Paradoxo

Figura de linguagem que remete ao contraditório

O paradoxo, denominado também de oximoro, é uma figura de linguagem que aproxima palavras contrárias. Tem como aspecto expressões que aparentam ser sem lógica. O paradoxo é classificado como figura de pensamento.

Figuras de Linguagem

Antes de abordamos detalhes sobre o paradoxo é importante revisar o conteúdo de figuras de linguagem e as classificações.

As figuras de linguagem ou figuras de estilo são estratégias utilizadas por escritores para deixar o texto rico ou expressivo.

Elas estão classificadas como: figuras de palavras, figuras de pensamento, figuras de sintaxe e figuras de som. Abaixo mais detalhes sobre cada uma delas. 

O paradoxo é uma figura de pensamento.
A figura de linguagem paradoxo expressa ideias sem lógica. (Foto: Pixabay)

Figuras de palavras

As figuras de palavras ou figuras semânticas envolvem o significado das palavras. As figuras de linguagem dessa categoria são: catacrese, comparação, metáfora, antonomásia, metonímia e sinestesia.

Figuras de pensamento

As figuras de pensamento são aquelas que envolvem a combinação de ideias. São exemplos dessa categoria: antítese, hipérbole, personificação, gradação, ironia, sarcasmo, litote, paradoxo, eufemismo, apóstrofe, alegoria, alusão, enumeração, ambiguidade, dentre outras.

Figuras de sintaxe

As figuras de sintaxe ou figuras de construção recebem esse nome porque modificam a estrutura gramatical da frase, oração ou período de forma proposital.

São exemplos de dessa classificação: anáfora, pleonasmo, silepse, clímax, assíndeto, polissíndeto, elipse, anacoluto, zeugma, polissíndeto, assonância, hipérbato, diácope, prolepse, dentre outros.

Figuras de som

As figuras de som, por sua vez, também denominadas de harmonia são aquelas que envolvem a sonoridade dos termos. São exemplos: assonância, onomatopeia, aliteração e paronomásia.

O termo paradoxo

A palavra paradoxo vem do latim paradoxum, ou seja, “para” (contrário) e “doxum” (opinião). No grego o termo corresponde a parádoxon composto por “pará” (oposto) e do “doxa” (opinião). Dessa maneira, o paradoxo quer dizer algo contrário do que se acredita ou contrário do que imagina o senso comum. 

Aplicação do Paradoxo nas frases

Um exemplo de aplicação de paradoxo pode ser visto através do trecho da canção “tiranizar” do cantor Caetano Veloso.

Se você quiser me prender
Vai ter que saber me soltar
Você me parece dizer
Que os dois somos um só lugar
E que esse lugar é você
E o resto não deve contar
E é isso que eu chamo tiranizar

O trecho “se você quiser me prender, vai ter que me soltar” corresponde a paradoxo dos verbos “prender” e “soltar”. Já que prender significa “impedir a liberdade” e soltar quer dizer” pôr em libertação”.    

O outro exemplo de aplicação do paradoxo está no soneto do poeta de Portugal, Luís Vaz de Camões (1524-1580), descrito abaixo.

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Paradoxo x Antítese

É comum confundir as figuras de linguagem paradoxo e antítese. Apesar das duas serem classificadas como figuras de pensamento elas são diferentes.

Como abordado, o paradoxo é caracterizado por apresentar aproximação de palavras contraditórias que expõem ideias contraditórias. Já antítese é a expressão de palavras ou frases que apresentam significados opostos.

Perceba o exemplo de aplicação da figura de linguagem antítese:

  • A alegria e a tristeza habitam no mundo (alegria/ tristeza);
  • Os homens têm vida e morte (vida/morte);
  • Toda guerra finaliza por onde deveria ter começado: a paz (guerra/paz). 

Nas três frases acima expressam antítese por utilizar palavras opostas, como: guerra e paz, alegria e tristeza, vida e morte. Agora o exemplo de paradoxo:

  • Daniela vive sonhando acordada;
  • José tem como companheira a solidão;
  • Lucas é um pobre rapaz rico.

As três frases acima demonstram paradoxo por formar ideias contraditórias tendo em vista que é incomum sonhar (no sentido de dormir) e também ficar acordado.

Da mesma maneira acontece com a solidão já que o termo expressa justamente o ato de ficar sozinho. Por isso, no sentido literal, solidão não pode ser tratada como uma companhia.

Já a terceira frase expressa que um rapaz é rico e ao mesmo tempo pobre. Também é um exemplo de paradoxo tendo em vista, na definição do dicionário, que rico é ser “farto de bens” e pobre é exatamente ter ausência de recursos.

A utilização do paradoxo no Barroco

O Barroco foi um movimento que surgiu no século XVI e na metade do século XVIII, na Itália.

O contexto do início desse estilo literário foi marcado pelo movimento artístico, intelectual e político do Renascimento. Nessa época a Igreja Católica vivenciava uma crise pela influência da Reforma Protestante.

O Barroco surgiu durante essa tensão de ideais tanto humanista como religiosa proveniente da contrarreforma católica. As obras barrocas tiveram expressões nas artes, arquitetura, música, além da literatura.  

As figuras de linguagem foram artifícios utilizados por artistas barrocos. As figuras que mais eram usadas nas obras além do paradoxo, foram: a metáfora, a hipérbole, a antítese e a prosopopeia.

Barroco no Brasil

O Barroco no Brasil surgiu no final do século XVI. Uma das caraterísticas dos escritores barrocos era a contradição em detrimento do contexto vivenciado. O poeta Gregório de Matos é um exemplo de autor brasileiro que utilizou o paradoxo em suas obras. Confira abaixo:

Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado, 
de vossa alta clemência me despido; 
porque quanto mais tenho delinquido, 
vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto um pecado, 
a abrandar-vos sobeja um só gemido: 
que a mesma culpa, que vos há ofendido, 
vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma orelha perdida e já cobrada, 
glória tal e prazer tão repentino 
vos deu, como afirmais na sacra história,

eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada, 
cobrai-a; e não queirais, pastor divino, 
perder na vossa ovelha a vossa glória.

O trecho “Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado” revela um paradoxo.

Resumo do paradoxo  

Conceito Classificação Exemplo
Figura de linguagem que aproxima palavras contrárias. Figuras de pensamento. Daniela vive sonhando acordada.

 

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

ALVES, Jéssica. Paradoxo; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/paradoxo >. Acesso em 29 de janeiro de 2020 às 21:00.

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