Rachel de Queiroz

Jornalista, escritora e dramaturga, foi a primeira mulher na Academia Brasileira de Letras

Rachel de Queiroz foi uma importante escritora, tradutora, jornalista e dramaturga brasileira. Foi a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras e a receber o “Prêmio Camões”.

Biografia

Rachel de Queiroz
Escritora e jornalista Rachel de Queiroz. (Foto: Wikipédia)

Rachel de Queiroz nasceu no dia 17 de novembro de 1910 na cidade de Fortaleza, Ceará. Viveu parte da infância em uma fazenda da família, em Quixadá, retornando para Fortaleza alguns anos depois.

Em 1915, a família muda-se novamente para fugir de uma grande seca que atingia a região, desta vez o destino era o Rio de Janeiro. Dois anos depois a família de Rachel volta para a capital cearense.

Em 1921, ingressa no Colégio Imaculada Conceição, formando-se professora aos 15 anos. Foi professora substituta de história no mesmo colégio onde diplomou-se.

Carreira

Estreou sua carreira como escritora no jornal “O Ceará” em 1927. Após enviar uma carta ao jornal, foi convidada a colaborar na  publicação de páginas literárias e produção de crônicas e poemas de caráter modernista sob o pseudônimo de Rita de Queluz.

Nesse mesmo ano, publicou “História de um nome”, seu primeiro romance em forma de folhetim.

O Quinze

Rachel de Queiroz ficou nacionalmente conhecida ao 20 anos quando publicou seu primeiro romance, “O Quinze”. O romance, lançado na segunda fase do modernismo, retrata a seca de 1915 na região Nordeste do Brasil e a realidade dos retirantes nordestinos.

Imaginara retirar uma porção de gado para a serra. Mas, sabia lá? Na serra, também, o recurso falta… Também o pasto seca… Também a água dos riachos afina, afina, até se transformar num fio gotejante e transparente. Além disso, a viagem sem pasto, sem bebida certa, havia de ser um horror, morreria tudo.

Trecho do livro “O Quinze” (1915).

A obra, de cunho social, demonstra a preocupação com questões sociais e habilidades em análises psicológicas. Além disso, é profundamente realista diante da luta secular de seus personagens contra a miséria e a seca.

“O Quinze” foi bem recebido pelo público e deu bastante impulso para o romance regionalista, além de receber elogios de Mário de Andrade e de Augusto Schmidt e conquistado o “Prêmio Fundação Graça Aranha” (1931), na categoria romance.

Política e “Caminhos de Pedras”

Ao começar a se interessar por política social, Rachel de Queiroz integra o primeiro núcleo do Partido Comunista Brasileiro. Após a forte militância política no nordeste, muda-se para a região Sudeste do país.

Em 1932, lança o romanceJoão Miguel”, mais uma obra focada nas questões nordestinas, como a seca e o coronelismo. No mesmo ano, casou-se com o poeta José Auto da Cruz Oliveira.

Ao voltar para o norte, militou junto ao Partido Comunista. Nesse período escreveu e publicou o livro “Caminhos de Pedras” (1937), abordando as agitações políticas, os métodos de educação e a participação feminina na vida pública.

No mesmo ano, permaneceu presa durante três meses acusada de comunismo e por defender ideias esquerdistas, tendo alguns exemplares de seus romances queimados.

Prêmio Camões

Em 1939, já era considerada uma escritora consagrada. No mesmo ano publicou o livro “As Três Marias”, que lhe rendeu o “Prêmio Felipe d’Oliveira”.

Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde colaborou com o “Diário de Notícias” e “O Jornal”. Também fez parte da revista “O Cruzeiro”, na qual publicou, em quarenta edições de folhetins, o romance “O Galo de Ouro”.

Nesse fase,  separou-se do poeta José Auto, casando-se novamente com o médico Oyama de Macedo, com quem viveu até 1982, ano em que ficou viúva.

Em 1964, Rachel colaborou intensamente com o governo de 64 e apoiou a instalação da ditadura militar no Brasil. Fez parte do Conselho Federal de Cultura e do diretório nacional do Arena, partido político de sustentação do regime.

A partir desse momento, publicou diversas obras, inclusive o romance “Memorial de Maria Moura” (1992), o qual lhe conferiu o "Prêmio Camões" e a consagrou como a primeira mulher contemplada com tal premiação.

Crônicas, Teatro e Tradução

Rachel de Queiroz também colaborou semanalmente para “O Estado de São Paulo” e para o “Diário de Pernambuco”e escreveu milhares de crônicas, que posteriormente foram reunidas e publicadas em diversos livros.

Além de romancista, cronista e jornalista,  também foi uma importante dramaturga. Escreveu algumas peças para o teatro, entre elas “A Beata Maria do Egito” (1958), que recebeu o prêmio de teatro do Instituto Nacional do livro.

Além disso, traduziu mais de quarenta obras para português. Raquel de Queiroz faleceu no dia 4 de novembro de 2003, aos 92 anos, em sua casa no Rio de Janeiro, vítima de um ataque cardíaco.

 

Academia Brasileira de Letras

Em 4 de agosto de 1977, Rachel de Queiroz foi eleita para a Academia Brasileira de Letras (ABL), quebrando mais uma barreira e se tornando a primeira mulher a entrar para a Academia. Foi empossada em 4 de novembro de 1977, ocupando a cadeira 5 que pertencia a Cândido Mota Filho.

Curiosidade

  • Rachel de Queiroz era descendente, pelo lado materno da família, de José de Alencar, grande escritor brasileiro e autor de clássicos da literatura como “Senhora” e “Iracema”.

Principais obras de Rachel de Queiroz

  • “O quinze”, romance” (1930);
  • “João Miguel”, romance” (1932);
  • “Caminho de pedras”, romance (1937);
  • “As Três Marias”, romance (1939);
  • “A donzela e a moura torta”, crônicas (1948);
  • “O galo de ouro”, romance (folhetins na revista O Cruzeiro, 1950);
  • “Lampião”, peça de teatro (1953);
  • “A beata Maria do Egito”, peça de teatro (1958);
  • “A Beata Maria do Egito” (2005);
  • “Cem crônicas escolhidas” (1958);
  • “O brasileiro perplexo”, crônicas (1964);
  • “O caçador de tatu”, crônicas (1967);
  • “O menino mágico”, infanto-juvenil (1969);
  • “Dôra, Doralina”, romance (1975);
  • “As menininhas e outras crônicas” (1976);
  • “O jogador de sinuca e mais historinhas” (1980);
  • “Cafute e Pena-de-Prata”, infanto-juvenil (1986);
  • “Memorial de Maria Moura”, romance (1992);
  • “As terras ásperas” (1993);
  • “Teatro”, teatro (1995);
  • “Nosso Ceará”, relato (1996);
  • “Tantos Anos”, autobiografia (1998);
  • “Não me deixes: suas histórias e sua cozinha”, memórias gastronômicas (2000).

Citações

A vida é uma tarefa que não pode ser dividida com ninguém.

A gente nasce e morre só. E talvez por isso mesmo é que se precisa tanto de viver acompanhado.

Só sentia no coração fervor, convicção, desprendimento.

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BRITO, Samara. Rachel de Queiroz; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/rachel-de-queiroz >. Acesso em 18 de novembro de 2019 às 17:33.

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