Triste Fim de Policarpo Quaresma

A vida e os grandes planos do maior patriota brasileiro

A obra “Triste Fim de Policarpo Quaresma” se passa na cidade do Rio de Janeiro no fim do século XIX. Narra a história do protagonista Policarpo Quaresma, um idealista e patriota que beira a alienação. A obra de Lima Barreto, publicada em 1915, é um clássico da Literatura Brasileira.

Resumo

Policarpo Quaresma, mais conhecido por Major Quaresma, era um homem que mantinha os mesmo hábitos há quase trinta anos. Policarpo não era major de verdade, nunca havia ocupado um posto militar, aos dezoito anos foi considerado incapaz pela junta de saúde.

Major Quaresma fora apelidado assim devido ao patriotismo exaltado a sua cidade e a seu país. Apesar do desgosto, não deixou de amar a "terra que o viu nascer". Trabalhava como subsecretário do Arsenal de Guerra e vivia sozinho.

Durante os lazeres burocráticos, estudou, mas estudou a Pátria, nas suas riquezas naturais, na sua história, na sua geografia, na sua literatura e na sua política. Quaresma sabia as espécies de minerais, vegetais e animais que o Brasil continha; sabia o valor do ouro, dos diamantes exportados por Minas, as guerras holandesas, as batalhas do Paraguai, as nascentes e o curso de todos os rios. Defendia com azedume e paixão a proeminência do Amazonas sobre todos os demais rios do mundo.

Era cortês com os vizinhos, mas não tinha amigos, nem inimigos. O único desafeto de Policarpo era um conhecido médico da região, o doutor Segadas, que não aceitava que um homem sem formação acadêmica tivesse tantos livros.

Todos da vizinhança já conheciam os hábitos do Major, contudo a presença, três vezes por semana e em dias certos, de um senhor baixo, magro, pálido, com um violão agasalhado numa bolsa de camurça causou murmúrio entre os vizinhos.

Apenas o compadre Coleoni e afilhada Olga visitavam o homem, desta forma, as vizinhas esticavam a cabeça quando passavam diante da janela aberta do subsecretário para descobrir o que o ele estava aprontando.

Não foi inútil a espionagem. Sentado no sofá, tendo ao lado o tal sujeito, empunhando o “pinho” na posição de tocar, o major, atentamente, ouvia: “Olhe, major, assim”. E as cordas vibravam vagarosamente a nota ferida; em seguida, o mestre aduzia: “É ‘ré’, aprendeu?” Mas não foi preciso pôr na carta; a vizinhança concluiu logo que o major aprendia a tocar violão. Mas que coisa? Um homem tão sério metido nessas malandragens!

Naquela época, o violão era um instrumento mal visto pela burguesa sociedade carioca, pois era considerado um representante do espírito popular do país. Policarpo era tão patriota que buscava se aproximar das coisas verdadeiramente brasileiras.

No seu dia a dia, comia comidas típicas do Brasil, interessou-se pelo violão para tocar músicas brasileiras, vestia trajes nacionais e, no último ano, resolveu se dedicar aos estudos da língua tupi-guarani.

No auge do seu amor pela pátria, Policarpo Quaresma decide escrever uma carta para o ministro, no idioma tupiniquim, sugerindo que reconhece a língua como o idioma oficial da nação brasileira.

“Policarpo Quaresma, cidadão brasileiro, funcionário público, certo de que a língua portuguesa é emprestada ao Brasil; certo também de que, por esse fato, o falar e o escrever em geral, sobretudo no campo das letras, se vêem na humilhante contingência de sofrer continuamente censuras ásperas dos proprietários da língua; sabendo, além, que, dentro do nosso país, os autores e os escritores, com especialidade os gramáticos, não se entendem no tocante à correção gramatical, vendo-se, diariamente, surgir azedas polêmicas entre os mais profundos estudiosos do nosso idioma — usando do direito que lhe confere a Constituição, vem pedir que o Congresso Nacional decrete o tupi-guarani, como língua oficial e nacional do povo brasileiro.”

Trecho da carta enviada por Policarpo Quaresma a Câmara.

O pedido de Policarpo se tornou assunto por toda cidade, sendo publicado até no jornal. O major sentia-se bem naquele ambiente falso, mas não compreendia o motivo de tanto alarde e má vontade.

Após esse caso, Policarpo Quaresma foi considerado louco e internado em um hospício recebendo a visita apenas de Olga e de seu pai.

Quaresma saiu envolvido, penetrado da tristeza do manicômio. Voltou à sua casa, mas a vista das suas coisas familiares não lhe tirou a forte impressão de que vinha impregnado. Embora nunca tivesse sido alegre, a sua fisionomia apresentava mais desgosto que antes, muito abatimento moral, e foi para levantar o ânimo que se recolheu àquela risonha casa de roça, onde se dedicava a modestas culturas.

Ao retornar para casa, por ideia de Olga, o major resolve se mudar para um sítio – chamado de Sossego, um lugar mais afastado da cidade. Logo após a mudança, Policarpo descobre uma nova paixão: a botânica.

Então passou a estudar a terra para provar que a excelência da fertilidade do solo brasileiro. Lutava contra as pragas e incentivava que outras pessoas da região se dedicassem a agricultura para ajudar no crescimento econômico do Brasil.

Nesse momento surge mais um problema na vida do major, após se recusar a ajudar o tenente Antonino Dutra a realizar a festa da Conceição, por ser contra a politicagem e a troca de favores, os vizinhos se juntam em um complô para dificultar sua vida no sítio.

Assim, passam a cobrar taxas e impostos que não existiam antes, pedem que capine todo o redor do sítio, além de diminuir os lucros. Tudo isso desanima Policarpo que, após saber da disseminação da Revolta da Armada, nutre esperanças de uma mudança no governo.

Major Quaresma retorna ao Rio de Janeiro e a convite do comandante Marechal Floriano Peixoto é incorporado a um batalhão, o “Cruzeiro do Sul”, com o posto de major mesmo sem nunca ter qualquer experiência militar.

Seu antigo professor de violão, Ricardo Coração dos Outros, também se junta ao grupo de revoltosos. No decorrer da guerra, Policarpo percebe que o marechal de ferro não dava importância a suas propostas de governo.

Certo dia, Policarpo Quaresma mata um homem no campo de batalha. Arrependido do que fez, se afasta da revolução. A revolta chega ao fim e Policarpo é preso sem motivo. É nesse momento que passa a questionar o valor do seu patriotismo.

A pátria que quisera ter era um mito; era um fantasma criado por ele no silêncio do seu gabinete. Nem a física, nem a moral, nem a intelectual, nem a política que julgava existir, havia. A que existia de fato, era a do Tenente Antonino, a do doutor Campos, a do homem do Itamarati.

Ricardo tenta salvar o major a todo custo. Por fim, recorre a Olga, que vai até o Marechal pedir a soltura de seu padrinho. No entanto, o homem é considerado um bandido traidor, condenado ao fuzilamento, por ordem do presidente Floriano Peixoto

Olga se arrepende de ter ido pedir o perdão. “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, ela acredita que Policarpo Quaresma merece morrer com seu orgulho, como um herói.

Análise do livro “Triste Fim de Policarpo Quaresma”

Livro Triste Fim de Policarpo Quaresma
Livro “Triste Fim de Policarpo Quaresma” de Lima Barreto (Foto: Site Saraiva)

Publicado inicialmente no ano de 1991 na edição da tarde do “Jornal do Commercio”, no Rio de Janeiro, “Triste Fim de Policarpo Quaresma” só foi publicado pela primeira vez em livro em 1915.

Escrito pelo brasileiro Lima Barreto, a obra pertence ao pré-modernismo e é considerada a principal representante desse movimento.

Escrito no começo da implantação do Brasil República, proclamada por Marechal Deodoro da Fonseca, quando o país passava por um período de esperança e progresso, o autor se preocupava em denunciar problemas sociais da época.

Assim com Dom Quixote passava horas “viajando” nos seus livros de cavalaria, Policarpo Quaresma devaneava em meio a seus livros sobre a história do Brasil, mergulhando no mundo dos sonhos patrióticos, até que sua loucura emerge e toma todos de surpresa.

Através de Policarpo Quaresmo, Lima Barreto critica o nacionalismo e a República, ao mesmo tempo em que usa o humor para apresentar o Brasil naquele período social e histórico.

Principais personagens

  • Policarpo Quaresma: um homem pequeno, magro e que despertava a curiosidade da vizinhança. Mantinha os mesmo hábitos há muitos anos, era funcionário público, estudioso e um patriota apaixonado pelo Brasil;
  • Ricardo Coração dos Outros: Professor de violão e único amigo de Policarpo;
  • Olga: afilhada de Policarpo, apoiava o padrinho mesmo diante de suas louras;
  • Coleoni: pai de Olga e compadre do Major Quaresma;
  • Anastácio: empregado negro de Policarpo Quaresma e servo fiel.

Curiosidades

  • Intitulado “Policarpo Quaresma, Herói do Brasil” o livro foi adaptado para o cinema em 1998. Com roteiro de Alcione Araújo e dirigido por Paulo Thiago, respeita a linha da história escrita, mas adiciona uns acontecimentos que não fazem parte do exemplar, como o fuzilamento do Major.
  • A obra de Lima Barreto também foi adaptada para o teatro em 2010 pelo premiado e considerado diretor teatral Antunes Filho.

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BRITO, Samara. Triste Fim de Policarpo Quaresma; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/triste-fim-de-policarpo-quaresma >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 15:03.

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