Xiitas e sunitas

Grupos muçulmanos praticantes do Islamisno

Xiitas e sunitas são grupos muçulmanos praticantes do Islamismo. Embora ambos sigam a mesma religião, eles possuem algumas diferenças ideológicas que no decorrer da história já desencadearam inúmeros conflitos. 

A maioria dos seguidores está na região do Oriente Médio. Enquanto a Arábia Saudita possui maioria sunita, o Irã contém maioria xiita. Também são encontrados muitos seguidores dos grupos em países como: Afeganistão, Iraque, Barein, Azerbaidjão, Iêmen, Índia, Kuwait, Líbano, Paquistão, Catar, Síria, Turquia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

A diferença entre os grupos começou há séculos a respeito da linha de sucessão do líder religioso Maomé. Depois  que esse líder religioso faleceu, os xiitas queriam que  Ali Bin Abu Talib, o genro dele, assumisse a liderança. Já os sunitas pediam uma eleição.

Confira neste artigo mais informações sobre esses dois importantes grupos islâmicos. Antes, assista ao vídeo e entenda os costumes dos povos árabes e a cultura do Oriente Médio:

Quem é quem?

Além do nomes distintos, os grupos xiitas e sunitas apresentam outras diferenças. Dentre as principais estão: quantidade de pessoas praticantes, livros sagrados que ditam as regras, práticas de autoflagelação, entendimento acerta do casamento, entre outros. 

Xiitas

O nome “xiita” tem origem em “Shiat Ali“, e significa “o partido de Ali”. É o grupo com a menor quantidade de pessoas, representando apenas 10% dos muçulmanos. A maioria está concentrada no Irã.

Como a raiz etimológica do nome diz, o grupo acreditava em Ali Bin Abu Talib, genro de Maomé, como seu sucessor. Isso devido a uma questão familiar, hierárquica e hereditária, através do direito da primogenitura.

O livro sagrado dos xiitas é o Alcorão. No entanto, além dele usam a Sharia, que é a Lei Islâmica.

Os xiitas são adeptos da autoflagelação, fazem cinco orações diárias, em três momentos diferentes e com os braços ao lado corpo. Para eles, o casamento temporário é uma prática aceita.

Sunitas

Líder islã segundo os sunitas: Abu Bakr
Abu Bakr em Meca. (Foto: Wikipédia)

A palavra “sunita” é uma variação do termo “Ahl al-Sunna” e significa “pessoas da tradição”

Os sunitas vivem, em sua maioria, nos seguintes países: Arábia Saudita, Egito, Iêmen, Paquistão, Indonésia, Turquia, Argélia, Marrocos e Tunísia. Representam a maioria dos muçulmanos, com cerca de 90% do povo.

Os sunitas, diferente dos xiitas,  queriam que o sucessor de Maomé fosse eleito pelo povo, e não pela lei sucessória de hereditariedade. Após a realização de uma eleição, eles elegeram Abu Bakr, o antigo conselheiro do profeta, como líder religioso.

A liderança religiosa no entendimento dos sunitas seria dada através da confiança do povo.

Os livros sagrados dos sunitas são: Alcorão, Sharia e Suna. Eles não concordam com a prática da autoflagelação. As orações são feitas em cinco momentos do dia e com os braços cruzados acima do peito. O casamento temporário para eles é incorreto, considerado adultério. 

Costumes dos xiitas e sunitas

Mesmo sabendo das diferenças entre esses dois grupos é difícil distingui-los, isso porque a cultura muçulmana é muito diferente da do ocidente.  As religiões praticadas nessa região do mundo têm regras rígidas, costumes e procedimentos atípicos da realidade do outro lado do oceano.

Oração

Para os muçulmanos o ato de orar tem regras. Existe uma forma certa de como se portar fisicamente, além da quantidade de vezes que se deve fazer.

Orar na posição errada, com os braços diferentes da regra, por exemplo, é um erro grave. Quem nasce nesse meio é ensinado desde criança sobre como se portar, e quem adere a religião depois de adulto também precisa se adequar. 

Os xiitas dividem as cinco orações em três momentos durante o dia. Já os sunitas fazem as orações em cinco paradas.

No entanto, há também formas em comum entre os dois grupos. Segundo as regras, as orações devem:

  • Purificar-se. Esse ato consiste em lavar mãos, as narinas, os braços até a altura do cotovelo, a face, a cabeça, as orelhas e ouvidos e os pés;
  • Se não puder se purificar, deve orar onde estiver;
  • Virar-se em direção a Meca independente de onde estiver.

Os horários das orações obrigatórias são regidos de acordo com o sol. Além das orações obrigatórias, os muçulmanos têm as que são feitas em qualquer outro momento, que são livres, como uma conversa com Deus. 

Autoflagelação

A autoflagelação é um modo de reviver dores e aumentar o lamento de uma dor, ou uma forma de punição. É praticada em varias culturas.

Os xiitas possuem um dia para isso, o chamado Ashura. É um dia para flagelar (machucar, castigar) com chicotes e facões as próprias costas e cabeça.

Eles relembram nesta data do calendário muçulmano a morte de Hussein, um de seus líderes, que foi morto violentamente.

Pela tradição, algumas pessoas se autoflagelam para reviver as dores, enquanto outros andam em brasas fumegantes e crianças gritam “oh, Hussein”.

Sunitas veem tal prática como pecado.

 
Xiitas celebrando o Ashura
Celebração do Ashura, tradicional para os xiitas. (Foto: Wikipédia)

Casamento temporário

O casamento temporário não é a mesma coisa que a poligamia estabelecida em diversos países árabes.

É uma união que não deve durar para sempre. Quando um muçulmano viajava por longo tempo ele podia se casar com alguma mulher que conhecesse durante a viagem. No entanto, essa relação só duraria pelo tempo da viagem. Ao voltar para casa esse casamento era encerrado.

Xiitas acreditam nesse costume, já os sunitas veem como adultério.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Oliveira, Ana Cláudia. Xiitas e sunitas; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/xiitas-e-sunitas >. Acesso em 29 de janeiro de 2020 às 21:18.

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