Rodrigues Alves

Quinto presidente do Brasil. Enfrentou a primeira greve geral e a revolta da vacina

Francisco de Paula Rodrigues Alves nasceu no dia 7 de julho de 1848, em Guaratinguetá. Neto de fazendeiro e filho do comerciante e lavrador Domingos Rodrigues Alves, era o terceiro de treze irmãos.

Presidente Rodrigues Alves
Presidente Rodrigues Alves (Foto: Biblioteca da Presidência da República)

Rodrigues Alves iniciou os estudos na cidade natal. Em 1859 foi matriculado no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, onde foi colega de Joaquim Nabuco.

Aos 18 anos, ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo. Destacou-se na faculdade, devido a suas boas notas e sua atuação estudantil.

Rodrigues foi um dos líderes da Burschenschaft, conhecida como Bucha, que se tratava de uma misteriosa sociedade ativa na Faculdade.

Embora liberal, abolicionista e republicano, alguns estudantes, quando se tornaram estadistas, optaram pela orientação conservadora, escravocrata e monarquista. Muitos deles se destacaram na política imperial e republicana.

Rodrigues Alves foi militante político na ala conservadora em oposição aos liberais, além de fazer parte do jornal “Imprensa Acadêmica”, escrevendo sobre assuntos internacionais, especialmente sobre a Guerra do Paraguai (1865-1870).

Bacharelou-se em letras em 1870, em seguida retornou a Guaratinguetá. Rodrigues Alves tornou-se promotor público em sua cidade natal e dois anos depois iniciou na carreira política.

Foi eleito deputado provincial, com apoio do visconde de Guaratinguetá, Francisco de Assis de Oliveira Borges. Em 1873 foi nomeado juiz municipal e no ano seguinte foi reeleito deputado provincial.

Em 1875 casou-se com sua prima Ana Guilhermina de Oliveira Borges, neta do visconde de Guaratinguetá, um dos homens mais ricos do Brasil no Segundo Reinado.

Posteriormente juntou-se com a sogra e o irmão Virgílio e criaram uma empresa destinada a exploração fazenda da Três Barras e a expansão da cultura cafeeira.

Junto ao irmão, Rodrigues Alves acompanhou a marca do café para o oeste paulista, onde estabeleceu algumas fazendas.

Entre os anos de 1878 a 1879 exerce o segundo mandato na Assembleia Paulista junto a Prudente de Moraes e Martinho Prado. Já no ano de 1885 foi eleito deputado geral.

Durante o primeiro mandato como deputado, Rodrigues Alves defendeu o ensino obrigatório. Já no segundo, protestou quanto à interpretação do Ato Adicional, à questões religiosas e escravistas.

Governo do estado de São Paulo

No ano de 1887 foi eleito pelo gabinete Cotegipe como presidente da província de São Paulo. Assumiu o cargo em um momento de agitação, resultante das revoltas dos escravos e pela epidemia de varíola que viralizou na cidade de Santos.

Rodrigues retornou a Câmara de Deputados no ano seguinte, após o pedido de demissão do barão de Cotegipe do Conselho de Ministros. Nessa época alforria dos escravos estava em discussão.

Rodrigues Alves votou a favor da Lei Áurea. No mesmo ano recebeu o título de conselheiro do Império, concedido pela princesa Isabel. Desde então passou a ser chamado de conselheiro Rodrigues Alves.

Com o estabelecimento da república, filiou-se ao Partido Republicano Paulista (PRP). Fez parte da Assembleia Nacional Constituinte, porém teve uma participação sem muita projeção.

Em 1891, após a renúncia de Marechal Deodoro da Fonseca e o governo foi assumido por Marechal Floriano Peixoto. Rodrigo Alves foi nomeado, então, ministro da Fazenda com a tarefa de normalizar a crise financeira que se estabeleceu no país.

Em 1893 foi eleito senador pelo estado de São Paulo, sempre se manifestando em discussões ligadas a finanças, porém renunciou em 1894 para ocupar novamente a pasta da Fazenda no governo de Prudente de Moraes.

Rodrigues Alves foi o responsável pela consolidação das negociações dos empréstimos externos com os banqueiros ingleses da Família Rothschild, tal negociação foi denominada de "Funding Loan".

Em 1900, foi eleito presidente de São Paulo e durante a posse declarou sua intenção em estimular a lavoura.

Para Rodrigues, a crise não estava ligada apenas a oscilação do mercado internacional, mas também pela superprodução consequente da expansão dos cafezais. Assim, para garantir a mão de obra cafeeira, tomou medidas para estimular a imigração.

No entanto, precisou concentrar-se na epidemia de febre amarela e nos casos de peste bubônica que assolavam o estado. Devido a este fato, Rodrigues Alves criou o Instituto Butantã, um serviço de higiene publica dirigido pelo sanitarista Emílio Ribas.

Presidente da República

Apoiado pelo então presidente Campos Salles, Rodrigues Alves foi eleito presidente da República em 1902.

Tinha Francisco Silviano de Almeida Brandão como seu vice-presidente, porém Francisco faleceu antes de tomar posse, devido a isto, Affonso Penna foi o substituto.

Durante seu governo, Rodrigues Alves propôs algumas ideias que tinham o intuito de promover uma remodelação urbana e de saneamento da capital da República.

Rodrigues pretendia implantar um governo totalmente civil. Dentre as medidas adotadas, desejava a atenção da política externa, a vista disso, nomeou o Barão do Rio Branco para a pasta das Relações Exteriores.

A erradicação da febre amarela, que matou muitos brasileiros, e a campanha de vacinação obrigatória contra a varíola ficou a cargo do médico Oswaldo Cruz. A obrigatoriedade gerou uma revolta popular conhecida como Revolta da Vacina.

Além disso, planejava reurbanização na cidade do Rio de Janeiro, a então capital do país. Para possibilitar a realização do plano de obras, o presidente Rodrigues Alves desenvolveu uma firme gestão financeira.

Rodrigues promoveu um processo de modernização e urbanização no Rio, sob o comando do engenheiro e prefeito da cidade, Pereira Passos. Realizou o melhoramento e expansão do porto e da rede ferroviária nacional.

Construiu do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e gerou o incentivo à imigração. Enfrentou a primeira greve geral iniciada pelos operários da indústria têxtil que desejavam alteração no salário e na jornada de trabalho.

A conquista mais importante durante o governo de Rodrigues Alves foi o Tratado de Petrópolis, no qual o Brasil comprou a região do Acre que pertencia a Bolívia, anexando o território ao país.

Em troca, comprometeu-se a indenizar o Bolivian Syndicate of New York e a construir a Ferrovia Madeira-Mamoré, que possibilitaria o escoamento da produção da borracha pelos portos de Manaus e Belém.

Barão do Rio Branco também foi responsável por resolver as questões dos limites com o Peru, Colômbia e Uruguai através de negociações diplomáticas e pela legalização brasileira em Washington, criando a primeira embaixada.

Com uma política que gerou a valorização do café, sua administração foi bem sucedida financeiramente. Ao fim do mandato, deixou a presidência sem força política, mas com uma ótima reputação, sendo chamado de "o grande presidente".

Em 1912 foi eleito presidente do Estado de São Paulo pela terceira vez, ficou alguns meses afastado por motivo de saúde, mas retornou ao cargo até o fim do mandato. Depois voltou a ocupar uma cadeira no Senado.

Em 1918 foi eleito novamente como presidente da República, porém foi atingindo pela gripe espanhola e não conseguiu tomar posse. Em seu lugar assumiu o vice-presidente Delfim Moreira.

Rodrigues Alves faleceu no dia 16 de janeiro de 1919, no Rio de Janeiro. Seu corpo embalsamado foi velado na capela do Palácio do Catete e depois sepultado no Cemitério da Irmandade do Senhor dos Passos.

Curiosidade sobre Rodrigues Alves

  • No estado de São Paulo existe uma cidade chamada Presidente Alves, nomeada em homenagem ao presidente Rodrigues Alves.

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BRITO, Samara. Rodrigues Alves; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/rodrigues-alves >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 18:13.

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