Sincretismo e Religiões Afro-brasileiras

A diversidade na construção das religiões brasileiras

O sincretismo é definido como a fusão de várias religiões. Esse conjunto de doutrinas religiosas sofrem, na maioria das vezes, a reinterpretação de seus elementos, como é o caso das religiões Afro-brasileiras.

História do Sincretismo e Religiões Afro-brasileiras

Com a colonização do Brasil, abriu-se espaço para uma diversidade de religiosidades. Os povos de diversas regiões da África trouxeram consigo as variadas crenças, que foram se adequando ao novo espaço. Sendo assim, o contato entre as nações africanas possibilitou aos africanos a propagação de um grande número de divindades.

Durante esse processo, a Igreja Católica tentou a todo tempo inserir as doutrinações cristãs como oficiais, impedindo que os escravos realizassem suas danças, rezas, cantos que ocorriam nas senzalas. Porém, como retaliação, por diversas vezes, os negros realizavam mobilizações religiosas em dias-santos ou durante festividades católicas.

Para alguns representantes da elite colonial, a permissão de crenças religiosas possibilitava que a rivalidade entre grupos diferentes permanecesse e assim diminuiria a fuga, afinal um povo não abrigaria povos de regiões diferentes. 

Apesar de alguns participarem de mobilizações das crenças católicas, eles não abandonavam sua fé nos orixás, voduns e inquices oriundos de sua terra natal. Com o tempo, essa existência simultânea de diversas religiões deu espaço para novas experiências religiosas, que misturavam elementos africanos, cristãos e indígenas.

E é por essa razão que atualmente diversos santos católicos correspondem a determinadas divindades de origem africana. Sendo assim, observa-se que o crescimento da cultura religiosa brasileira foi consolidada através de muitas trocas e junções.

Sincretismo e Religiões Afro-brasileiras
O Sincretismo foi fundamental para o desenvolvimento da cultura religiosa brasileira. (Foto: Flicker)

Religiões Afro-brasileiras

Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil é o país que mais possui africanos fora da África, chegando a 54% da população negra do país.

Porém, as características africanas não são vistas apenas na cor da pele, mas também na comida, música, religião, entre outras heranças.

Quando relacionado a religião, duas são mais conhecidas que são o Candomblé e a Umbanda. Porém, existem outras que possuem características africanas, como Xangô e a Jurema, também conhecida como Catimbó.

Candomblé

Entre os anos de 1549 e 1888, os sacerdotes africanos vieram para o Brasil como escravos, juntamente com seus orixás/nkisis/voduns, sua cultura e seus idiomas.

O Candomblé é uma das religiões que carregam características da África, mas também de outras doutrinações brasileiras. Como os africanos eram proibidos de exercitarem a sua fé, ele passaram a unificar seus símbolos aos da Igreja Católica. Com essa junção, surgiu a Candomblé afro-brasileiro.

Embora alguns defendam que o Candomblé seja uma religião que cultua vários deuses, o deus único para a Nação Ketu é Olorum, já para a Nação Bantu é Nzambi.

Umbanda

Confundida com o Candomblé, a Umbanda é uma religião originalmente brasileira, que teve bastante influência candomblecista. Fundada em 1908 pelo Médium Zélio Fernandino de Moraes e de seu guia, o Caboclo 7 encruzilhadas, a Umbanda carrega também algumas características do espiritismo.

No Brasil, o Rio Grande do Sul tem a maior proporção nacional de adeptos da Umbanda e do Candomblé, que é de 1,47% da população.

O dia 15 de novembro, já considerado pelos adeptos como a data do surgimento da Umbanda, foi oficializado no Brasil em 18 de maio de 2012 pela Lei 12.644. Quatro anos depois, a religião foi incluída na lista de patrimônios imateriais.

Jurema

A Jurema é uma doutrina praticada pelos índios da Região Norte e Nordeste do Brasil, antes da chegada dos portugueses. Os praticantes dessa religião têm um grande domínio das ervas, em especial acerca da árvore que deu o nome a religião. Da planta, eles utilizam raízes, cascas e folhas, tudo com o intuito de obter a cura de enfermidades.

Também conhecida como Catimbó, a religião é considerada um culto de transe, onde as entidades, conhecidas como Mestres, se utilizam do corpo do catimbozeiro e, por um período, tomariam todos os domínios básicos do corpo.

Semelhante ao que ocorre na Umbanda, onde os espíritos se organizam em direita e esquerda conforme a natureza positiva ou negativa que possuam, mas trabalhando de acordo com a vontade do médium, os Mestres são relativamente neutros, podendo operar tanto boas quanto más ações.

Xangô

Muito parecido com o Candomblé da Bahia, o Xangô de Pernambuco cultua os orixás de origem ioruba, além de haver sincretismo associados a Igreja Católica. Ela também é conhecida por praticar o sacrifícios dos animais em homenagem as divindades.

Uma das coisas que diferencia ela de outras religiões afro é que se pode notar que os deuses não são colocados de uma forma distante e misteriosa. Cada um dos devotos assume para si a pertença de um determinado santo, chegando ao ponto de assimilar alguns comportamentos, gostos e preferências que são usualmente ligadas à divindade que lhes guia.

Eles acreditam em uma relação de intimidade cercada por ações que extrapolam os limites do lugar de adoração.

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BARBOSA, Elson. Sincretismo e Religiões Afro-brasileiras; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/sincretismo-e-religioes-afro-brasileiras >. Acesso em 29 de janeiro de 2020 às 17:41.

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