Washington Luís

Último presidente do período conhecido como República Velha, enfrentou a crise internacional

Washington Luís Pereira de Sousa nasceu no dia 26 de outubro de 1869 na cidade de Macaé, estado do Rio de Janeiro. Proveniente de uma família pobre, Washington teve oportunidade de iniciar os estudos como interno no renomado Colégio Pedro II.

Washington Luís tornou-se bacharel em direito pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1891. Foi nomeado promotor público em Barra Mansa, mas renunciou ao cargo para se dedicar à advocacia em Batatais.

Trajetória Política de Washington Luís

Iniciou na carreira política em 1897 como vereador da cidade de Batatais (SP) pelo Partido Republicano Federal (PRF). Entre os anos de 1898 e 1899, geriu a prefeitura de Batatais, nesse período, promoveu uma pioneira reforma agrária no Brasil.

Em 1900, foi eleito deputado federal, porém não assumiu o cargo por não ter seu diploma reconhecido pela Comissão de Verificação de Poderes da Câmara dos Deputados devido sua declarada oposição ao então presidente Campos Salles.

Posteriormente, Washington Luís ingressou no Partido Republicano Paulista (PRP), elegendo-se deputado estadual. Participou ativamente na Assembleia Constituinte paulista, que reviu a Constituição do estado (1905) e defendendo o municipalismo.

Em 1906, abandona o cargo e assume a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública. Sua diretriz administrativa como secretário era “Não prender sem motivo, não prender sem processar!”

A principais ações de Washington durante o comando da secretaria foram:

  • Incentivou a criação do Automóvel Clube de São Paulo;
  • Em 1909, criou a Penitenciária do Estado de São Paulo e iniciou a construção;
  • Reorganização o Gabinete de Identificações e o Gabinete Médico Legal;
  • Em 1910, apoiou a Campanha Civilista de Rui Barbosa;
  • Implementou a identificação dactiloscópica nas delegacias, a técnica mais moderna da época;
  • Modernizou a Força Pública, atual Polícia Militar, e instalou a Policia Civil, ambas do Estado de São Paulo;
  • Criou o Gabinete de Investigações e Capturas, gerando maior eficiência no trabalho da polícia civil;
  • Traçou os primeiros projetos para a melhoria das rodovias do estado e para implantação de um plano rodoviário estadual;
  • Exigiu que os promotores denunciassem pais que não realizavam o registro das crianças, o que deu impulso ao registro civil em São Paulo.

Contudo o maior desafio de Washington Luís nesta secretaria foram os ataques dos índios aos trabalhadores da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil.

Em 1912, tornou-se líder da bancada situacionista e Deputado Estadual (1912-1913). Posteriormente, foi prefeito de São Paulo (1914-1919), quando criou as feiras-livres de alimentos e construiu e recuperou 200 quilômetros de estradas municipais paulistanas.

Washington Luís enfrentou os 3 "Gs" na Primeira Guerra Mundial, a Gripe Espanhola (1918) e as Greves Operárias de 1917.

Em 1 de maio de 1920, Washington Luís chegou à presidência do estado (governador) de São Paulo. Tinha como prioridade, povoar o interior do estado e acreditava que para isso era necessário abrir estradas.

Governar é povoar; mas, não se povoa sem se abrir estradas, e de todas as espécies; Governar é, pois, fazer estradas!

O grande número de obras rodoviárias executadas no estado rendeu muitas críticas a Washington Luís pelos seus adversários que chegaram a apelida-lo de “General Estrada de Bobagem”, um trocadilho com “Estrada de Rodagem”.

De seu mandato como presidente do estado de São Paulo (1920-1924), destacam-se:

  • Criou colônias agrícolas;
  • Criou o Museu Republicano de Itu;
  • Apoiou a Semana de Arte Moderna de 1922;
  • Refinanciou a dívida interna e a dívida externa do Estado;
  • Criou os processos de indenização por acidente de trabalho;
  • Realizou uma reforma no ensino público estadual e no poder judiciário;
  • Estabeleceu em definitivo as fronteiras de São Paulo com o Rio de Janeiro e com o Paraná;
  • Garantiu a segurança do estado, no combate aos revoltosos do levante tenentista de 5 de julho de 1922;
  • Presidiu o centenário da Independência do Brasil, reformou o Museu do Ipiranga e construiu o Monumento da independência.

Após deixar o governo do estado paulista, ocorreu a Revolução de 1924 e Washington Luís alistou-se para combater os rebeldes, chefiando o 3º Batalhão organizado em Batatais.

Em seguida, passou brevemente pelo Senado Federal até ser escolhido para disputar a presidência da República. Foi candidato único, sem nenhuma oposição, apoiado por todos os partidos republicanos estaduais, na tradicional República Oligárquica.

Presidente da República

No dia 1 de março de 1926, Washington Luís obtém a maior votação até então para a presidência da república com 688.528 votos contra 1.116 dados ao general Joaquim Francisco de Assis Brasil.

Presidente Washington Luís
Presidente Washington Luís (Foto: Wikipédia)

Assumiu a presidência da República em 15 de novembro de 1926 e não renovou o estado de sítio aprovado por seu antecessor, Arthur Bernardes.

Washington Luís havia prometido libertar todos os presos políticos, contudo não concedeu anistia aos revoltados de 1922, 1923, 1924 e 1925. Durante toda década de 1920, a República Velha sofreu desgastes pertinente as manifestações.

Manifestações da oposição, dos movimentos tenentistas e operários e das oligarquias discordantes. Logo no início do governo Washington Luís, a Coluna Prestes chegou ao fim ao perder o apoio da população.

Para impedir novos movimentos de oposição, o presidente criou a “Lei Celerada”, que impôs censura à imprensa e restringiu o direito de reunião, levando o Partido Comunista Brasileiro novamente para a clandestinidade, já que havia sido reconhecido pelo governo no início do ano.

No início do seu mandato, instituiu a reforma econômica, financeira, monetária e cambial no Brasil, através do decreto nº 5.108.

Em 1927, criou o Conselho de Defesa Nacional, um órgão consultivo para assuntos de segurança nacional, política externa e estratégia de defesa. Criou o Fundo Especial para Construção e Conservação de Estradas de Rodagens Federais.

Washington Luís enfrentou a crise do café desencadeada com a quebra da bolsa de Nova Iorque, em 1929. Nesse período, a crise começou a abalar a estabilidade do governo, porém Washington não permitiu a desvalorização da moeda.

Revolução de 1930

Em 1929, Washington Luís apoiou Júlio Prestes para a sua sucessão. Isso rompia a Política do Café-do-leite que havia prenominado na presidência do país. A vitória de Prestes não foi aceita pelos opositores e gerou uma revolução em 3 de outubro de 1930.

No dia 24 do mesmo mês, o presidente Washington Luís foi deposto do cargo pelos chefes das forças armadas e uma junta provisória de governo assumiu o poder, entregando-o, em seguida, a Getúlio Vargas.

Washington Luís viveu muitos anos exilado nos Estados Unidos e na Europa. Voltou ao Brasil em 1947, mas não quis proximidade com a política novamente. Dedicou seu tempo a estudos históricos.

Washington Luís faleceu em 4 de agosto de 1957, em São Paulo, e está enterrado no Cemitério da Consolação.

Curiosidade

  • Washington Luís foi o responsável por oficializar o brasão da cidade de São Paulo em 1916.
  • Há rodovias nomeadas em homenagem a Washington Luís, mas é um dos únicos presidentes em que não tem uma cidade nomeada em sua homenagem.
  • Em 23 de maio de 1928, Washington Luís foi baleado por sua amante, a marquesa italiana Elvira Vishi Maurich. A versão oficial foi que ele sofreu uma crise de apendicite. Quatro dias depois a jovem marquesa foi encontrada morta, segundo a polícia, ela teria se suicidado.

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, . Washington Luís; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/washington-luis >. Acesso em 23 de setembro de 2020 às 18:40.

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