Santos Dumont

O pai da aviação

Santos Dumont foi o inventor do avião. Um cientista brasileiro curioso, conhecido como pai da aviação.

Seu nome completo é Alberto Santos Dumont. Ele nasceu em Palmira, atual Santos Dumont (cidade do estado de Minas Gerais), em 20 de julho de 1873 e faleceu no Guarujá, São Paulo, em 23 de Julho de 1932.

Além de um aeronauta e entusiasta da aviação, Santos Dumont era também um esportista e inventor.

Existem teorias que tiram os méritos de Santos Dumont na criação do avião. Muitos acreditam que a aeronave foi uma invenção dos estadunidenses irmãos Wright e na França creditam a invenção a Clément Ader.

A Fédération Aéronautique Internationale (FAI), órgão internacional que governa e regulariza os esportes aéreos no mundo, considera os irmãos Wrigth inventores e Santos Dumont como primeiro condutor da primeira atividade esportiva da aviação com o voo do 14 Bis.

O desejo de voar

Os pais de Dumont eram Henrique Dumont e Francisca de Paula Santos. Alberto era o sexto filho dos oito que o casal tinha, sendo três homens e cinco mulheres: Henrique dos Santos Dumont, Maria Rosalina Santos Dumont Vilares, Virgínia Santos Dumont Vilares, Luís dos Santos Dumont, Gabriela Santos Dumont, Alberto Santos Dumont, Sofia Santos Dumont e Francisca Santos Dumont.

Santos Dumont, segundo seus pais, com um ano furava balões para ver o que tinha dentro deles, afim de saber como e porque voavam. Para os pais já era um indício do gosto do filho pela aviação.

Em 1891 a família fez uma viagem a Paris e o inventor começou a despertar interesse para a área da mecânica. Desejo esse que o levou a construir um balão alguns anos depois, já começando seus inventos primários dentro da aviação.

Desde essa primeira criação, Dumont não parou de investigar a possibilidade de fazer um homem voar segundo suas próprias rotas e não sendo levado pelo vento como são os balões.

O trabalho de Santos Dumont era tão grande que a Câmara Municipal de Ribeirão Preto passou a financiar as pesquisas do jovem com um conto de reis. Esse incentivo pouco tempo depois culminou na criação do avião.

Infância diferente

Santos Dumont teve uma infância de gostos e desejos diferentes. Com cerca de sete anos ele guiava os locomóveis da fazenda. Aos doze se divertia como maquinista das locomotivas.

Apesar de se divertir com os transportes terrestres que cansava a qualquer adulto, Dumont não tinha realização completa. Queria mais velocidade do que tinha disponível na época.

“Como o homem poderia voar?” “Seria possível ir mais rápido que uma locomotiva?”, Ele se perguntava. Os submarinos já existiam, mas nada além de balões sobrevoavam os céus e Dumont queria ir além. Gostava de fazer pipas e vê-las voar, bem como os balões que fazia com papel de seda e soltava em época de São João, unicamente para ver o objeto subir aos céus.

Santos Dumont
Santos Dumont em sua oficina. (Foto: Wikipédia)

Santos Dumont e a França

O pai da aviação lia muito os textos dos escritores Camille Flammarion e Wilfrid de Fonvielle, que eram pesquisadores e cientistas franceses entusiastas da aviação.

Através das ideias e experimentos desses escritores, Dumont aumentou o interesse por voar e passou a se encantar pela França. Assim criou grande carinho e admiração pelo país, imaginando a novidade e progresso que o mundo teria quando o homem pudesse voar.

O esportista

Além do fascínio pela aviação, ele tinha gostos por alpinismo e automobilismo.

Todos seus hobbys e até seus conhecimentos técnicos foram lapidados na Europa, mais precisamente na França, quando passou a viajar turisticamente para lá com 18 anos e quando se tornou morador, após seus 24 anos.

O gosto pelo alpinismo não era nada aleatório, já que o esporte o fazia estar nas alturas. Quando esteve a passeio na Europa ele escalou o Monte Branco, na França, que possui 5 mil metros de altitude.

Os dirigíveis

Como já foi dito, a experiência dos balões não interessava a Dumont. Esse meio de transporte ficava a mercê dos ventos e não era conduzido pelo homem. Por isso ele começou a fazer testes em balões usando motores a gasolina.

Foram cerca de seis dirigíveis testados até conseguir chegar a bom resultado e em um reconhecimento mundial.

Para cada dirigível, Santos Dumont traçava uma rota e tentava seguir pelos ares controlando o transporte. A cada variação um avanço, até que o dirigível de número seis concorreu ao prêmio Deutsche e conseguiu vencer. O jovem ganhou 129 mil francos e distribuiu para sua equipe e alguns desempregados de Paris.

O 14 Bis

Também conhecido como Oiseau de Proie, em francês, o 14 Bis foi o primeiro aeroplano que Santos Dumont criou e que levantou um voo plano.

Após os testes com os dirigíveis e o avanço de conduzir um, Dumont queria fazer um novo meio de transporte. Mas o projeto dele era mais pesado que o ar, ao contrário do balão que voa por ser leve. Junto com alguns colegas que tinham os mesmos objetivos, ele conseguiu criar uma nova dinâmica para o meio de transporte que o fez voar.

Em 12 de novembro de 1906 o 14 Bis voou cerca de 200 metros e ganhou Prêmio Archdeacon e o Prêmio do Aeroclube da França.

Depois do Oiseau de Proie, Dumont fez mais duas versões do mesmo avião. O intuito era sempre o mesmo que tinha quando começou montando os dirigíveis: fazer o homem voar com total controle do transporte e cumprindo rotas de destinos sem interferências.

Aposentadoria, frustração e morte

Santos Dumont encerrou suas atividades em 1910 quando começou a adoecer. Ele teve esclerose múltipla e já não tinha mais o mesmo vigor que antes para criar e descobrir novas coisas, além de participar de competições.

Antes de morrer – com o avião totalmente adaptado ao uso do ser humano – Dumont teve que lidar com a frustração de ver sua criação sendo utilizada como objeto de guerra e, consequentemente, de morte.

Ainda passou um período estudando sobre astronomia, enquanto vivia na França. Tempo depois voltou ao Brasil e durante uma internação em um hospital no interior de São Paulo se suicidou.

Suicídio e atestado de infarto

Além da esclerose Santo Dumont também teve depressão. Enquanto ele estava internado em São Paulo acontecia a revolução constitucionalista (movimento armado que tentou tirar Getúlio Vargas do poder). Acredita-se que ele viu do hospital os aviões indo ao combate.

Quando ele viu os aviões a caminho da revolução ficou angustiado e aproveitou-se do momento sozinho, sem seu sobrinho que o acompanhava no hospital, e se enforcou com uma gravata.

O laudo médico de sua morte diz que ele faleceu de um ataque cardíaco, mas as enfermeiras o encontraram com uma gravada no pescoço e com sinal de auto estrangulamento.

Ele não deixou cartas e nenhum bilhete ou nota de suicídio.

O coração dele encontra-se no museu Força Aérea, no Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro, após o médico Walther Haberfield ter removido secretamente e posto formol para conservação. O médico ofereceu o órgão à família, que rejeitou. Por isso ele está hoje no museu.

O restante do corpo de Santo Dumont foi enterrado no Cemitério São João Batista, também no Rio de Janeiro.

Citações

As invenções são, sobretudo, o resultado de um trabalho teimoso.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Oliveira, Ana Cláudia. Santos Dumont; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/santos-dumont >. Acesso em 19 de novembro de 2019 às 06:32.

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