Prometeu Acorrentado

Tragédia que conta o castigo de Prometeu dado por Zeus

Prometeu Acorrentado é uma tragédia grega que foi bastante encenada na Grécia Antiga.  Foi a única que sobreviveu a trilogia formada pelas tragédias ao qual fazia parte: Prometeu acorrentado, Prometeu libertado e Prometeu portador do fogo.

Mesmo não tendo consenso entre os pesquisadores, a autoria de Prometeu Acorrentado é dada ao tragediógrafo grego Ésquilo. Essa tragédia é associada a condição humana e a criação da cultura.

Sendo atribuída a Ésquilo, Prometeu Acorrentado seria datada entre 42 e 459 a.C. aproximadamente. O mito do deus grego é contada de diversas formas e maneiras, cada uma com detalhes diferentes, mas todos têm a mesma base.

Prometeu Acorrentado trata-se da punição dado a Prometeu por Zeus, após ele roubar o fogo dos deuses para dar à humanidade.

Prometeu Acorrentado
Capa do livro Prometeu Acorrentado. (Foto: Amazon Site)

Prometeu Acorrentado: resumo da obra

A obra começa de uma forma diferente, já com Hefesto preparando as correntes para prender Prometeu, que era seu irmão.

Prometeu é amarrado à correntes indestrutíveis em um rochedo no distante e desabitado Cáucaso. Seu irmão Hefesto não concordava com as ideias de Zeus, assim como muitos outros deuses, mas por medo obedecia as suas ordens e acabou prendendo e punindo o irmão.

O castigo foi causado pela traição de Prometeu ao roubar o fogo do Olimpo para entregar a humanidade, a sua maior criação. Ao logo do castigo recebe várias visitas de deuses que se solidarizavam com seu sofrimento de ficar acorrentado, em pé e sem nunca poder dormir.

A sua briga com Zeus não foi somente pelo roubo do fogo, mas envolveu também o grande conhecimento que Prometeu tinha, a ponto de saber que um dia o poder de Zeus seria ameaçado. Ele se recusava a conta por quem.

Prometeu era um Deus que tinha muito conhecimento e sabia que um dia seria libertado do sofrimento por um grande herói.Por isso, recusava todos os conselhos que tentavam lhe convencer de pedir perdão a Zeus. 

Ele também sabia que Zeus era um deus autoritário, impiedoso e vingativo, e  puniria aqueles que o tentassem ajudar.

Uma das últimas visitas que recebeu em seu sofrimento no monte é de Il,  única mortal que aparece na obra. Assim como Prometeu, era vítima das punições de Zeus, pois recusou os seus galanteios. Sentindo-se rejeitado, o deus a transformou em ovelha e condenou a vagar sem destino pelo mundo.

Além disso, Il também enfrentou diversos problemas provocados pela mulher de Zeus, a deusa Hera, que era extremamente ciumenta.

Devido ao seu conhecimento, Prometeu conta para Il todos as punições que ela já sofreu e as que ainda terá de enfrentar. Contudo, também revela que um dos seus descendentes será o herói que irá libertá-lo do castigo.

 A última visita foi do mensageiro dos deuses, Hermes. Ele oferece uma última chance de arrependimento, pois o castigo seria piorado.  Prometeu recusa e continua desafiando Zeus.

Devido a recusa , além de ter que suportar o sofrimento de ficar amarrado dia e noite em pé e sem dormir, ele é castigado ainda mais. Uma águia passou a visitá-lo todos os dias para devorar seus órgãos internos.

Por ser imortal, Prometeu se regenerava e a águia voltada novamente. Esse ciclo durou até sua libertação, séculos depois.

Prometeu Acorrentado: antes do castigo

Prometeu era um Titã, filho de Jápeto (divindade primordial), que junto do irmão Epimeteu deu início a vida humana.

Antes da tragédia grega, Prometeu lutou junto a Zeus o deus Cronos.  Em agradecimento, Zeus o concedeu a imortalidade.

Os irmãos atribuíram todos os talentos e qualidades primeiramente aos animais, sendo o homem o último a ser criado, mas não foi lhe atribuído talento algum.

Admirada com a criação do homem, a Deusa Atena lhes concede, através de um sopro,todos os talentos que faltavam.

No entanto, Prometeu ainda estava insatisfeito, pois ainda via o homem como qualquer outra criação. Ele queria um diferencial para humanidade, que ainda vivia em cavernas e fugindo da escuridão, se alimentavam de frutos caídos no chão e temia os animais.

Então, decide roubar o fogo do Olimpo e dar para o homem. Com isso, pretendia torná-los mais sábios e fortes. O seu desejo se concretizou, pois o homem tornou-se mais forte e esperto em relação aos outros animais, evoluindo rapidamente.

 Prometeu estava finalmente satisfeito com a sua criação, o contrário de Zeus. Após descobrir a traição, além do ciúmes do amor que Prometeu tinha pela humanidade, Zeus o condenou ao castigo eterno.

Prometeu Acorrentado
Prometeu leva o fogo à humanidade, pintura de Heinrich Friedrich Füger, 1817 (Foto: Wikipedia)

Prometeu na mitologia grega

Responsável pela criação da humanidade, Prometeu é considerado o responsável pelas artes e ciências da humanidade.

Segundo a mitologia grega, ele teria criado o homem a partir do barro, tendo como base a forma física dos deuses, assim como os vários ofícios que o homem possui, a exemplo da carpintaria. Já o fogo é símbolo do conhecimento intuitivo.

Contudo, há versões de que o fogo pertencia a humanidade e que, segundo a lenda, Prometeu teria oferecido ossos a Zeus, e deixado a carne para o homem. Como vingança, Zeus roubou o fogo para que o homem comesse a carne crua. 

 Análise da obra

Prometeu Acorrentado se constitui em uma grande luta contra o autoritarismo, voltado para a firmeza daquilo que acredita, no caráter libertador da mente diante da dor física.

Mesmo sendo torturado, Prometeu não cedeu a tirania de Zeus. Isso significa não ceder as dificuldades, seguir os seus princípios e ir até o fim naquilo que acredita.

Prometeu Acorrentado é importante para a origem da intelectualidade, representado pelo fogo, como uma luz que ilumina a humanidade, que significa tornar o homem consciente e esclarecido.

É um clássico da luta sem egoísmo, do benefício ao outro, mesmo sabendo que causará o próprio sofrimento. O fogo roubado por Prometeu não foi apenas capricho, mas representa a luz. Além disso, deu ao homem a capacidade de produzir, de transformar.

A obra está intimamente relacionada a dor e ao conhecimento, já que não existe conhecimento que não venha ligado pela dor e consciência da limitação humana, bem como não há dor que não gere conhecimento próprio.

Trecho de Prometeu Acorrentado

Eis-nos chegados aos confins da terra, à longínqua região da Cíntia, solitária e inacessível! Cumpre-te agora, ó Vulcano, pensar nas ordens que recebeste de teu pai, e acorrentar este malfeitor, com indestrutíveis cadeias de aço, a estas rochas escarpadas. Ele roubou o fogo, – teu atributo, precioso fator das criações do gênio, para transmiti-lo aos mortais! Terá, pois, que expiar este crime perante os deuses, para que aprenda a respeitar a potestade de Júpiter, e a renunciar a seu amor pela Humanidade.

Eu já sabia tudo, tudo, o que ele acaba de me anunciar!… Que um inimigo sofra todo mal que lhe pode fazer o outro, nada mais natural. Pois que caiam sobre mim os raios fulminantes; que os ventos furiosos inflamem os céus; que a tempestade, agitando a terra em seus fundamentos, abale o mundo; que flagelos sem exemplo confundam as vagas do oceano com as estrelas da abóbada celeste; que Júpiter, usando seu invencível poder, precipite meu corpo nos abismos do Tártaro; faça ele o que fizer!… eu hei-de viver!

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Lima, Cleane. Prometeu Acorrentado; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/prometeu-acorrentado >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:47.

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