Pedro Álvares Cabral

Navegador responsável pelo descobrimento do Brasil

Pedro Álvares Cabral foi comandante militar, fidalgo, navegador e explorador português que nasceu no Castelo de Belmonte, em Portugal, no ano de 1467. 

Vindo de família rica, filho do alcaide-mor da cidade, uma espécie de governante que acumulava funções militares, administrativas e judiciais, Cabral foi o terceiro filho de Fernão Cabral e Isabel Gouveia de Queirós. Sua família era famosa nas lutas contra os mouros e castelhanos.

Pedro Álvares de Cabral estudou em Lisboa, e na corte de D. João II se aperfeiçoou em cosmografia e técnicas militares. Seu progresso começou quando D. João II o nomeou fidalgo, ainda aos 16 anos de idade.

As Diligências de Pedro Álvares Cabral

Pedro Álvares Cabral foi designado a chefiar a expedição às Índias em 1500 percorrendo a rota feita por Vasco da Gama dois anos antes. A finalidade dessa missão era comercial, diplomática e militar, contornando o monopólio sobre o comércio das especiarias, desde então comandada pelos turcos, italianos e árabes.

Sua esquadra era composta por 10 naus e 3 caravelas, a maior frota enviada ao Oriente até então, com cerca de mil homens.  Pedro Álvares Cabral foi acompanhado por navegadores experientes como Nicolau Coelho e Bartolomeu Dias. Além de outras pessoas importantes em cada navio, entre eles o escrivão Pero Vaz de Caminha e o frei Henrique Soares de Coimbra, cientistas e astrônomos.

Em 9 de março de 1500, Pedro Álvares Cabral recebe das mãos do rei, D. Manuel, o estandarte real que era o símbolo do seu poder e em seguida as naus e caravelas partiram para as Índias.

pintura de Pedro Álvares Cabral

Pedro Álvares Cabral navegador português (Foto: Wikipedia)

Terras Brasileiras

A viagem para as índias foi mais longa que o previsto, porque saiu da rota, e em 22 de abril de 1500 a esquadra de Pedro Álvares Cabral avistou novas terras que receberam o nome de Monte Pascoal e Ilha de Vera Cruz, porque achava que se tratava de uma porção de terra menor.

Travaram assim o primeiro contato com os índios que viviam na região. Posteriormente, Pero Vaz de Caminha envia ao rei D. Manuel uma carta contando que Pedro Álvares Cabral mandou um pequeno barco com Nicolau Coelho para ver o local de perto e que vinte homens pardos, todos nus, se aproximaram trazendo arco e flecha, mas a um sinal dos portugueses eles abaixaram as armas.

pessoas rezam a primeira missa do Brasil em volta da cruz
A primeira missa realizada no Brasil (Foto: Wikipedia)

Em 26 de abril rezaram a primeira missa no Brasil e nos dias seguintes Cabral organizou excursões para conhecer melhor o local. Em 1 de maio uma cruz foi levada às margens, nessa cruz haviam as armas de Portugal esculpidas e fora colocada na entrada da floresta diante de um altar pequeno, onde celebraram a segunda missa como cerimônia de posse das terras. Esse foi o marco da soberania portuguesa.

Após explorar o território, Cabral percebeu que essa terra poderia ser um continente e enviou em seguida um navio para notificar o rei da descoberta das terras. Como encontrava-se dentro do hemisfério português, em acordo com o Tratado de Tordesilhas, reivindicou à Coroa Portuguesa.

De volta ao caminho das Índias

Após o restabelecimento da frota, retomaram a viagem rumo ao leste para a Índia. Em 2 de maio a nau de Gaspar de Lemos voltou para Portugal levando a carta de Pero Vaz de Caminha. Os demais seguiram viagem.

No dia 13 de maio quatro embarcações, entre elas a de Bartolomeu Dias, foram destruídas pela tempestade na zona de alta pressão do Atlântico Sul. As especulações sobre o local exato variam desde próximo ao Cabo da Boa Esperança, no extremo sul do continente africano, até à vista da costa sul-americana. Com isso perderam cerca de 380 homens.

mapa do caminho para as índias percorrido por Pedro Álvares Cabral
O caminho para as Índias percorrido por Pedro Álvares Cabral e sua esquadra. (Foto: Wikipedia)

Os navios restantes foram prejudicados pelo mau tempo e se separaram. Um dos navios, comandado por Diogo Dias, vagou sozinho, enquanto os outros se reagruparam. A frota principal ficou perto de Sofala por dez dias enquanto sofria reparos e em seguida a expedição rumou ao norte chegando a Quíloa em 26 de maio, onde Pedro Álvares Cabral fez uma tentativa de tratado comercial com o rei local que falhou.

Diante disso, partiram para Melinde onde desembarcaram em 2 de agosto. Estabeleceu uma relação de amizade com o rei local e trocaram presentes. Também foram recrutados pilotos para a última etapa da viagem.

A expedição de Pedro Álvares Cabral em Calecute

Cabral chegou a Calecute com sua frota em 13 de setembro e conquistou seu feito nas negociações com o Samorim, governante local, tendo assim aprovação para inserir uma feitoria e um armazém da cidade-estado.

Com esperança de ter melhores relações, Pedro Álvares Cabral autorizou que seus homens fossem a várias missões militares a pedido do Samorim. Porém, em  16 de dezembro a feitoria foi atacada de surpresa por árabes mulçumanos e indianos Hindus. Apesar da defesa, mais de 50 portugueses foram mortos e os defensores restantes retornaram aos navios.

Os portugueses pensaram que o ataque foi uma incitação de comerciantes da cidade e ficaram indignados com o ataque e a morte dos companheiros, então atacaram 10 navios mercantes dos árabes que estavam ancorados, mataram tripulantes e confiscaram as mercadorias antes de incendiar os navios.

Pedro Álvares Cabral ordenou que sua tripulação bombardeasse Calecute por um dia inteiro em represália à violação do acordo. Seguiu então para Cochim e Cananor aonde carregou as naus com especiarias. Retornou para Portugal com carregamento de especiarias e produtos locais, aportando na cidade de Lisboa em 21 de julho de 1501 com seis navios restantes da frota inicial. Foi recebido com festa e consolidaram o comércio do oriente.

Seus últimos anos

Quando Pedro Álvares Cabral retornou à Portugal, o rei D. Manuel I começou a planejar outra expedição para a Índia com intuito de vingar as perdas portuguesas em Calecute. Durante oito meses Cabral fez os preparativos, porém por razões incertas ele foi afastado do comando. De qualquer forma, quando a frota partiu de Portugal em março de 1502, Vasco da Gama era o comandante.

Em dado momento Cabral abandonou a corte definitivamente, mas apesar disso ele conseguiu se casar com D. Isabel de Castro em 1503, uma nobre mulher rica e descendente do rei D. Fernando I.

Passou seus últimos anos em Santarém sofrendo de febre recorrente e um tremor. Em meados de 1518 foi elevado de fidalgo a cavaleiro no Conselho do Rei tendo direito a um subsídio mensal. Pedro Álvares Cabral morreu de causas não esclarecidas e foi enterrado na Capela de São João Evangelista na Igreja do Convento da Graça de Santarém.

Curiosidades

  • Acredita-se que a família de Pedro Álvares Cabral é descendente de Carano, primeiro rei da Macedônia que governou por volta do ano 1100 a.C. Carano seria descendente do semideus Hércules;
  • As intenções da coroa portuguesa e de Cabral estavam além das conquistas comerciais, eles queriam expandir o catolicismo e impedir que os mouros implementassem suas crenças muçulmanas;
  • Trouxe inúmeras riquezas para Portugal tornando-se capitão-mor em 1500, um pouco antes do Descobrimento do Brasil;
  • O primeiro local avistado na nova terra recebeu o nome de Monte Pascoal porque estavam no período da Páscoa. Esse monte tem 536 metros de altura e fica próximo à cidade de Itamaraju na Bahia;
  • Não teve reconhecimento imediato das suas descobertas: passaram mais de três séculos até D. Pedro II investigar a história do Brasil para saber a importância de Cabral.

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Letícia Reis, Ana. Pedro Álvares Cabral; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/pedro-alvares-cabral >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:38.

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