Prudente de Moraes

Terceiro presidente do Brasil República e o primeiro civil eleito por voto popular

Prudente José de Moraes Barros nasceu no dia 4 de outubro de 1841, no município de Itú, interior de São Paulo.

Presidente Prudente de Morais
Presidente Prudente de Moraes (1841-1902) (Foto: Wikipédia)

Descendente dos primeiros colonizadores de São Paulo, era filho do tropeiro José Marcelino de Barros, assassinado por um escravo quando Prudente de Moraes tinha cerca de cinco anos.

Em 1857 mudou-se para São Paulo, concluindo os estudos no Colégio João Carlos da Fonseca no ano seguinte.

Formou-se em direito pela Faculdade de Direito de São Paulo no ano de 1863, foi lá que fez amizade com nomes que se tornariam líderes e notórios homens públicos, como Campos Salles, Francisco Rangel Pestana e Bernardino de Campos.

Em seguida mudou-se para Piracicaba onde abriu um escritório, advogou na área durante dois anos, e iniciou na vida pública. Em 1864, junto ao Partido Liberal (PL), monarquista, foi eleito vereador, sendo o mais votado. Logo, em 1865 tornou-se presidente da Câmara Municipal.

No exercício como vereador, Prudente de Moraes mudou o nome da cidade que antes se chamava Vila Nova da Constituição para Piracicaba, nome indígena que quer dizer “lugar onde os peixes moram”.

Em maio de 1866, Prudente casou-se com Adelaide Benvinda Gordo com quem teve oito filhos.

Em 1873, passou a fazer parte do Partido Republicano Paulista (PRP). Foi deputado provincial, atualmente denominado como estadual, em São Paulo e, em 1885, foi eleito deputado para a Assembleia Geral do Império.

Defendeu a forma de governo republicana, a abolição da escravatura e o federalismo. Emprenhou-se também na confusa discussão da divisa entre São Paulo e Minas Gerais.

Após a Proclamação da República (1889), Prudente de Moraes foi nomeado governador de São Paulo por Marechal Deodoro da Fonseca durante o Governo Provisório.

Um ano depois renunciou de o cargo de governador para participar da Assembleia Constituinte da República, como senador.

Prudente de Moraes atuou como vice-presidente do senado e presidiu a Assembleia Constituinte. Após a elaboração da constituição, Prudente disputou a presidência da República com Marechal Deodoro da Fonseca.

Derrotado após o marechal Deodoro ter sido eleito indiretamente pelo Congresso Nacional, Prudente de Moraes tornou-se presidente do Senado até o fim do seu mandato.

Governo de Prudente de Moraes

Após a renúncia de Deodoro da Fonseca, Prudente de Moraes entrou na disputa pela sucessão de Marechal Floriano Peixoto, vice-presidente empossado 1891. Candidatou-se pelo Partido Republicano Federal (PRF) e venceu as eleições presidenciais.

Em 15 de novembro de 1894, tomou posse tornando-se o terceiro presidente da República, o primeiro a ser eleito pelo voto direto e o primeiro presidente civil do Brasil. Estabeleceu o médico Manuel Vitorino Pereira como vice-presidente.

Prudente de Moraes  foi um dos primeiros presidentes do Brasil da fase da República Velha. Sua chegada ao poder ficou conhecida como “República das Oligarquias”, caracterizada pela substituição dos setores militares do poder dando lugar a oligarquia cafeeira paulista.

O governo de Prudente foi marcado por uma intensa agitação política, tanto pela instalação do Brasil República que ainda causava manifestações no Rio de Janeiro, quanto pela continuação das lutas partidárias no Rio Grande do Sul.

No período do seu mandato, Prudente de Moraes conseguiu pacificar a Revolução Federalista assinando a paz com os rebeldes e concedendo a anistia. Restabeleceu as relações diplomáticas com Portugal que havia sido rompida durante a Revolta da Armada.

Assinou o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação com o Japão com o intuito de promover a imigração japonesa. Além de interferir em questões diplomáticas envolvendo a Inglaterra, após os ingleses tomarem posse da Ilha da Trindade.

As dificuldades econômicas, herdadas da crise do encilhamento, fizera parte do governo de Prudente de Moraes que também enfrentou a queda do preço do café no mercado internacional e a desvalorização da moeda.

Guerra de Canudos

Entre 1896 e 1897, ocorreu um movimento de resistência que marcou o governo de Prudente, conhecido como Guerra de Canudos. O movimento de Canudos, originado no sertão nordestino, era uma revolta de caráter social.

Liderados por Antônio Vicente Mendes Maciel, conhecido como Antônio Conselheiro, os baianos protestavam contra as péssimas condições que viviam o povo da região. O governo da Bahia enviou para a região três expedições militares pra dissipar os protestantes, no entanto, não obtiveram sucesso.

Guerra de Canudos
Seguidores de Antônio Conselheiro durante a Guerra de Canudos (Foto: Wikipédia)

Então, Prudente de Moraes ordenou ao Ministro da Guerra, Marechal Bittencourt, que que assumisse o controle das operações. Liderando expedições que bombardearam o Arraial de canudos, o exército acabou com o movimento massacrando a população.

Todos esses acontecimentos desgastaram o governo de Prudente de Moraes. No entanto, apesar da vitória na guerra de Canudos, algumas implicações continuaram rompendo no governo.

Em 5 de novembro de 1897, durante uma cerimônia para recepcionar dois batalhões do Exército que retornavam de Canudos, Prudente de Moraes sofreu um atentado contra sua vida.

Cometido pelo militar Marcellino Bispo de Mello, Marechal Bittencourt foi ferido no lugar de Prudente de Moraes o que ocasionou sua morte. Tal acontecimento levou Prudente a decretar estádio de sítio no Rio de janeiro e Niterói.

O vice-presidente Manuel Vitorino foi apontado no inquérito por estar envolvido com o atentado. Vitorino emitiu um manifesto no qual se declarava inocente e assim seu nome foi retirado do processo. O criminoso foi preso e enforcou-se na cadeira com um lençol.

Ao fim do mandato, Prudente de Moraes se dedicou as negociações com credores estrangeiros e nas resoluções de políticas externas, garantindo boa popularidade. No dia 15 de novembro de 1898, passou o cargo de Presidente a Campos Sales.

Posteriormente, mudou-se para Piracicaba, onde viveu até o fim de sua vida, e permaneceu advogando por alguns anos.

Faleceu no dia 3 de dezembro de 1902, com 61 anos, vítima de tuberculose. Prudente de Moraes está enterrado no Cemitério da Saudade, localizado na cidade de Piracicaba

Curiosidades sobre Prudente de Moraes

  • Além dos 8 oito filhos que teve com Adelaide Benvinda, Prudente de Moraes teve um filho na época em que era estudante de Direito chamado José.
  • A casa onde viveu com Adelaide Benvinda, em Piracicaba, tornou-se Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes.
  • Prudente de Moraes foi homenageado em diversas cidades do país. Seu nome adotado nas cidades de Presidente Prudente(SP), Prudente de Moraes (MG), Prudentópolis (PR) e na Rua Pudente de Moraes em Arujá (SP).

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

BRITO, Samara. Prudente de Moraes; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/prudente-de-morais >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 16:31.

Copiar referência