Platão

Filósofo e matemático grego idealizador do Dualismo Platônico

Platão foi um filósofo e matemático da Grécia Antiga, discípulo de Sócrates e professor de Aristóteles. Ele se baseava na teoria de que o mundo que percebemos através dos nossos sentidos é um mundo utópico, ilusório e confuso.

Foi o fundador da primeira instituição de ensino superior do ocidente, a Academia, em Atenas. Platão é um dos filósofos gregos mais estudados até os dias atuais.

Biografia

Platão nasceu em Atenas, na Grécia, em 427 a.C., filho de Aristão e Perictíone, membros de uma das famílias mais nobres da região.

Platão
A principal teoria de Platão é a Teoria das Ideias. (Foto: Wikipédia)

A juventude do filósofo ocorreu em meio as agitações da Guerra do Peloponeso, um conflito entre militares das cidades-estado de Atenas e Esparta, conhecida como a Guerra Mundial da Antiga Grécia. A luta pela hegemonia política da região durou 27 anos.

Platão foi instruído em gramática, música e ginástica pelos principais professores da época. Ele também frequentou cursos de filosofia. Por se destacar na ginástica, participou dos Jogos Olímpicos como lutador.

Um fato curioso é que o seu nome verdadeiro era Arístocles. O apelido Platão surgiu depois e significa, em grego, “ombros largos”.

Contrariando os desejos de sua família, ele abandonou o interesse pela política, e se tornou seguidor de outro pensador grego, Sócrates, com quem compartilhou as ideias sobre o conhecimento do mundo e as virtudes humanas.

Platão resolveu se dedicar profundamente à filosofia quando Sócrates foi condenado à morte por “perverter a juventude”. Por conta da sua amizade com o condenado, ele foi obrigado a sair da cidade.

Primeiro ele se refugiou em Megara, depois Cirene, Itália e Egito. Essas viagens ocorreram durante doze anos, e a partir daí ele estabeleceu uma filosofia própria.

Ele morreu em 347 a.C., em Atenas.

A Academia de Platão

Cerca de doze anos depois, quando regressa a Atenas, Platão, agora com 40 anos de idade, abre uma escola filosófica que tinha o nome de “Academia”.

A escola recebia mestres e discípulos em um jardim na casa de Academus, um rico cidadão ateniense. Nessa época, o filósofo obtém formação intelectual para formular as suas teorias, mas sempre com inspirações em Sócrates. O pensamento de Sócrates, inclusive, só ficou conhecido por conta dos escritos deixados por Platão.

Na Academia os seus discípulos se juntavam a ele para estudar filosofia e ciências. Matemática e geometria também recebiam bastante atenção. O seu principal objetivo era transmitir a fé na razão e na virtude, seguindo o lema de Sócrates, que dizia “O sábio é virtuoso”.

Para Platão, as ideias eram objetos imutáveis eternos do pensamento, e serviam para explicar a aquisição de certos conceitos e o significado das palavras. Segundo ele, “as coisas desfazem-se em pó e as ideias ficam”.

O filósofo ficou muito conhecido também por conta da teoria da anamnese, onde os conhecimentos não são adquiridos pela experiência, e sim, vindos desde o nascimento através da alma, já que, para ele, a experiência serve como ativador da memória.

Teoria das ideias

Para Platão o mundo era dividido em duas esferas: a esfera inteligível e a esfera sensível. Essa divisão ficou conhecida como Dualismo Platônico.

O mundo inteligível, segundo ele, era o mundo superior, já que era o mundo da sabedoria e do conhecimento. O mundo sensível é o mundo onde nos relacionamos através dos nossos sentidos, o que vivemos de forma material, o mundo das aparências. Para ele, o mundo sensível era inferior, já que os nossos sentidos nos levam a falhas e não nos deixa conhecer a perfeição do mundo inteligível.

Platão entendia que o diálogo era o melhor método para alcançar o conhecimento. Ele afirmava que os alunos deveriam descobrir sobre as coisas a partir dos problemas que eles enfrentavam nas suas vidas.

A educação, segundo ele, deveria formar o homem moral, intelectual e físico. Se provando um homem à frente do seu tempo, defendia que a educação para as mulheres deveria ser a mesma educação dada aos homens. O mesmo acontecia com os mais abastados e os mais carentes.

Conheça um pouco mais das ideias do filósofo no vídeo a seguir:

Mito da caverna

Em uma das suas obras mais famosas, A República, Platão tenta explicar o seu Dualismo Platônico através do famoso “mito da caverna”. Segundo ele, a alma, antes de ficar aprisionada no corpo humano, fazia parte do mundo luminoso das ideias, e guardava poucas lembranças desse momento.

O mito se inicia com algumas pessoas acorrentadas nos pés e no pescoço, no interior de uma caverna, desde a sua infância. Lá de dentro, elas conseguem ver apenas as sombras das pessoas que estão fora da caverna. Essas sombras são projetadas por uma fogueira, fazendo com que as imagens se tornem grandes e estranhas.

Por viverem no interior da caverna desde que nasceram, eles acreditam que as sombras vistas lá de dentro são as únicas coisas que existem. Eles não conhecem a luz, a fogueira, ou qualquer outra coisa.

A história segue e, em um determinado momento, uma pessoa consegue se soltar das correntes. Ela segue as imagens projetadas pela fogueira à procura das sombras e sai da caverna. Quando os seus olhos se adaptam à luz do sol, essa pessoa conhece o mundo externo, colorido e cheio de possibilidades.

O homem, então, volta para a caverna e conta aos outros habitantes de lá o que ele viu. Eles não acreditam, continuam achando que tudo o que existe são as sombras, e matam o companheiro.

O mito faz uma alusão ao modo como os homens pensavam antes da filosofia. Para ele, o homem comum era prisioneiro de hábitos, preconceitos, costumes e práticas que eles aprendem na infância. Assim como o homem preso na caverna, esse homem comum só vê as coisas de forma limitada, sendo ignorante e não percebendo o mundo onde vive.

A partir do surgimento da filosofia, o homem então começa a compreender o mundo e se libertar da escuridão da caverna, conhecendo a verdade do mundo das ideias.

Obras

Poucas obras de Platão foram conservadas até os dias atuais. Entre as que foram resgatadas, encontram-se:

  •  República (sobre a justiça e o Estado Ideal);
  •  Protágoras (sobre o ensinamento da virtude);
  •  Banquete (sobre o amor);
  •  Apologia de Sócrates (autodefesa de seu mestre diante dos juízes);
  •  Fédon (sobre a imortalidade da alma e sobre a doutrina das ideias);
  •  As Leis (uma nova concepção do Estado).

Citações

Tente mover o mundo - o primeiro passo será mover a si mesmo.

De todos os animais selvagens, o homem jovem é o mais difícil de domar.

O cansaço físico, mesmo que suportado forçosamente, não prejudica o corpo, enquanto o conhecimento imposto à força não pode permanecer na alma por muito tempo.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Pina, Cíntia. Platão; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/platao >. Acesso em 18 de novembro de 2019 às 18:41.

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