Vinícius de Moraes

Um dos principais nomes da literatura e da música brasileira

Vinícius de Moraes foi um poeta, dramaturgo, jornalista, diplomata, escritor, cantor e compositor brasileiro. Autor de importantes obras literárias, da peça “Orfeu da Conceição” e compositor de canções de destaque, “o poetinha” foi um dos maiores criadores da cultura brasileira.

Biografia

Moraes nasceu em 19 de outubro de 1913 na cidade do Rio de Janeiro. Batizado como Marcus Vinitius da Cruz de Melo Moraes, só foi registrado como Vinicius de Moraes aos nove anos.

Filho de Lydia Cruz de Moraes e de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, é o segundo de quatro filhos. Em 1917, entrou para a Escola Primária Afrânio Peixoto.

Escritor e cantor Vinicius de Moraes
Escritor e compositor Vinicius de Moraes (1913-1980). (Foto: Wikipédia)

Vinicius foi batizado na maçonaria, por desejo do avô materno, em 1920 e, aos 10 anos, fez a primeira comunhão na Igreja da Matriz, em Botafogo.

Em 1924 deu início ao curso secundário no Colégio Santo Inácio, nessa época já escrevia seus primeiros versos e poemas, além de participar ativamente das atividades artísticas escolares, executando papeis de ator e cantor em peças infantis.

Vinicius também cantava no coro da igreja e junto com os amigos do colégio formou um pequeno conjunto musical para tocar em festinhas. Além de Paulo e Haroldo Tapajós, também faziam parte do grupo Maurício Joppert e Moacir Veloso Cardoso de Oliveira.

No ano de 1928, ainda adolescente, Vinicius de Moraes compôs as primeiras canções. Com Haroldo Tapajós fez a canção “Loura ou Morena” e, com Paulo Tapajós compôs “Canção da noite”.

Vinicius tornou-se Bacharel em Letras pelo Colégio Santo Inácio e com apenas 17 anos, ingressou na Faculdade de Direito da Rua do Catete, no Rio de Janeiro. Lá conheceu alguns intelectuais que marcaram sua vida.

Carreira artística

Em 1932 foi publicado o primeiro poema de Vinicius de Moraes na revista “A Ordem”. A publicação, editada pelo intelectual católico e crítico literário Tristão de Athayde, apresentou um autor jovem e conservador, com um poema bíblico de 152 versos intitulado “A transfiguração da montanha”. No mesmo ano os irmãos Tapajós gravam as canções composta com Vinicius.

Vinicius bacharelou-se em direito em 1933, em seguida publicou seu primeiro livro de poemas “O caminho para a distância”, pela Schmidt Editora. Dois anos depois a publicação de seu segundo livro.

Forma e exegese”, publicado pela editora Irmãos Pongetti, ganhou reconhecimento pela crítica, recebendo inclusive comentários positivos de Manuel Bandeira. Além disso, a obra ganhou o prestigioso prêmio anual de poesia "Felipe de Oliveira".

Vinicius de Moraes passou a frequentar assiduamente as rodas literárias e boêmias do Rio de Janeiro, algo que se tornou um dos principais traços de sua vida e obra. Nessa época, tinha entre seu círculo de amigos o poeta Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade.

Em 1938, a bordo de um navio a caminho da Inglaterra, escreveu um dos seus poemas mais famosos, chamado “Soneto da separação”. Um gracioso e triste poema que trata sobre o final de uma relação amorosa.

Soneto de separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinicius passou por um certo período de isolamento. Aprofundou-se na leitura e na escrita, quando adquiriu um interesse especial pela técnica do soneto e pela obra poética de William Shakespeare.

Mudança de fase

Em 1940, as obras literárias de Vinícius de Moraes foram marcadas por versos em linguagem mais simples e sensual, no entanto estavam repletas de temas sociais. A nova fase foi marcada pelos livros “Cinco Elegias” (1943) e “Poemas, Sonetos e Baladas” (1946).

Junto ao grupo de jovens intelectuais da época, entre eles Mário de Andrade, participou da fundação da revista “Clima”. Posteriormente, sem perspectiva de atuar na área diplomática, passou a trabalhar como jornalista e crítico de cinema.

No ano de 1943, Vinícius de Moraes obteve êxito no concurso do Itamaraty e ingressou na carreira diplomática, função que ocupou até 1968, quando foi cassado pelo regime militar. Mesmo trabalhando nos serviços burocráticos, permaneceu na carreira jornalística.

Orfeu e Tom Jobim

Em 1954 foi publicada uma das mais famosas obras de Vinicius, um conjunto de poemas reunidos pelo autor em “Antologia poética”.

No mesmo ano publicou sua peça teatral “Orfeu da Conceição”, premiada no concurso do IV Centenário de São Paulo e publicada na revista Anhembi. Era o começo de um ciclo de trabalhos ao redor de Orfeu nos anos seguintes.

Tempos depois conheceu o então jovem Antônio Carlos Jobim, onde nasceu além de uma das mais fecundas parcerias da música brasileira e a fundação de um gênero musical marcaria definitivamente o país.

Bossa Nova

A Bossa Nova é um gênero musical originado no Brasil no fim da década de 1950. Vinicius de Moraes, Tom Jobim e João Gilberto são os principais nomes desse movimento que se tornou o mais influente da história da música popular brasileira.

Essa parceria deixou um legado valioso, através de várias joias da música nacional, entre as de maiores sucessos estão:

  • Chega de Saudade;
  • Garota de Ipanema;
  • Desafinado;
  • Eu Sei Que Vou Te Amar;
  • Se Todos Fossem Iguais A Você;
  • Águas de março;
  • Outra Vez;
  • Coisa mais linda;
  • Corcovado;
  • Insensatez;
  • Maria Ninguém;
  • Samba de uma nota só;
  • Saudade fez um Samba.

Novas parcerias

Na década de 1960 ocorreu a explosão da Bossa Nova. Vinícius de Moraes registrou pela primeira vez sua voz em uma canção, inaugurou a peça “Procura-se uma rosa“, de sua autoria, e participou de “O Encontro”, um dos mais importantes concertos da Bossa Nova.

Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração

Eu, por exemplo, o capitão do mato
Vinicius de Moraes
Poeta e diplomata
O branco mais preto do Brasil
Na linha direta de Xangô, saravá!
A bênção, Senhora
A maior ialorixá da Bahia

Trecho da música “Samba de bênção” de Vinicius de Moraes na qual ele mistura poesia, história, religião e autobiografia.

Na época, várias de suas composições foram gravadas por grandes nomes da Música Popular Brasileira (MPB), como Elza Soares, Jair Rodrigues, Jorge Goulart, Pery Ribeiro e o Tamba Trio.

Em 1961 deu início a novas parcerias ao começar a compor com os compositores e violonistas Carlos Lyra e Baden Powell. Tornou-se parceiro de seu grande ídolo, Alfredo Pixinguinha e também de Ary Barroso, grande nome da MPB.

Volta ao Brasil e morte

Vinicius de Moraes passou uma longa temporada morando fora. Regressou ao Brasil depois do golpe milita de 64 e continuou exercendo seu trabalho como jornalista, cronista e crítico cinematográfico.

No decorrer dos anos,  Moraes produziu diversos trabalhos. Realizou novas composições e parcerias, escreveu novas peças e produziu novos livros. Nesse período também acumulou premiações, parcerias e convites de notoriedade.

O poetinha“, como era chamado pelos amigos, teve uma vida amorosa bastante agitada, o artista casou-se nove vezes e teve cinco filhos.

Voltando de uma viagem à Europa, em 1979, sofreu um derrame decorrente de suas diabetes. Na ocasião, perdeu os originais do seu nunca terminado livro “Roteiro lírico e sentimental da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro”.

Vinicius de Moraes morreu de edema pulmonar no dia 9 de julho 1979, em sua casa na Gávea, no Rio de Janeiro, ao lado de seu parceiro Toquinho e de Gilda Mattoso.

Obras de Vinícius de Moraes

Assim como Drummond, Vinicius de Moraes foi um escritor pertencente a “geração de 30”, uma geração preocupada com as questões sociais, inovando seus discursos e misturando-o com elementos mais antigos.

Além de diplomata e jornalista, Vinicius era dramaturgo, poeta, cantor e compositor. Destacou-se em todas as áreas e deixou um rico patrimônio cultural para o Brasil.

Canções para crianças

Além dos grandes sucessos da Bossa Nova, o autor escreveu e ajudou a musicar um disco de músicas infantis, lançado em 1970. Algumas canções presente na obra são:

  • “A Casa”
  • “A Foca”
  • “O Girassol”
  • “O Gato”
  • “O Relógio”

Dentre as composições infantis de Vinicius, “O Pato” é a mais famosa delas.

Lá vem o Pato
Pata aqui, pata acolá
Lá vem o Pato
Para ver o que é que há.
O Pato pateta
Pintou o caneco
Surrou a galinha
Bateu no marreco
Pulou do poleiro
No pé do cavalo
Levou um coice
Criou um galo
Comeu um pedaço
De jenipapo
Ficou engasgado
Com dor no papo
Caiu no poço
Quebrou a tigela
Tantas fez o moço
Que foi pra panela.

Literatura

Entre as principais obras de Vinicius, estão:

  • Alguma Poesia” (1930);
  • “O Caminho para a Distância” (1933);
  • “Antologia Poética” (1954);
  • “Livro de Sonetos” (1957);
  • “Para uma menina com uma flor” (1966).

Principais poemas

  • “Soneto de fidelidade”;
  • “A rosa de Hiroshima”;
  • “Soneto do amor total”;
  • “Soneto do amor total”;
  • “Soneto de separação”;
  • “Soneto do Amigo”.

Citações

A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.

Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

BRITO, Samara. Vinícius de Moraes; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/vinicius-de-moraes >. Acesso em 06 de dezembro de 2019 às 21:31.

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