Romantismo no Brasil

Movimento artístico, intelectual e filosófico que teve início em 1836

O Romantismo no Brasil teve seu marco inicial com a publicação do livro "Suspiros Poéticos e Saudades", de Gonçalves de Magalhães em 1836.

Na mesma época, surgiu a revista Niterói, com ideias românticas de Gonçalves de Magalhães, Porto Alegre e Torres Homem, também considerada precursora do romantismo brasileiro.

Surgido nos países da Europa no final do século XVIII, o Romantismo foi um movimento artístico e filosófico que teve como principal característica a visão de mundo centrada no indivíduo.

No Brasil, o movimento romântico explorou o lirismo, a subjetividade, a emoção e a valorização do “eu”. Por isso, é comum observar obras de artistas românticos retratando dramas pessoais, ideias utópicas, desejos de fuga da realidade e amores platônicos.

O Romantismo no Brasil foi também um movimento anticolonialista que contribuiu para a formação da identidade cultural brasileira. Dessa forma, foi uma forma de os intelectuais expressarem uma cultura genuinamente brasileira e antilusitana, distante dos moldes literários portugueses, que não retratavam a realidade do Brasil.

Apesar de preservar semelhanças com o movimento romântico europeu, como o Romantismo em Portugal, o Romantismo no Brasil possui diversas particularidades do contexto histórico local. Portanto, além da subjetividade, exaltação à natureza e do sentimentalismo, o romantismo no Brasil foi caracterizado pelo nacionalismo, pela culto ao índio, fuga da realidade, entre outras.

Contexto histórico

Com a vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil houve um desenvolvimento artístico e cultural no país, que se deu afinado com a produção literária europeia. Porém com a Independência do Brasil, surgiu uma nova mentalidade no povo brasileiro.

Romantismo na Brasil
Três renomados escritores do Romantismo: Gonçalves Dias, Manuel de Araújo Porto-Alegre e Gonçalves de Magalhães. (Foto: Wikipedia)

O momento conturbado, marcado por reformas políticas, ânimo de liberdade e sentimento nacionalista, ao mesmo tempo em que gerava insegurança, inspirava novos ares. Foi nesse contexto histórico de ambiente inseguro que surgiu o Romantismo no Brasil.

Assim, os autores do romantismo brasileiro, impulsionados por um sentimento de nacionalismo e valorização da pátria, buscaram refletir essa nacionalidade na literatura, negando tudo o que tinha origem na cultura portuguesa.

As primeiras obras românticas buscavam exaltar a cultura brasileira, torná-la independente da Europa e promover as belezas tropicais e nossos índios. Com autores utópicos, a primeira geração do Romantismo buscava diferenciar o movimento das origens europeias e adaptá-lo de maneira nacionalista.

A partir do nacionalismo, outras temáticas foram exploradas no romantismo brasileiro como o indianismo, o regionalismo, a pesquisa da história, do folclore brasileiro e linguística e a crítica aos problemas nacionais.

Dessa forma, o Romantismo no Brasil foi movimento que contribuiu para a formação da identidade cultural do país.

Os escritores brasileiros também começaram a se preocupar com temas que até o momento esquecidos ou não abordados como o subjetivismo, a liberdade individual e uma preocupação com os assuntos sociais.

O período romântico no Brasil teve início em 1836, com a publicação livro "Suspiros Poéticos e Saudades", do poeta Gonçalves de Magalhães e se estendeu até 1881, com a publicação do romance realista de Machado de Assis, "Memórias Póstumas de Brás Cubas".

Características do Romantismo no Brasil

O romantismo buscava se distanciar dos valores de urbanização, progresso e racionalidade. Mas é válido ressaltar que a literatura romântica no Brasil apresentou várias tendências.

Portanto, além do nacionalismo que norteou essa escola literária, a obra romântica foi marcada também pelo sentimentalismo, melancolia, saudade, liberdade na criação artística individualismo e imaginação.

Entre as características do Romantismo no Brasil, destacam-se:

  • Rompimento com a cultura tradicional da escola literária do Arcadismo no Brasil, na qual predominava a racionalidade e a ciência;
  • Individualismo e subjetividade, onde erma valorizadas as expressões dos sentimentos e manifestações do “eu”;
  • Liberdade e originalidade, na qual se lançava mão da criação livre de regras;
  • Idealismo, sobretudo, no que diz respeito à figura feminina, onde a idealização da mulher, muitas vezes, estava ligada a um amor platônico;
  • Indianismo, no qual o índio era temática das obras românticas, geralmente, apresentado como herói;
  • Escapismo ou fuga da realidade, na qual a produção das obras tinha como objetivo descrever o mundo como ele poderia ser, e não como ele realmente era;
  • Patriotismo chegando ao ufanismo, na qual a exaltação à pátria e ao nacionalismo era usada de maneira exacerbada;
  • Religiosidade, contrapondo o cientificismo presente das obras do Arcadismo;
  • Culto ou exaltação da natureza, a qual era tida como algo incontrolável e transcendental.

Fases dos romantismo brasileiro

O Romantismo Brasil foi voltado, sobretudo, para a literatura.

O movimento se dividiu em três fases que foram marcadas por certa unidade temática, embora cada geração tenha características peculiares. Alguns aspectos de uma fase projetou-se em outra, mas outros foram bem discrepantes.

As gerações do romantismo dividem-se em:

Primeira Geração – Geração Nacionalista ou Indianista

A primeira geração romântica foi marcada pela necessidade de afirmação da cultura nacional, exaltação da natureza, volta ao passado histórico e criação do herói nacional na figura do índio.

As obras dessa fase transmitiam valores de patriotismo, trazia à tona elementos da natureza brasileira e exaltava figura do índio, de onde surgiu a expressão geração indianista.

Os principais nomes dessa fase são: Gonçalves Dias, Gonçalves de Magalhães e Araújo Porto Alegre.

Segunda Geração – Geração do “Mal do Século”

A segunda geração romântica teve início por volta de 1850. As características mais marcantes desta época eram o pessimismo, desilusão, exaltação da morte, depressão e solidão. As temáticas dessa geração apresentavam um eu-lírico voltado mais para si do que para realidade à sua volta.

Também chamada de geração byroniana por receber influência da poesia de Lord Byron, suas obras foram carregadas de egocentrismo, pessimismo, dúvida, desilusão e tédio constante. O tema recorrente dessa fase foi a fuga da realidade.

Os principais autores dessa geração foram: Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Fagundes Varela.

Terceira geração – Geração Condoreira

A terceira geração romântica teve início por volta de 1860 e possuía um caráter social e político. As obras dessa fase transmitiam os ideais abolicionistas, críticas sociais e luta pela liberdade. As temáticas dessa fase refletiam as lutas internas e a situação político-social do país.

A terceira geração recebeu influências de Victor Hugo e de sua poesia político-social, por isso também ficou conhecida como geração hugoana. Outro termo utilizado para denominar essa fase do romantismo no Brasil foi condoreirismo.  A palavra fazia referência ao condor, uma águia tida como símbolo da liberdade.

O principal representante dessa fase foi: Castro Alves, juntamente com Tobias Barreto e Sousândrade.

Principais autores e obras românticas

Casimiro de Abreu

Poeta brasileiro de grande inspiração, seus versos ainda hoje lidos e apreciados com admiração. Sua principal obra foi a coletânea de poesia As Primaveras.

Romantismo no Brasil
José de Alencar, considerado um dos mais importantes escritores do Romantismo no Brasil. (Foto: Wikipédia)

José de Alencar

Considerado o fundador do romance brasileiro, a obra de José de Alencar explorou o nacionalismo. Sua escrita abordou uma temática, temática nova, genuinamente brasileira. Suas principais obras foram: O Guarani, Iracema, Ubirajara, As Minas de Prata, O Garatuja, O Ermitão da Glória, Lucíola, A Pata da Gazela, O Gaúcho, O Tronco do Ipê, O Sertanejo, dentre outros.

Castro Alves

Considerado um dos maiores poetas brasileiros, Castro Alves escreveu seus primeiros versos em defesa da abolição da escravatura. Ele participou ativamente das lutas liberais que motivavam sua geração. Suas principais obras foram: A Cachoeira de Paulo Afonso, A Revolução de Minas ou Gonzaga, e Espumas Flutuantes.

Álvares de Azevedo

Poeta brasileiro do ultrarromantismo, Álvares de Azevedo escreveu a Lira dos Vinte Anos, que só foi e publicada após a sua morte. Ele escreveu ainda A Noite na Taverna, Conde Lopo, Um Drama – incompleto – além de traduções e comentários críticos.

Gonçalves Dias

Poeta romântico brasileiro que escreveu a famosa Canção do Exílio.  Ele escreveu também Os Primeiros Cantos, Os Segundos Cantos e Sextilhas de Frei Antão e Últimos Cantos.

Joaquim Manuel Macedo

Romancista, poeta e jornalista brasileiro, Joaquim Manuel Macedo foi considerado um dos pioneiros do romance no Brasil. Seu primeiro romance foi A Moreninha. Ele escreveu também O Forasteiro, O Moço Louro, Os Dois Amores, O Culto do Dever, A Namoradeira.

Bernardo Guimarães

Jornalista, professor, crítico e poeta, Bernardo Guimarães foi um dos pioneiros do regionalismo romântico. Suas principais obras foram: O Ermitão de Muquém, A Escrava Isaura, O Garimpeiro, O Seminarista, Contos da Solidão, Poesias, Folhas de Outono e Novas Poesias.

Confira dois poemas famosos do Romantismo no Brasil

Álvares Azevedo

Se Eu Morresse Amanhã 

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã,
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
Que sol! que céu azul! que doce n’alva
Acorda ti natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã…
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

Manuel Antônio de Almeida

Arte de Amar

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus – ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

DIAS, Fabiana. Romantismo no Brasil; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/romantismo-no-brasil >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:57.

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