Semana de Arte Moderna

Manifestação artístico-cultural realizada em São Paulo no ano de 1922

A Semana de Arte Moderna marcou o início do Modernismo no Brasil, se tornando uma referência cultural do século XX. O evento apresentou uma nova visão de arte com uma estética inovadora, baseada em tendências das vanguardas europeias.

O evento trouxe novas ideias e conceitos artísticos com a declamação de poesias, concerto músicas e artes plásticas exibida em telas, esculturas e maquetes de arquitetura, com desenhos arrojados e modernos.

Realizada em uma época de turbulências no âmbito político, social, econômico e cultural, a Semana de Arte Moderna foi alvo de críticas por parte de alguns e ignorada por outros.

A Semana de Arte Moderna era um evento que faria parte das comemorações do centenário de Independência do Brasil. Inicialmente, o evento seria restrito, porém a ideia foi bem acolhida e o evento tomou proporções maiores.

Advinda no momento em que as novas vanguardas estéticas surgiam e o mundo se espantava com as linguagem livre de regras, a Semana de Arte Moderna inaugurou uma revolução estética e foi o marco do Modernismo no Brasil.

O objetivo da Semana de Arte Moderna era renovar o ambiente artístico e cultural mostrando o que havia na escultura, arquitetura, música e literatura numa perspectiva atual.

A marcou a renovação de linguagem, da busca pela experimentação, da liberdade de criação e da ruptura com o passado. O evento causou um choque em parte da sociedade, trazendo à tona uma nova visão sobre os processos artísticos.

Uma das figuras mais importantes da Semana de Arte Moderna foi o escritor Mário de Andrade que, lado do escritor Oswald de Andrade e do artista plástico Di Cavalcanti, articulou e organizou o evento.

Autores que fizeram parte da Semana de Arte Moderna
Mário de Andrade, Rubens Borba de Moraes e outros modernistas em 1922, dentre os quais (não identificados) Tácito, Baby, Mário de Almeida e Guilherme de Almeida e Yan de Almeida Prado. Foto: (Wikipedia)

Contexto histórico

A Semana de Arte Moderna foi a efervescência de ideias totalmente libertadas dos padrões tradicionais. Seu caráter nacionalista buscava uma identidade própria e uma forma livre de se expressar.

O país passava por diversas modificações sociais, políticas e econômicas. O capitalismo crescia no Brasil, consolidando a república e a elite paulista, que estava influenciada pelos padrões estéticos europeus mais tradicionais.

A Semana de Arte Moderna se encaixa no contexto da República Velha, controlada pelas oligarquias cafeeiras e pela política do café com leite. Os artistas da Semana de 22, em sua maioria, eram descendentes dessa oligarquia.

A ligação dos artistas com a política facilitou a realização do evento, que teve o apoio do governador de São Paulo. Além disso, a posição social dos artistas favoreceram viagens e estudo, que lhes possibilitaram trazer os modelos artísticos europeus para o Brasil.

Mal entendida na época, a Semana de 22 apresentava muito mais o desejo de experimentar diferentes caminhos do que o de definir um único ideal moderno. Assim, artistas, escritores, músicos e pintores que buscavam inovações estéticas realizaram a manifestação artística, política e cultural que reuniu artistas irreverentes e contestadores.

Características da Semana de Arte Moderna

O principal intuito dos artistas envolvidos na Semana de Arte Moderna era uma revolução na arte nacional. Eles buscavam também chocar o público que ainda estava envolvido com a arte conservadora. As principais características desse momento foram:

  • Aproximação da linguagem oral com utilização de uma linguagem mais simples, coloquial e vulgar;
  • Ausência de formalismo nas composições;
  • Ruptura com os padrões acadêmicos tradicionais;
  • Crítica ao Parnasianismo;
  • Valorização da cultura brasileira com temáticas nacionalistas e com relação ao cotidiano vivido pela população;
  • Liberdade de expressão;
  • Influência de vanguardas europeias como inspiração, tais como Futurismo, Cubismo, Dadaísmo, Surrealismo e Expressionismo;
  • Experimentações estéticas.

A Semana de 1922

Autores que fizeram parte da Semana de Arte Moderna
Cartaz do primeiro dia do festival da Semana de Arte Moderna Foto: (Wikipedia)

A abertura oficial da Semana de Arte Moderna foi no dia 13 de fevereiro. O público lotou Teatro Municipal de São Paulo. Com pinturas e esculturas espalhadas pelo saguão do teatro, o evento provocou espanto e repúdio no público.

O evento teve início com a palestra do escritor Graça Aranha intitulada “A emoção estética da Arte Moderna”; seguida de apresentações musicais e exposições artísticas.

No segundo dia do evento, dia 15 de fevereiro, houve a apresentação musical de Guiomar Novaes e a palestra de Menotti del Picchia sobre a arte estética. Na ocasião, ele apresentou os novos escritores dos novos tempos que foram recebidos com aplausos e vaias.

A segunda noite do festival terminou com algazarra quando o público fez coro para atrapalhar Ronald de Carvalho durante a declamação do poema “Os Sapos” de Manuel Bandeira. O poema era um acrítica ao Parnasianismo e à sua forma de fazer poemas com regras.

O terceiro dia do evento contou com uma apresentação musical do carioca Villa Lobos, com a participação de outros músicos, que exibia uma mistura de instrumentos.

Com um público reduzido, esse foi o dia mais tranquilo do festival.  No entanto, não pouparam Villa Lobos de vaias quando ele entrou no palco com um pé calçado com um sapato, e outro com chinelo

O público interpretou a atitude do artista como futurista e desrespeitosa, no entanto algum tempo depois descobriu-se que não se tratava de modismo e, sim, de um calo inflamado.

Reações e desdobramentos da Semana de 22

Houve uma reação conservadora à Semana de Arte de 1922 e ela não teve importância reconhecida em sua época. Era comum a mídia se referir aos artistas do movimento com subversores da arte, espíritos cretinos e débeis ou futuristas endiabrados.

Com o tempo a Semana de Arte Moderna o seu valor histórico reconhecido. As ideias propagadas na Semana de 22 se projetou ao longo do século e desdobrou-se em diversos movimentos diferentes, que levaram adiante a sua herança.

É possível perceber a influência da Semana de Arte Moderna Ainda em movimentos posteriores como Tropicalismo, na geração da Lira Paulistana nos anos 70 e na Bossa Nova.

A Semana de Arte Moderna também contribuiu para a aparecimento de outros movimento artísticos na época. Entre os movimentos que surgiram na década de 1920, destacam-se: Movimento Pau-Brasil, Movimento Verde-Amarelo e Grupo da Anta, Movimento Antropofágico.

As novas ideias apresentadas na Semana de Arte Moderna tiveram sua importância ampliada com a divulgação em revistas como: Revista Klaxon e Revista de Antropofagia

Principais Artistas

Os artistas que participaram da Semana de Arte Moderna tinham como objetivo mostrar uma nova visão de arte. O estilo era inspirado nas tendências da vanguardas europeias. A proposta era renovar a visão social e artística em vigência no país.

Embora tenha chocado um parcela da elite brasileira, a Semana de Arte trouxe uma representação artística com uma identidade brasileira. Houve uma ruptura com a forma tradicional de fazer arte que seguia modelos europeus.

Alguns artistas que participaram da Semana de Arte Moderna de 1922 foram:

  • Mário de Andrade (1893-1945),
  • Oswald de Andrade (1890-1954),
  • Graça Aranha (1868-1931),
  • Tarsila do Amaral (1886-1973),
  • Victor Brecheret (1894-1955),
  • Plínio Salgado (1895-1975),
  • Anita Malfatti (1889-1964),
  • Menotti Del Picchia (1892-1988),
  • Ronald de Carvalho (1893-1935),
  • Guilherme de Almeida (1890-1969),
  • Sérgio Milliet (1898-1966),
  • Heitor Villa-Lobos (1887-1959),
  • Tácito de Almeida (1889-1940) e
  • Di Cavalcanti (1897- 1976).

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

DIAS, Fabiana. Semana de Arte Moderna; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/semana-de-arte-moderna >. Acesso em 05 de dezembro de 2019 às 15:05.

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