadas por Cupido, filho de Vênus, apaixonando-se pelos navegantes português assim que os veem.

Cercados de amantes e prazer, o futuro de cada um é previsto. Vasco da Gama é convidado para conhecer uma esfera, mágica e perfeita: a Máquina do Mundo.

Finalmente, os portugueses embarcam novamente a Lisboa, onde recebem o devido reconhecimento pela valentia, coragem e persistência.

A epopeia termina com lamentos do poeta quanto as injustiças do reino. Aconselhando seu rei, a quem dedicou a obra, que lute por um governo justo. Propõe uma expansão a Portugal e a fé cristã.

Estrutura

A epopeia de gênero narrativo está dividida em 10 partes, chamadas de cantos. É composto de 1.102 estrofes e 8.816 versos decassílabos em oitava rima.

A rima é cruzada nos seis primeiros versos e emparelhada nos dois últimos, sempre da mesma forma: ABABABCC.

“As armas e os barões assinalados A
Que, da ocidental praia lusitana, B
Por mares nunca de antes navegados A
Passaram ainda além da Taprobana, B
Em perigos e guerras esforçados, A
Mais do que prometia a força humana, B
E entre gente remota edificaram C
Novo reino, que tanto sublimaram. C”

— Os Lusíadas, Canto I, estrofe 1

Por se tratar de uma epopeia clássica, “Os Lusíadas” divide-se em cinco partes:

  • Proposição: introdução da obra com apresentação do assunto e dos personagens (estrofes 1 a 3 do Canto I);
  • Invocação: o poeta pede inspiração para escrever sua obra as ninfas do Tejo (estrofes 4 e 5 do Canto I);
  • Dedicatória: o poema é dedicado ao rei D. Sebastião, considerado a esperança da propagação da fé católica e continuação das grandes conquistas portuguesas (estrofes 6 a 18 do Canto I);
  • Narração: conteúdo do poema em si, a viagem de Vasco da Gama e as glórias da história heroica portuguesa;
  • Epílogo: conclusão da obra (estrofes 145 a 156 do Canto X).

Análise de “Os Lusíadas”

“Os Lusíadas” é considerado o maior monumento poético da Língua Portuguesa. Escrito pelo português Luís Vaz de Camões, foi publicado pela primeira vez em 1572, período literário do classicismo.

Para contar a história do povo português, Camões buscou na antiguidade clássica o formato adequado para a criação da sua epopeia.

Obras clássicas como “Odisseia”, de Homero, e “Eneida”, de Virgílio, inspiraram o autor no desenvolvimento da narrativa e exerceram influência na estrutura e versos do poema. Já as crônicas de Fernão Lopes e de Rui de Pina serviram como base histórica.

Característico do Período do Renascimento, o poema não poderia deixar de evidenciar o antropocentrismo, o homem como centro das ações, da expressão cultural, histórica e filosófica, realçado as grandes conquistas em plena expansão marítima de Portugal e seu povo.

“Os Lusíadas” também é uma espécie de enciclopédia, uma vez que narra uma das mais significativas viagens da era dos descobrimentos, as grandes navegações, o império português no Oriente, os reis e heróis de Portugal.

Em meio a narração dos fatos da história portuguesa, desenrola-se também uma história mitológica, relatando a intrigas dos deuses do Olimpo, que procuram ajudar ou atrapalhar o navegador

Toda essa contextualização história e poética, estabeleceu “Os Lusíadas” como um clássico literário.

Curiosidades de “Os Lusíadas”

  • Especula-se que Camões sobreviveu ao naufrágio com destino a Goa, se salvando a nado junto com os manuscritos de “Os Lusíadas”.
  • “Os Lusíadas” levou quase duas décadas para ser escrito.
  • “Os Lusíadas” foi pouco censurado, embora mencionasse o amor carnal e o culto pagão na época governada pelos jesuítas.
  • Camões foi premiado pela criação de “Os Lusíadas”, recebendo uma pensão real no valor de quinze mil réis anuais.
  • Em 1992 foi criado o “Instituto Camões” para promover a língua e a cultura portuguesa no exterior.

Sobre o autor de “Os Lusíadas”

Luís de Camões, autor de "Os Lusíadas"
Luís de Camões (Foto: Wikipédia)

Luís Vaz de Camões (1524-1580) foi um poeta e soldado português, considerado o maior representante do Classicismo Português e um dos maiores nomes da Literatura Portuguesa.

Camões era um poeta popular e erudita do Renascimento, mas ocasionalmente escrevia poesias que lembravam cantigas medievais inspiradas em canções ou trovas populares.

Camões também transitou por outros estilos, escreveu poemas líricos, versos bucólicos, comédias e uma coleção de sonetos de amor, entre eles o mais famoso “O Amor é fogo que arde sem se ver”.

Luís de Camões morreu dia 10 de junho de 1580, em Lisboa. O “Dia de Portugal” é celebrado na data da morte de Camões.

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BRITO, Samara. Os Lusíadas; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/os-lusiadas >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:58.

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