Xintoísmo

Conjunto de crenças e mitos originário dos povos nativos do Japão

O Xintoísmo é um conjunto de crenças de origem japonesa, derivada da expressão “Xinto”, ou “Kami-no-michi”, que significa “Caminho para os Deuses”.

Essa é uma das religiões mais antigas praticadas pelos povos nativos do Japão. Diferente de outras religiões, o xintoísmo não crê na criação do universo por meio de um criador “Xinto” (Deus), mas sim, em vários “Xintos” (deuses), que são caracterizados por seres em forma humana, animal ou elementos da natureza, como montanhas, rios, trovões, vento, ondas, árvores e pedras.

O principal símbolo é o Torii, composto por duas barras verticais e uma superior horizonto formando um portal.

santuário de xintoísmo
À frente da imagem, o Torii que simboliza a oposição à violência. Ao fundo, um santuário Xintoísta. (Fonte: Pixabay)

Uma característica dos adeptos a essa filosofia de vida, que prega o respeito à natureza, e o culto ao ser material do espiritual, onde não existe uma separação do criador e da criatura, é considerar tudo divino.

Embora o xintoísmo tenha sofrido influência do Budismo, Confucionismo e Taoismo, ele é considerado parte da cultura japonesa.

Atualmente, acredita-se que existem mais de 120 milhões de adeptos ao xintoísmo no Japão, mas esse número pode chegar a proporções bem maiores pelo mundo, pois o culto possui templos em países como Estados Unidos, Nova Zelândia, Canadá, Holanda, Austrália e também no Brasil.

Embora exista santuário destinado a prática do Xintoísmo, os rituais de conexão à natureza podem ser feitos em casa.

Um dos principais templos é o “Kashikodokoro”, localizado no palácio imperial de Tóquio, criado para que o imperador e a sua corte pudessem homenagear os seus ancestrais. Embora seja um dos mais famosos santuários da cultura xintoísta, o “Kashikodokoro” é considerado sagrado e raramente é filmado ou fotografado.

Origem do Xintoísmo

A criação dos mitos e crenças xintoístas iniciaram com a primeira cultura do arquipélago japonês, conhecido como Período Jamon (8000 a.E.C. – 300 a.E.C), onde começou a ser difundida pela população local a ideia de cultuar as forças da natureza.

A cultura Xintoísta, que precede o Budismo, ganhou força no Japão no século VI, quando passou a ser uma religião tradicional japonesa após reconhecer o imperador como a pessoa de maior importância religiosa e cultuar os seus ancestrais como divindades.

Em 1946, o xintoísmo perdeu força depois da Segunda Guerra Mundial, quando o Japão foi ocupado pelo exército americano, e o imperador Hirohito teve que renunciar em um programa de rádio ao seu posto de divindade. Após este episódio o xintoísmo deixou de ser a religião oficial do país.

No século XVII, os teóricos Mabuqui, estudioso do Kojiki e do Nihongi, e Motoori Norinaga iniciam uma tentativa de restaurar a essência da cultura Xintoísta, que naquela altura já havia se fundido com alguns conceitos Budistas e passaram a criar templos e imagens sagradas. Mas foi em 1868, no governo do imperador Meji, que o xintoísmo retornou ao posto de religião oficial e livre da influência do budismo.

Mitologia

Na crença Xintoísta existem milhares de "Kamis" (deuses) que vivem em "Takama-no-hara", cujo significado é "Alta Planície do Céu". Os principais deuses são: "Amaterasu Oo-mikami", a grande deus Sol; "Tsukiyomi-no-Mikoto", o deus Lua e "Susano-O-no-Mikoto", o deus do mar e das tempestades.

Na mitologia japonesa, o xintoísmo é dividido em duas partes: céu – onde o “Kami” se apresenta na forma de um casal que mais são responsáveis pela geração de vários “kamis,” que são os seres humanos; e a natureza – tudo que os cerca, ou seja, os elementos da natureza. Esses “Kamis” eram conhecidos como as sete gerações divinas, são eles:

  • Uhijini – Senhor da lama da terra e Suhijini (Senhora da Lama e da Terra)
  • Tsunuguhi (Embrião que integra) e Ikuguhi (Aquela que integra a vida)
  • Ohotonoji (O mais velho da grande morada) e Ohotonobe (Senhora mais Velha da Grande Morada)
  • Omodaru (Aspecto perfeito) e Ayakashikone (Majestosa)
  • Izanagi (Varão que atrai) e Izanami (Mulher que atrai)

De acordo com o Kojiki, livro antigo que conta a história do Japão, existem cinco divindades que não nasceram sozinhas, o primeiro é “Kami Amenominakanushi” – senhor do augusto centro do céu; “Takamimusubi” – alto gerador do deus prodigioso; “Kamimusubi” – divino gerador do deus prodigioso;” Umashiashikabihikoji” – o mais velho soberano do cálamo e “Amenotokotachi” – o que está eternamente deitado no céu.

Rituais

Os rituais xintoístas são de grande importância para a cultura japonesa, além das cerimônias fúnebres e de purificação chamado de Nuboko Hapou Harae, ainda existem rituais para pedir bênção ao deus Amaterasu.

  • Anzan kigan: Realizada para pedir uma gravidez tranquila e saúde para a mãe e o bebê.
  • Hatsumiya kigan: Batismo.
  • Itinen kigan: Celebra o aniversário de 1 ano da criança.
  • Sansai kigan: Comemora o aniversário de 3 anos de vida da criança (meninos e meninas).
  • Gosai kigan: Festeja o aniversário de 5 anos de vida da criança (somente aos meninos).
  • Nanasai kigan: Celebra o aniversário de 7 anos de vida da criança (somente às meninas).
  • Seijin kigan: Comemora a maioridade da criança.
  • Kekkon kigan: Cerimônia de casamento.
  • Kekon kinen kigan: Cerimônia de Bodas (10 anos, 30 anos, 50 anos e 60 anos).

Xintoísmo no Brasil

Geralmente, o xintoísmo no Brasil é praticado por imigrantes e descendentes japoneses. Hoje, já existem diversas comunidades xintoísta espalhadas pelo país, mas o principal Templo Xintoísta em solo brasileiro fica localizada em São Paulo.

Curiosidades sobre o Xintoísmo

A crença religiosa não possui fundador nem missionários, para difundir a cultura.

Também não possui um livro sagrado, como é o exemplo da bíblia, mas baseia-se em textos de ensinamentos chamados de “Shinten" ou "escrituras sagradas". A cultura não é considerada exclusiva, ou seja, pessoas de qualquer religião pode praticar e frequentar os templos.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

RIBEIRO, Lohana. Xintoísmo; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/xintoismo >. Acesso em 12 de dezembro de 2019 às 08:03.

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