Paulo Freire

Educador e filósofo brasileiro

Paulo Freire (1921-1997) foi um educador, pedagogo e filósofo brasileiro. Tido como uma das principais referências da educação brasileira. Autor da obra “Pedagogia do Oprimido“, defendia que o objetivo da escola deveria ser ensinar o aluno a “ler o mundo” para poder transformá-lo.

Consagrado com dezenas de honrarias, até hoje seus métodos continuam sendo amplamente discutidos e estudados na área acadêmica.

Vida

Paulo Reglus Neves Freire nasceu em Recife, Pernambuco, no dia 19 de setembro de 1921. Filho de um capitão da Polícia Militar, Freire vivenciou a pobreza e a fome na infância durante a Crise de 29.

Educador Paulo Freire
Educador Paulo Freire (1921-1997). (Foto: Wikipédia)

Em 1931, mudou-se para Jaboatão dos Guararapes, município vizinho a sua cidade natal, onde permaneceu durante dez anos. Ao ficar órfão de pai, tornou-se bolsista no Colégio Oswaldo Cruz, onde atuou como auxiliar de disciplina e posteriormente tornou-se professor de língua portuguesa.

Formado em Direito pela Universidade de Recife, Paulo Freire não seguiu carreira e decidiu permanecer na profissão de professor de português no Colégio Oswaldo Cruz e de Filosofia da Educação na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Pernambuco.

No ano de 1947, começou a dar aulas no SESI (Serviço Social da Indústria), onde iniciou a missão de alfabetizar trabalhadores adultos. Sua excelência como docente rendeu-lhe a nomeação de diretor do Departamento de Educação e Cultura do SESI de Pernambuco.

Em 1961, tornou-se chefe do Departamento de Extensões Culturais da Universidade do Recife. No ano seguinte desenvolveu o trabalho mais significativo de sua carreira: criou o método que permitiu alfabetizar um grupo de 200 cortadores de cana-de-açúcar em apenas 45 dias.

Método Paulo Freire

Ao analisar o grande número de adultos analfabetos que viviam nas áreas mais afastadas da região Nordeste, excluídos das participações sociais, Paulo Freire preocupou-se na forma em que aquelas pessoas poderiam estar efetivamente inseridos na sociedade.

Assim, baseado em sua experiência, concluiu que única forma de progresso seria através da educação. No entanto, as abordagens de alfabetização para crianças e jovens eram inadequadas aos adultos.

Assim, começou a fazer experimentos e desenvolveu um método de alfabetização de acordo com vocabulário e realidade daquele grupo de pessoas. Para o educador, o ensino apenas seria eficaz se estivesse próximo ao repertório social e cultural de cada um.

Isso quer dizer que a partir do momento em que as pessoas se identificassem com o conteúdo, considerando cada experiência de vida, principalmente a do trabalho, a aprendizagem se tornaria mais prazerosa e o processo se daria de uma forma mais natural.

Na prática, funcionava da seguinte forma: as palavras eram discutidas e colocadas no contexto social do indivíduo.  Por exemplo, um agricultor conhecia as palavras “cana”, “enxada”, “terra”, “colheita”, “fogo”, e em cima dessas palavras base ia se construindo novas palavras, ampliando assim o vocabulário.

Foi desta forma que Paulo Freire construiu seu revolucionário método de alfabetização, conhecido como os princípios freirianos.

Golpe de 1964

Devido ao seu notável trabalho no Nordeste, foi convidado pelo então presidente da República, João Goulart, a expandir sua metodologia para um plano nacional de alfabetização. Contudo, Freire não chegou a concretizar esta meta.

Com o golpe militar de 1964, que tirou Goulart do poder, todos os programas foram cancelados e Freire acusado de subversão. O educador foi levado para a prisão, onde passou 70 dias e, em seguida, partiu para o exílio, passando por mais de 30 países.

Exílio

Durante o período que viveu no Chile, trabalhou alguns anos no Instituto Chileno para a Reforma Agrária (ICIRA), desenvolvendo trabalhos em programas de educação de adultos. Também deu início a escrita do seu principal livro: “Pedagogia do Oprimido” (1968).

“Os oprimidos, que introjetam a “sombra” dos opressores e seguem suas pautas, temem a liberdade, a medida em que esta, implicando na expulsão desta sombra, exigiria deles que “preenchessem o “vazio” deixado pela expulsão, com outro “conteúdo” – o de sua autonomia. O de sua responsabilidade, sem o que não seriam livres. A liberdade, que é uma conquista, e não uma doação, exige uma permanente busca. Busca permanente que só existe no ato responsável de quem a faz. Ninguém tem liberdade para ser livre: pelo contrário, luta por ela precisamente porque não a tem. Não é também a liberdade um ponto ideal, fora dos homens, ao qual inclusive eles se alienam. Não é ideia que se faça mito. É condição indispensável ao movimento de busca em que estão inscritos os homens como seres inconclusos.”

Trecho da obra “Pedagogia do Oprimido” de Paulo Freire.

Em 1969, lecionou na Universidade de Harvard (EUA). Na década de 1970, foi consultor especial do Conselho Mundial das Igrejas (CMI), em Genebra (Suíça). Nesse período, viajou por diversos países pobres, a maioria no continente africano, que viviam na época um processo de independência, dando consultoria educacional aos governos.

Após 15 anos exilado, Paulo Freire foi beneficiado pela Lei da Anistia e pôde retornar ao Brasil. Voltou a atuar como professor, lecionando na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Mais tarte, foi Secretário de Educação da Prefeitura de São Paulo, sob a gestão de Luíza Erundina, cargo que ocupou entre 1989 e 1991. Em 1991, foi fundado o Instituto Paulo Freire, em São Paulo, para estender e elaborar as ideias iniciada por ele.

Paulo Freire morreu em 2 de maio de 1997, aos 75 anos, vítima de um ataque cardíaco. Por seu trabalho na área educacional, conquistou reconhecimento mundial, tornando-se o brasileiro com mais títulos de Doutor Honoris Causa, entre eles das universidades de Harvard, Cambridge e Oxford.

Pensamento pedagógico político

O educador Paulo Freire acreditava que a desigualdade social era o principal fator para o desenvolvimento da opressão das classes mais abastadas sobre as populares.

Durante sua trajetória, defendeu o ensino como forma de interação e ascensão. Para Freire, educar desperta a criticidade do ser humano, fazendo com que o mesmo amplie sua consciência social e tenha oportunidade de alcançar outros objetivos.

Paulo Freire foi um intenso defensor da educação como prática de liberdade, pensamento que deu nome a um de seus livros.

Principais obras

  • “Educação Como Prática da Liberdade” (1967)
  • “Pedagogia do Oprimido” (1968)
  • “Cartas à Guiné-Bissau” (1975)
  • “Educação e Mudança” (1981)
  • “Prática e Educação” (1985)
  • “Por Uma Pedagogia da Pergunta” (1985)
  • “Pedagogia da Esperança” (1992)
  • “Professora sim, Tia não: Carta a Quem Ousa Ensinar” (1993)
  • “À Sombra desta Mangueira” (1995)
  • “Pedagogia da Autonomia” (1997)

Citações

Amar é um ato de coragem.

Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão.

Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

BRITO, Samara. Paulo Freire; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/paulo-freire >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 19:33.

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