Saddam Hussein

O homem que dirigiu o Iraque com mãos de ferro por mais de duas décadas

Saddam Hussein Abd al-Majid al-Tikriti nasceu no dia 28 de abril de 1937 na aldeia Al-Awja. Pertencente a uma família pobre, não conheceu o pai. Foi enviado para morar com a família do tio materno ainda bebê, pois sua mãe não tinha condições de criá-lo.

Viveu com o tio até completar três anos, quando sua mãe casou-se novamente. Durante a infância, Saddam foi maltratado pelo padrasto. Assim, quando tinha cerca de 10 anos, fugiu de casa e voltou a viver em Bagdá com o tio.

Kharaillah Tulfa, tio Saddam e pai de sua futura esposa, era um devoto muçulmano sunita e um veterano da Guerra Anglo-Iraquiana de 1941. Orientado pelo militar, o jovem frequentou uma escola nacionalista.

Sob a influência de Tulfa, Saddam Hussein interessasse pelo militarismo e pela política ainda jovem. Mais tarde, ingressou em uma escola de lei iraquiana durante três anos, mas abandonou os estudos para aderir a um partido revolucionário pan-árabe, o Partido Socialista Árabe Ba'ath, do qual seu tio era defensor.

Líder iraquiano Saddam Hussein
Líder iraquiano Saddam Hussein (1937-2006). (Foto: Wikipédia)

Durante esse período, com cerca de 20 anos, sustentava-se dando aula em uma escola secundária. Alguns depois de ter entrado no Partido Ba’ath, o grupo se opôs ao governo Abd al-Karim Qasim, responsável por derrubar a monarquia de Faiçal II.

Assim, em 1959, envolve-se em uma conspiração mal sucedida, apoiada pelos Estados Unidos, para assassinar o primeiro-ministro iraquiano, considerado carrasco do monarca e líder do novo regime golpista.

Durante o atentado, que não obteve sucesso, Hussein acabou sendo baleado na perna. Foi acusado de complô e, em 1960, condenado à morte. Conseguiu escapar da sentença fugindo para a Síria e depois Egito, onde as autoridades lhe concederam asilo político.

Viveu na capital do Egito, local que concluiu os estudos secundários e iniciou na faculdade de Direito. Nessa época, foi profundamente influenciado pelo nacionalismo pan-árabe de Gamal Abdel Nasser e passou a se relacionar com jovens membros do Partido Ba’ath egípcio.

Ascensão ao poder

Em 1963, oficiais do exército com ligações com o Partido Ba’ath armaram um golpe e derrubaram Qasim do poder. Assim, Abdul Salam Arif tornou-se presidente e alguns membros do partido foram nomeados para o gabinete.

Ao retornar para o Iraque, Saddam Hussein ocupou o cargo de secretário. No fim do mesmo ano em que tomou o poder, o presidente demitiu e prendeu os líderes do Ba’ath.

Em 1967, Saddam escapou da prisão e logo se tornou um dos principais membros do partido. No ano seguinte, participou de um golpe de Estado que finalmente conduziu o partido ao poder, sob a liderança do General Ahmed Hassan Bakr.

Consequentemente, Al-Bakr foi nomeado presidente e Saddam seu vice e presidente adjunto do Conselho de Comando Revolucionário do partido Ba’ath.

Vice-presidência

Saddam Hussein atuou durante dois anos como vice-presidente.  Nesse período controlou o conflito entre os ministérios governamentais e as forças armadas, se aproximou da União Soviética, assinando em 1972 o “Tratado de Amizade e Cooperação” entre os dois países.

Mais tarde, selou acordos com a Alemanha Ocidental, Japão e Estados Unidos. Saddam se concentrou em atingir a estabilidade no país e, através de suas ações, construiu uma reputação como um político progressista e eficaz.

Com o auxílio do aumento dos rendimentos do petróleo, promoveu ativamente a modernização da economia iraquiana e implementou uma campanha de infra-estrutura nacional no qual fez grandes progressos na construção de estradas.

Durante o processo revolucionário também construiu uma elaborada rede de polícias secretas, que tinham como objetivo perseguir os dissidentes do regime para evitar golpes dentro da própria estrutura.

Governo Saddam Hussein

Em 1976, subiu para a posição de general nas forças armadas iraquianas. Al-Bakr já estava doente e velho, tornando-se incapaz de executar suas funções. Assim, Saddam o fez renunciar ao cargo em 16 de julho de 1979, e assumiu formalmente a presidência.

Uma das primeiras atitudes como presidente foi ordenar a retirada de supostos conspiradores entre os membros do partido, que acabou se tornando uma característica de seu governo.

Durante os 24 anos em que esteve no poder (de julho de 1979 a abril de 2003), Saddam Hussein iniciou uma guerra contra o Irã que mudaria o destino da região nas duas décadas seguintes. Os principais acontecimentos que marcaram seu governo foram:

Guerra Irã-Iraque (1980-1988)

Em 22 de setembro de 1980, utilizando a disputa de território como justificativa, Saddam Hussein conduziu uma guerra aberta contra o Irã que durou oito anos. Recebeu apoio dos Estados Unidos, da União Soviética e de vários países árabes que desejavam impedir a expansão de uma possível revolução islâmica em seus territórios.

Durante o conflito, aumentou a importação de armas do Ocidente, além  de utilizar gases tóxicos na frente de batalha e estreitado os laços com os regimes árabes moderados. Em 20 de agosto de 1988, ambos os países assinaram o cessar-fogo, não tendo um vencedor declarado. A guerra causou sérias dificuldades econômicas e mais de um milhão de mortes.

Guerra do Golfo (1990-1991)

A Guerra do Golfo começou em agosto de 1990, quando as forças militares do Iraque, seguindo ordens de Saddam Hussein, invadem o Kuwait sob alegação de que o território pertencia ao Iraque, pois este fazia parte da província iraquiana de Basra durante o Império Turco-Otomano.

O Kuwait era o oitavo produtor mundial de petróleo, assim, para defender a riqueza do país, várias potências ocidentais, lideradas pelos Estados Unidos, formaram uma coalizão contra o regime de Saddam Hussein.

No início de 1991, uma coligação dirigida pelos Estados Unidos obrigou o Iraque a retirar-se do Kuwait. Por fim, Saddam foi derrotado e aceitou os termos de rendição, como a criação de zonas de exclusão aérea no território iraquiano. A ONU (Organização das Nações Unidas) também decretou um embargo econômico que fez a população sofrer ainda mais com a pobreza.

Pós-guerra

Após os ataques terroristas do 11 de setembro 2001, liderados por Osama bin Laden, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, incluiu o Iraque na lista de inimigos do país e iniciou uma ofensiva contra o terrorismo.

Primeiro, invadiu o Afeganistão e, mais tarde, declarou guerra ao Iraque, sob a justificativa de que Saddam Hussein tinha ou desenvolvia armas de destruição em massa, contrariando as resoluções da ONU e mantendo vínculos terroristas. 

O líder iraquiano negou as acusações e acusou Bush de manipulação e puro interesse no controle do petróleo no Oriente Médio. Consequentemente, o presidente dos EUA enviou um ultimato para que ele deixasse o poder ou enfrentasse a guerra autorizada pela ONU.

Saddam não aceitou o pedido de retirada. Ficou desaparecido por meses até ser localizado em um porão de uma fazenda da cidade de Adwar, próximo a sua cidade natal.

Morte

Em 13 de dezembro de 2003, o ditador foi capturado pelas tropas americanas. Entregue as autoridades iraquianas, foi culpado pelos crimes contra a humanidade pelo Tribunal Especial Iraquiano e pelo assassinato de 148 xiitas.

Após condenação,foi enforcado na madrugada de 30 de dezembro de 2006, primeiro dia do Aid Al-Adha, a mais importante festa do calendário muçulmano. Sua execução foi celebrada pelos xiitas, mas simbolizou uma humilhação para os sunitas.

Saddam foi sepultado no mausoléu construído em vida. O prédio se tornou  lugar de culto para seus partidários até ser totalmente destruído. Atualmente restam apenas ruínas, às quais ninguém pode ter acesso sem  autorização especial.

Em torno do mausoléu também não sobrou nada das tumbas dos filhos e do neto do ditador, mortos em julho de 2003 pelos americanos, assim como a de seu primo “Ali, o Químico”, enforcado pela morte de milhares de curdos.

Curiosidade

  • “Saddam” em árabe significa “aquele que confronta”.

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BRITO, Samara. Saddam Hussein; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/saddam-hussein >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:23.

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