Quincas Borba

As desventuras do herdeiro Rubião

Quincas Borba” é um romance de Machado de Assis que narra a história de Rubião, um professor que se torna enfermeiro de um velho rico e herda toda sua herança. Ingênuo, o mineiro é enganado por um casal carioca, chegando ao fim da história louco e pobre.

Resumo

Joaquim Borba dos Santos, o Quincas Borba, era um filósofo e inventor das ideias humanitistas que acompanharam Brás Cubas no livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas“.

Quincas Borba não tinha parentes vivos, seu único amigo era Pedro Rubião de Alvarenga, um ex-professor primário de Barbacena, que tornou-se seu companheiro após tentar casá-lo com sua irmã, Maria da Piedade.

Rubião abandonou a profissão para ocupar o cargo de enfermeiro do velho filósofo. Era muito dedicado, paciente, risonho, múltiplo, ouvia as ordens do médico, dava os remédios nas horas marcadas e levava o doente para passear.

Não esquecia nada, nem os serviços de casa, nem a leitura dos jornais. Com a morte de Quincas Borba, Rubião herda tudo que o pertencia.

Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça…

 Enriquecido pela grande herança, Rubião fica surpreso por ter sido o herdeiro absoluto da fortuna de Quincas Borba, algo que não aconteceria se sua irmã tivesse se casado com ele.

No entanto, acompanhado de todo dinheiro, imóveis e joias descritas no inventário, havia o compromisso de cuidar do cachorro do falecido, também chamado Quincas Borba.

Quando o testamento foi aberto, Rubião quase caiu para trás. Adivinhais por quê. Era nomeado herdeiro universal do testador. Não cinco, nem dez, nem vinte contos, mas tudo, o capital inteiro, especificados os bens, casas na Corte, uma em Barbacena, escravos, apólices, ações do Banco do Brasil e de outras instituições, jóias, dinheiro amoedado, livros, — tudo finalmente passava às mãos do Rubião, sem desvios, sem deixas a nenhuma pessoa, nem esmolas, nem dívidas. Uma só condição havia no testamento, a de guardar o herdeiro consigo o seu pobre cachorro Quincas Borba, nome que lhe deu por motivo da grande afeição que lhe tinha. Exigia do dito Rubião que o tratasse como se fosse a ele próprio testador, nada poupando em seu benefício, resguardando-o de moléstias, de fugas, de roubo ou de morte que lhe quisessem dar por maldade; cuidar finalmente como se cão não fosse, mas pessoa humana. Item, impunha-lhe a condição, quando morresse o cachorro, de lhe dar sepultura decente em terreno próprio, que cobriria de flores e plantas cheirosas; e mais desenterraria os ossos do dito cachorro, quando fosse tempo idôneo, e os recolheria a uma urna de madeira preciosa para depositá-los no lugar mais honrado da casa.

Logo após a morte de Quincas Borba, Rubião e o cão mudam-se de Barbacena (interior de Minas Gerais) para o Rio de Janeiro, passando a viver em um palacete em Botafogo.

Durante a viagem, Rubião conhece o casal Palha, Cristiano e Sofia, que se comprometem a apresentar a cidade carioca ao recém chegado.

Livro Quincas Borba
Livro “Quincas Borba” de Machado de Assis. (Foto: Site Saraiva)

Interessados na fortuna do mais recente milionário, o casal o ajuda com a decoração da casa, com a contratação de funcionários e logo o incluem em seu círculo de amizades.

Com a convivência, Rubião começa a se interessar pela bela Sofia, mulher do Palha, que lhe dedicava olhares e delicadezas insinuantes. Aproveitando-se da ingenuidade do homem, Sofia envolve-se ainda mais.

Rubião acredita ser correspondido e se declara à amada durante um baile. Sofia se queixa ao marido a ousadia do ex-professor, mas Cristiano justifica o consentimento por dever muito dinheiro a ele.

O marido então sugere que ela continue alimentando os sentimento de Rubião para que possam continuar a explorá-lo. Aos poucos, Rubião vai percebendo que Sofia não está interessada nele, então decide deixar o Rio de Janeiro.

Cristiano fica preocupado com o afastamento de sua principal fonte de renda e consegue convencê-lo a ficar sugerindo futuros encontros com Sofia.

Em certo momento da história, Rubião se torna um “capitalista” e transforma-se em sócio de Cristiano em uma importadora, a Palha & Cia. Cristiano passa a administrar todos os seus bens e fortuna.

A condição de vida do casal Palha melhora desmedidamente, o que resulta no rompimento da sociedade entre os dois e no afastamento de Sofia, que recusa os convites para passeios de Rubião.

Consequentemente, Rubião começa a apresentar traços de loucura e logo a notícia se espalha por toda a cidade. Por insistência de amigos, os Palha assumem a responsabilidade de cuidar do doente.

A compaixão de Sofia, — explicado o mal de Rubião pelo amor que ele lhe tinha, — era um sentimento médio, não simpatia pura nem egoísmo ferrenho, mas participando de ambos. Uma vez que evitasse alguma situação idêntica à do coupé, tudo ia bem. Nas horas em que Rubião estava lúcido, escutava-o e falavalhe com interesse, — até porque a doença, dando-lhe audácia nos momentos de crise, dobrava-lhe a timidez nas horas normais. Não sorria, como o Palha, quando Rubião subia ao trono ou comandava um exército. Crendo-se autora do mal, perdoava-lho; a idéia de ter sido amada até à loucura, sagrava-lhe o homem.

Seus delírios vão aumentando e o patrimônio diminuindo, até que o mineiro vai parar em um hospício. Rubião consegue fugir e, acompanhado do cão, retorna a Barbacena.

Enlouquecido, acredita ser Napoleão e profere a expressão gloriosa e famosa: “Ao vencedor, as batatas!”. Desabrigado e insano, Rubião morre na rua de sua cidade natal.

Análise do livro “Quincas Borba”

Publicado primeiramente como folhetim na revista “A Estação”, entre os anos de 1886 e 1891. O romance,  pertencente ao movimento do realismo, foi publicado definitivamente em formato de livro no ano de 1891, passando por algumas alterações mínimas.

A obra de Machado de Assis gira em torno das relações sociais, com base no comportamento que influencia diretamente na vida do outro. O livro também aborda as temáticas de traição, romantismo e loucura passional, relações baseadas no interesse e na exploração.

Assim, “Quincas Borba” representa a reafirmação dos princípios do humanitismo, criado pelo próprio autor, afirmando que todas as coisas que emanam e convergem é substância original do ser humano e que a Terra é dos mais fortes. 

“Quincas Borba” é considerado pela crítica moderna o segundo livro da trilogia realista machadiana, formada pelos clássicos “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (1881) e “Dom Casmurro” (1899).

Personagens principais

  • Rubião: Ex-professor na cidade de Barbacena que se milionário ao receber a herança de Quincas Borba. Fica louco após ter uma paixão não correspondida por Sofia;
  • Sofia Palha: esposa e cúmplice de Cristiano, alimenta os sentimentos de Rubião para roubar-lhe a fortuna;
  • Cristiano Palha: marido de Sofia e falso amigo de Rubião, responsável por roubar toda a herança do mineiro;
  • Quincas Borba: velho e herdeiro, não tinha família ou esposa, seus companheiros eram Rubião e seu cachorro que carregava seu nome.

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BRITO, Samara. Quincas Borba; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/quincas-borba >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 15:18.

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