Sigmund Freud

Médico neurologista que criou a psicanálise

Bolsas de Estudo

Sigmund Freud foi um médico neurologista austríaco, criador da psicanálise, um método revolucionário utilizado para o tratamento das psicopatologias, por meio de escuta do paciente. Seu estudo foi responsável pela revolução nas crenças científicas, uma vez que estabeleceu um entendimento peculiar sobre as motivações do ser humano.

Freud escreveu sobre seus casos clínicos e desenvolveu conceitos como: inconsciente, conflito psíquico, recalque, sexualidade infantil e pulsão de morte. Ele também ficou conhecido por suas teorias sobre o Complexo de Édipo e sobre a repressão psicológica. Para ele, o desejo sexual era a motivação primária da vida humana.

Biografia

Sigismund Schlomo Freud nasceu em Freiberg, na Morávia, pertencente ao Império Austríaco, no dia 6 de maio de 1856. Filho de Jacob Freud e de Amalie Nathanson, Freud tinha origem judaica. Aos quatro anos de idade Freud se mudou com a família para Viena, onde os judeus tinham melhor aceitação e melhores perspectivas econômicas.

Sigmund Freud
Considerado, o pai da psicanálise, suas teorias influenciariam a psicologia social contemporânea. (Foto: Pixabay)

Aos 17 anos ele ingressou no curso de Medicina da Universidade de Viena. Aluno destacado, durante os anos de faculdade, trabalhou no laboratório de neurofisiologia, até quando se formou em 1881. Ainda na faculdade ele se dedicou à pesquisa científica, onde teve contato com os estudos de fisiologia, anatomia e histologia do cérebro humano.

Em 1882, Freud conheceu Martha Bernays, com quem casou-se em 1886 e teve seis filhos: Mathilde, Jean-Martin, Olivier, Ernst, Sophie e Anna. O desejo de casar-se e a necessidade de ganhar dinheiro fizeram com que ele abrisse mão da pesquisa científica devido ao baixo salário e às poucas perspectivas de carreira, optando por trabalhar no Hospital Geral de Viena.

Freud ingressou no Hospital Geral de Viena como assistente clínico e, logo em seguida, foi promovido para médico interno. No hospital ele trabalhou em diversos departamentos e também se dedicou à pesquisa científica, com o estudo dos efeitos terapêuticos da cocaína, uma droga ainda pouco conhecida na época.

Durante o período que trabalhou no hospital de Viena, Freud recebeu uma licença para viajar para a França, onde trabalhou no hospital psiquiátrico Saltpêtrière. Por seis meses, Freud trabalhou com o neurologista francês Jean-Martin Charcot, observando o tratamento da histeria com o uso da hipnose, despertando assim, seu interesse pelo estudo dos distúrbios mentais.

Por volta de 1884, Freud passou a constituir o ponto de partida para a psicanálise. Esses estudos foram influenciados a partir do contato com o médico Josef Breuer que havia curado sintomas de histeria através da hipnose. Com o chamado método catártico, o paciente era capaz de recordar das situações que deram origem aos seus problemas.

Quando retornou para o Hospital Geral de Viena, Freud passou a atender pacientes com sintomas de problemas neurológicos não diagnosticados através de exames. O método de tratamento utilizado para esses pacientes envolvia massagem, terapia de repouso e hipnose.

Freud continuou suas experiências com o médico Josef Breuer e, em 1895, publicaram juntos o livro “Estudos sobre a Histeria”, obra que marcou o início de suas investigações sobre a psicanálise.

As técnicas de hipnose se tornaram o centro do trabalho de Freud. Em suas pesquisas, ele defendia que as memórias ocultas ou reprimidas nas quais baseavam-se os sintomas de histeria tinham sempre um cunho sexual.

Sigmund Freud e a psicanálise

O termo psicanálise foi criado por Freud para designar um método de investigação dos processos inconscientes e de outro modo inacessíveis do psiquismo. Suas teorias e técnicas receberam diversas críticas e Freud foi marginalizado por colegas durante muito tempo, tendo como seu único aliado Wilhelm Fliess.

A partir de 1896 o psicanalista passou a desenvolver uma pesquisa sobre sonhos que deu origem a obra “A Interpretação dos Sonhos” (1900). Tendo a si próprio como objeto de estudo, ele passou a anotar e analisar os próprios sonhos, onde fez remissões à sua infância, determinando a origem de suas próprias neuroses.

Sua autoanálise levou-o à conclusão de que a causa de seus problemas seria uma atração por sua mãe e a uma hostilidade em relação a seu pai. Essa teoria recebeu o nome de Complexo de Édipo e se tornou o centro de sua teoria sobre a origem da neurose em todos os seus pacientes.

Inicialmente suas publicações não tiveram repercussão. Freud trabalhou sozinho no desenvolvimento da psicanálise durante 10 anos, abrindo perspectivas para o seu desenvolvimento, se tornando primeiro estudioso a descobrir o instrumento capaz de atingir o inconsciente e explorá-lo em sua essência.

Em 1906, ele conseguiu juntar médicos como Eugen Bleuler, Carl Jung, Karl Abrahams, Ernest Jones, Sandor Ferenczi, que, em 1908, se reuniram no primeiro Congresso Internacional de Psicanálise, em Salzburg. Em 1909 surgiu o primeiro sinal de aceitação da psicanálise no meio acadêmico, quando Freud ele foi convidado para realizar conferências nos EUA, na Clark University, em Worcester.

Teoria, métodos e conceitos

Freud utilizou a interpretação dos sonhos e o método da livre associação para tratar seus pacientes. O método consistia em ele fazer os pacientes falarem qualquer coisa que lhes viessem à cabeça.

Com o método, ele conseguia desvendar os sentimentos reprimidos e após identificá-los, Freud os estimulava a expor esses sentimentos, conseguindo desta forma, tratar muitas doenças e transtornos mentais.

Ele acreditava que o sexo era um dos sentimentos reprimidos mais importantes. Essa sua teoria foi alvo de críticas e gerou uma polêmica na sociedade, no entanto, algum tempo depois outros médicos e pesquisadores aderiram à ideia de Freud.

Entre os principais conceitos desenvolvidos pelo psicanalista estão o inconsciente, o conflito psíquico, o recalque, a sexualidade infantil e a pulsão pela morte.

Principais obras de Sigmund Freud

Seus primeiros anos são desconhecidos já que ele destruiu a maioria de seus escritos pessoais e escritos posteriores foram protegidos. Só o seu biógrafo oficial, Ernest Jones, pôde ter acesso aos mesmos.

Em relação às obras publicadas, Freud escreveu um grande número de livros importantes. Em alguns deles, o Pai da Psicanálise responsabilizava a repressão da sociedade do período, como a grande causadora do dano psíquico que trazia graves consequências para o indivíduo.

Entre as suas principais obras estão:

  • Estudo sobre Histeria (1895)
  • A interpretação dos sonhos (1899)
  • A Psicopatologia da Vida Cotidiana (1901)
  • Três ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905)
  • Totem e Tabu (1913)
  • O Inconsciente (1915)
  • Introdução à Psicanálise (1917)
  • Psicologia das Massas e Análise do Ego (1923)
  • Psicanálise e Teoria da Libido (1923)
  • O Ego e o Id (1923)
  • Neurose e Psicose (1924)
  • O Futuro de uma ilusão (1927)
  •  O mal-estar na civilização (1929)
  •  Civilização e seus descontentes (1930)

Doença e Morte

Em 1923, Freud se submeteu a uma cirurgia para retirar um tumor no palato, passando a ter dificuldades para falar e sentir dores e desconforto. Os seus últimos anos de vida coincidiram com a expansão do Nazismo na Europa. Durante esse período Freud perdeu quatro das cinco irmãs nos campos de concentração em Viena, onde morou até 1938, quando a Áustria foi anexada à Alemanha nazista.

Quando os nazistas tomaram Viena, em 1938, Freud, que era de origem judia, teve sua biblioteca queimada e seus bens confiscados. Nessa ocasião, ele se refugiou na Inglaterra, onde uma parte de sua família já morava.

Após passar por 33 cirurgias, Sigmund Freud morreu de câncer aos 83 anos de idade em Londres, Inglaterra, no dia 23 de setembro de 1939. Há especulações que a causa de sua morte teria sido overdose de morfina.

O psicanalista sentia muita dor e, supostamente, ele teria pedido ao médico que lhe aplicasse uma dose excessiva de morfina para terminar com o sofrimento. Seus restos mortais estão no crematório de Golders Green, em Londres, na Inglaterra.

Citações

A inteligência é o único meio que possuímos para dominar os nossos instintos.

Nós poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons.

Sonhos são o caminho real para o conhecimento das atividades inconscientes.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

DIAS, Fabiana. Sigmund Freud; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/sigmund-freud >. Acesso em 18 de novembro de 2019 às 16:24.

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