Simone de Beauvoir

Uma das maiores pensadoras do feminismo moderno

Bolsas de Estudo

Simone de Beauvoir foi uma filósofa, professora, escritora, intelectual e feminista francesa. Integrante do movimento existencialista francês e considerada como importante teórica do feminismo, é autora de obras que contribuíram no campo dos estudos sobre o feminismo e na luta da igualdade de gênero.

Vida e carreira

Nascida em Paris, no dia 9 de janeiro de 1908, Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir, ou apenas Simone de Beauvoir, desde pequena demostrou certa tendência para a literatura.

Simone de Beauvoir foi educada em instituições católicas. Frequentou o Institute Adeline Désir, uma escola católica para meninas, em seguida, cursou matemática do Instituto Católico de Paris, depois deu início ao curso de literatura e línguas no Institute Saint-Marie.

Mais tarde, ingressou no curso de filosofia na Universidade de Sorbonne, Nesse período, entrou em contato com outros jovens intelectuais como René Maheu e Jean-Paul Sartre, com quem manteve um relacionamento durante quase cinquenta anos.

Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre mantiveram uma relação diferente do habitual no século XX. Eram parceiros intelectuais, mantinham um relacionamento aberto, não se casaram ou tiveram filhos, o que gerava certa polêmica na época.

feminista Simone de Beauvoir
Escritora e feminista, Simone de Beauvoir (1908-1986). (Foto: Wikipédia)

Apesar de pertencer a uma família católica, a jovem optou pelo ateísmo. Para ela “era-me mais fácil imaginar um mundo sem criador do que um criador carregado com todas as contradições do mundo”.

Em 1929, concluiu o curso de Filosofia. No mesmo ano, Beauvoir foi aprovada no exame da agrégation, um concurso para admissão de novos professores no sistema público de ensino da França, tornando-se a pessoa mais jovem e a nona mulher a obter este grau.

Entre 1930 e 1940, Simone de Beauvoir lecionou em diversas instituições incluindo a Universidade de Marseille, onde permaneceu até 1932. Mais tarde, passou por Ruen e pelo Lycée Molière.

Durante a ocupação da França pela Alemanha nazista, a filósofa fugiu do país e só retornou ao final do conflito. Ao lado de Sartre, era frequentadora de encontros filosóficos junto a outros importantes pensadores da época, como Merleau-Ponty e Raymnond Aron.

Os quatro, inclusive, fundam a revista “Os Tempos Modernos” (Les Temps Modernes), um importante veículo para a exposição de suas ideias.

Simone de Beauvoir carregava uma paixão por livros desde sua infância. Foi através de suas obras que a filósofa explorou sua visão social, abordando questões da filosofia existencialista, além de suas análises políticas e autobiografias.

Sua vida também foi marcada por sua atuação em movimentos sociais. Junto a seu companheiro, viajou por países como o Brasil, Cuba e China, além da União Soviética.

Beauvoir foi uma ativista política e feminista. Na década de 1970, a filósofa tornou-se ativa no movimento de libertação das mulheres francesas. Embora não se considerasse uma filósofa, teve uma influência significativa tanto no existencialismo feminista quanto na teoria feminista.

Simone de Beauvoir faleceu no dia 14 de abril de 1986, aos 78 anos de idade, vítima de pneumonia. Foi enterrada no Cemitério de Montparnasse, em Paris, no mesmo túmulo de seu companheiro Jean-Paul Sartre.

O que é existencialismo?

É o termo usado para determinar uma doutrina filosófica centrada na análise da existência e do modo como seres humanos têm existência no mundo. 

O filósofo Sören Kierkegaard é considerado o “pai do existencialismo”, ele sustentava que o indivíduo é o único responsável em dar significado à sua vida e em vivê-la da forma que mais o agrada, mesmo diante de muitos obstáculos e distrações.

Essa filosofia defende a autenticidade e liberdade como essenciais ao ser humano, apesar das consequências angustiantes que isso possa trazer. Reconhece que o homem é responsável por suas escolhas, não devendo aceitar os valores impostos pela sociedade.

Obras e pensamento de Beauvoir

Simone de Beauvoir escreveu romances, ensaios, biografias e autobiografia sobre filosofia, política e questões sociais. Fez parte do círculo filosófico que conferiam ao existencialismo um aspecto literário, trazendo-os para suas obras.

Adepta da liberdade e intensa ativista na militância pelo feminismo, a francesa foi uma das maiores teóricas do movimento feminista moderno, contribuindo significativamente na luta pela igualdade de gênero.

Beauvoir defendia a autonomia da mulher, de modo em que cada uma tivesse a liberdade de construir sua própria personalidade, através de suas escolhas. Deixava claro seu posicionamento em relação ao casamento e a maternidade.

Para ela, o casamento é como uma instituição problemática e falida da sociedade moderna, não funcionando como uma determinação de amor, mas sim como uma obrigação onde a mulher dedica toda sua vida a um marido. Já a maternidade seria uma espécie de escravidão, pois a mulher renuncia sua vida tendo para cumprir a obrigação de casar, ter filhos e cuidar da casa.

Simone de Beauvoir é autora de diversas obras, entre os títulos de destaque estão:

  • “O Segundo Sexo” (1949);
  • “A Convidada” (1943);
  • “O Sangue dos Outros” (1945);
  • “Os Mandarins” (1954);
  • “Memórias de uma moça bem-comportada” (1958);
  • “A Mulher Desiludida” (1967);
  • “A Velhice” (1970)
  • “Tudo Dito e Feito” (1972) e;
  • “A Cerimônia do Adeus” (1981).

“A Convidada”

Em 1943, Simone de Beauvoir publicou seu primeiro romance, “A Convidada”, no qual apresentou os dilemas existenciais de uma mulher de trinta anos, que se vê emocionalmente afetada após a chegada de uma jovem estudante que se hospeda em sua casa e ameaça abalar suas estruturas conjugais.

“O Segundo Sexo”

A mais conhecida obra de Beauvoir, “O Segundo Sexo” também é considerado um clássico do movimento feminista e expõe o papel da mulher em uma sociedade opressora pela dominação do homem. Publicada em 1949,  a autora anuncia sua rejeição ao tradicionalismo e a moral dentro da sociedade da qual ela mesma foi educada.

Simone de Beauvoir ainda é uma das principais figuras de referência no movimento feminista, foi eternizada por uma de suas frases mais célebres: “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher”.

“Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam de feminino. Somente a mediação de outrem pode constituir um indivíduo como um Outro. Enquanto existe para si, a criança não pode apreender-se como sexualmente diferençada. Entre meninas e meninos, o corpo é, primeiramente, a irradiação de uma subjetividade, o instrumento que efetua a compreensão do mundo: é através dos olhos, das mãos e não das partes sexuais que apreendem o universo.”

Autobiográficos

De Beauvoir também escreveu uma autobiografia dividida em quatro volumes, “Memórias de uma filha obediente”; “O Melhor da Vida”; “Força da Circunstância”; e “Tudo Dito e Feito”. Dentro dessas obras, entre outras coisas, narra sobre a formação católica que lhe marcou seus primeiros anos de vida e sobre a morte de sua mãe, vítima de uma doença cruel.

Citações

É horrível assistir à agonia de uma esperança.

Por vezes a palavra representa um modo mais hábil de se calar do que o silêncio.

O presente não é um passado em potência, ele é o momento da escolha e da ação.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

BRITO, Samara. Simone de Beauvoir; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/simone-de-beauvoir >. Acesso em 18 de novembro de 2019 às 16:20.

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